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25 de abril de 2015

A teologia holandesa é arrojada, afirma N. T. (Tom) Wright


O teólogo inglês N.T. (Tom) Wright vem à Holanda, no final de outubro (2014). Ele é Anglicano, mas mostra ter uma afinidade surpreendente com a tradição reformada holandesa. Como prévia da conferência em Kampen, no dia 31 de outubro: uma conversa com Wright sobre suas irritações dogmáticas, sua visão a respeito da teologia bíblica e sua paixão por alcançar “o crente comum”.

Por quatro dias o estudioso do Novo Testamento Tom Wright (1948) estará na Holanda no final desse mês. Primeiro será o palestrante principal de um congresso na Universidade de Groningen, depois visitara a Universidade Teológica de Kampen. Wright está ansioso, diz, pois ele entende que a teologia holandesa o “formou”, e a considera “extraordinária”. Essa parece uma afirmação educada, patente dos nossos vizinhos britânicos, mas em Wright parece um sentimento honesto de dívida (n. t. Para com a teologia holandesa). E realmente há temas comuns, que facilmente conectam os reformados e os neocalvinistas à teologia de Wright, na qual a ênfase está no pacto e na história da redenção, no significado concreto da cruz e da ressurreição, e na chegada real (n. t. efetiva) do novo mundo de Deus.
Wright é professor na St. Mary”s College, a faculdade teológica da Universidade de St. Andrews. Ele aceitou esse posto depois de sua despedida como bispo de Durham. Essa decisão teve tudo a ver com o seu quarto grande livro acadêmico da série Christian Origins and the Question of God (Origens Cristãs e a Questão de Deus). O livro se chama Paul and the Faithfulness of God (Paulo e a Fidelidade de Deus), e contém nada menos que 1650 páginas, e parece coroar o fascínio que Wright teve por toda a vida por Paulo. 

"Tive muito prazer trabalhando com esse livro," conta, "mas me custou mais tempo do que eu esperava. Comecei-o em um ano sabático em 2009. Em janeiro de 2010 voltei a Durham, onde era bispo. Logo ficou claro que eu não poderia terminar o livro se continuasse em Durham. Foi uma decisão difícil, mas escolhi aceitar o convite de St. Andrews para lecionar. Quando estava aqui ainda tinha que terminar diversos outros livros, como a série A Bíblia para Todos (n. t. Uma serie de comentários bíblicos). Também escrevi, a pedido da minha editora o livro Simplesmente Jesus (Simply Jesus: A new vision of who he was, what he did and why he matters) e em minha mente cresceu o conceito para Como Deus se tornou Rei (How God became King: The Forgotten Story of the Gospels). Enquanto isso meu editor ainda me pediu se podia desenvolver um livro a respeito dos Salmos a partir de uma palestra que tinha dado. Ele disse, pegue a palestra como estrutura básica e cada vez que abordar um Salmo você amplia um pouco – e eis que há um livro. Então acabei por fazê-lo em The Case for the Psalms (O Caso dos Salmos ou Em favor dos Salmos). Assim, fiquei bastante aliviado quando ano passado o grande livro a respeito de Paulo foi publicado."

Público Amplo
Trabalhar em todos esses projetos diferentes parece jogar diversas partidas de xadrez ao mesmo tempo. O público alvo de Wright também varia bastante. Mas isso o relaxa, diz, com um senso de ironia: “Esses livros científicos muito amplos me custam muitas gotas de suor. Entre estes escrevo os livros curtos e populares, e gosto muito disso. Eu gosto muito de escrever e esses livros para um público mais amplo não me custam tempo demais, muitas vezes é uma série de palestras, e entre estas apenas adiciono ordem e estrutura”.

Obviamente relaxar não é a única motivação de Wright. Ele busca conscientemente o contato com o público amplo nos seus livros populares. Essa é uma característica marcante das ocupações de Wright, pois são poucos os seus colegas que conseguiriam fazer o mesmo. “É verdade, e na verdade isso é uma vergonha”, diz Wright. “Na minha carreira sempre andei nesses dois caminhos. Eu trabalhava na esfera acadêmica, mas também estava ativo como pastor, bispo e pregador. Isso se tornou incomum nas esferas científicas atuais. O estudo do Novo Testamento tornou-se altamente especializado, e assim atrai pessoas que gostam de se ater a detalhes. Mas você deve ousar dar o passo para o público amplo que não quer saber apenas dos detalhes, mas são mais interessados no quadro maior, mais amplo. E é evidente que se deve fazer isso sem termos complicados. Quanto a isso, minha família, enquanto eu crescia, me ensinou uma lição útil. As crianças me faziam perguntas, e quando eu trazia termos carregados, diziam: 'Papai, fale normal!' A partir dessa lição de humildade vieram os meus livros Simplesmente Jesus e Simplesmente Cristão. E devo dizer que escrever esse tipo de livro me dá muito prazer”.

Herman Dooyeweerd
Wright enfatiza que frequentemente suas ideias teológicas são renovadoras, ou pelo menos surpreendentes. Mas ele também tem as suas fontes, por exemplo os grandes pensadores aos quais se sente em dívida. Em uma entrevista para a revista holandesa Wapenveld, Wright cita o nome do filósofo reformado Herman Dooyeweerd (1894-1977), que concebeu uma cosmovisão filosófica ampla – a Wijsbegeerte der Wetsidee (N. T. Filosofia da Ideia Cosmonômica) -- na qual ele aborda o todo da realidade, da escola e hospital à economia e ao sacramento. Wright ficou impressionado com a abordagem Dooyeweerdiana. “Herman Dooyeweerd foi importante para mim,” conta, “apesar de não ter feito um estudo rigoroso de sua obra. Suas ideias me alcançaram através de um bom amigo, Brian Walsh , que foi muito influenciado por Dooyeweerd. No começo da década de 90 demos uma série de palestras juntos em Oxford, na qual deveríamos abordar uma serie de tópicos, de Novo Testamento a Ética, de forma coerente e uniforme. Eu estava na fase preparatória dos volumosos livros acadêmicos a respeito do Novo Testamento, dos quais The New Testament and the People of God (1992) (n.t. O Novo Testamento e o Povo de Deus) seria o primeiro. Não há dúvida de que devo às conversas com Brian Walsh a percepção de que o Reino abrangente de Deus se conecta com a esperança messiânica do Antigo Testamento, e evidentemente com a maneira como tudo isso foi abordado em Jesus."

Kuyper
Brian Walsh desafiou Wright a pensar diferente do que este estava acostumado. “Não no sentido de “dai a Deus o que é de Deus e ao imperador o que pertence ao imperador” – que seriam compartimentos separados – mas deliberadamente abordar uma profunda conexão entre igreja e mundo. Dooyeweerd queria integrar todas os aspectos da vida sob o ponto de vista da vitória de Cristo. Ele estava convencido, assim como C.S. Lewis, que cada centímetro quadrado e cada segundo é reivindicado por Deus – e também por Satanás. Essa visão não me era totalmente estranha, estava presente de forma embrionária, mas eu nunca tinha pensado a respeito nessa profundidade.  Agora eu tinha que fazê-lo por causa do fascínio do meu amigo por Dooyeweerd. E devo dizer que comecei admirar a consciência intelectual dos pensadores cristãos holandeses – entre os quais evidentemente também devo citar Kuyper aqui! Era muito diferente do que estava acostumado da forma mimada e doce dos ingleses pensarem. Não que não conhecesse pensadores sérios e minuciosos na Inglaterra, mas a meticulosidade dos pensadores holandeses causou uma mudança em mim.”

Historiografia e Teologia
Parece que o senhor conscientemente escolhe ser historiador, por exemplo com o seu modelo de cosmovisão (worldview-model). O senhor não se profila como alguém que escreve Teologia Bíblica.
“A questão de Deus é uma questão teológica, não há escapatória, nem se  mantivermos uma perspectiva historiográfica. Para mim essa separação não existe de forma alguma. Alguns colegas me acusam de teologia bíblica, que entendem ser um empreendimento tolo e do século 19. O que eu proponho é: entremos no mundo do Judaísmo do Segundo Templo e então tentemos entender o que importava para a primeira geração de cristãos. Quando se faz isso, muitas coisas se encaixam. Nós mantemos tantos anacronismos no Cristianismo atual, desde como explicamos as parábolas a como entendemos Paulo. Mas tudo entra na perspectiva correta quando se começa a ver como o Judaísmo do Segundo Templo funciona. Você realmente tem aqueles momentos de: “Agora sim!” É a partir dessa perspectiva que tento pensar consequentemente Paulo no contexto da época. Assim sua pesquisa resulta em respostas históricas e teológicas. O que se ouve dos cristãos do primeiro século trata de “encarnação”, sobre a questão de quem Deus é, qual é o significado de Jesus no quadro geral das expectativas messiânicas. Enquanto pesquisador sempre tentei viver com essa tensão (n.t. No sentido positivo, emoção, empolgação, ansiedade, anseio), pesquisando a história e a teologia em conjunto. Minhas publicações podem assim serem classificadas como historiográficas, teológicas, ou até mesmo missiológicas”.

Construto teológico
Geralmente se mantêm as disciplinas separadas. Qual o argumento mais importante para se relacionar mais a teologia bíblica com a historiografia?
“Os textos do Novo Testamento que na história de Jesus Cristo se trata da presença direta de Deus. Isso se dá na história real, essa é a convicção deles. E é exatamente essa afirmação que por muito tempo foi considerada anátema por estudiosos do Novo Testametno. Considerava-se que era mais aceitável presumir que os evangelistas não tinham a pretensão de descreverem a história de forma realista. Para eles tratar-se-ia de um belo construto teológico que tinha importância para eles. Mas quando lemos Josefo, ou outros escritores Greco-Romanos, percebemos que eles escrevem de forma consciente sobre as coisas que aconteciam na época. E é dessa forma que se leem os evangelhos de forma natural. Isso não é inocente, mas baseia-se na forma séria dos judeus da época lerem”.

Aconteceu de verdade
Em How God Became King (Como Deus se tornou Rei, 2012), Wright argumenta que o tipo de histórias que os evangelhos contam, tratam de Deus o Criador e seu mundo. Nesse livro, ele afirma que os evangelhos tratam da realidade concreta, na qual se realiza uma ação divina. Wright: “Historicamente não faz sentido dizer que os evangelistas queriam enfatizar uma espiritualidade platônica, um significado religioso que estaria fora da realidade concreta! É exatamente isso que eles não têm em vista. O que Marcos, Lucas e os outros afirmam poderia ser ficção, no sentido de não estar de acordo com os fatos – mas essa é uma discussão completamente diferente. Mas eles estão convencidos de que a grande história das escrituras alcançou o seu clímax histórico na vinda do Messias Jesus. O fator esquecido, que poderia ter levado a interpretação ao caminho correto, é a expectativa dos profetas do período do Segundo Templo de que o Deus de Israel realmente retornaria. Deus prometeu que voltaria – mas ninguém sabe quando! Também não está claro como será ou o que acontecerá. O retorno de Deus poderia ser assustador, ou talvez empolgante. Mas esse é o assunto, que na percepção dos evangelistas Jesus assumiu o reinado de Deus. Eles contam com a convicção de que foi assim que aconteceu, assim Deus tornou-se rei.”

Irritações
O senhor se mostra irritado quanto a alguns pontos de vista teológicos. Quais as suas principais irritações dogmáticas?
“A forma como as pessoas reivindicam uma cristologia ortodoxa muitas vezes me causa certa resistência. Você deve pensar X ou Y a respeito de Jesus, e se não o fizer você está fora do barco. Geralmente é a reinvindicação de que Jesus é Deus. As pessoas presumem que o Jesus humano poderia sem problemas lembrar-se de como era quando Ele ainda estava com o Pai, antes de encarnar. Eu acho essa abordagem problemática, porque forca padrões racionalistas à explicação das Escrituras. Parece que as pessoas querem subscrever uma fé trinitária ortodoxa a qualquer custo, sem sondarem a profundidade da mesma. Dá para ouvi-las dizerem: “com certeza, Jesus era Deus! Eu subscrevo a isso, portanto estou tranquilo”. Mas a verdade é que se trata do que esse Deus encarnado faz! E o que fará. Se você o limita a “Ele morreu pelos nossos pecados e vai me levar ao céu”, você está perdendo o ponto central dos 4 evangelhos. De acordo com os evangelhos, Jesus se torna o encarregado. O próprio Deus está à frente de tudo em Cristo, e isso significa que algo acontecerá."

Combinação    
"A maioria dos cristãos nem para para pensar nisso. Talvez na Holanda seja diferente, assim como com seus “parentes” calvinistas em Grand Rapids! Quando eu dei uma palestra no Calvin College sobre How God Became King, James K. A. Smith me disse: “Você diz que nós nos esquecemos disso mas nas nossas aulas o reino de Deus e o seu significado concreto são sempre um ponto central!” Na verdade, suspeito que a teologia holandesa seja uma exceção. Dei incontáveis palestras e preleções em outras partes da Europa e dos EUA. Especialmente nos EUA as pessoas dizem: “Nunca ouvimos isso antes!” E quando digo que presumo que muitos pastores se limitam à mensagem de que Jesus se tornou Deus somente para nos perdoar e levar ao céu – ouço pessoas dizendo: “é isso que sempre ouvimos!” Parece que há pouca percepção da atualidade do Reino de Deus, que, de acordo com Jesus, vem “na terra como no céu”. Quando você expande para isso as pessoas rapidamente passam a achar que você está trocando o evangelho da redenção e perdão por um evangelho de melhoras sociais. Mas é claro que essa é uma conclusão precoce.  Nos evangelhos encontramos a combinação incomum de Reino e Cruz.  Os dois, na verdade, andam juntos apesar de a teologia ocidental ter muita dificuldade em mantê-los juntos. As pessoas parecem entender que tudo era um sucesso na missão de Jesus, até que algo deu errado e Ele acabou na cruz. Com isso parece que um plano B entrou em ação quando sua missão original foi por água abaixo – e o que sobra é apenas uma morte isolada que nos salva dos nossos pecados."

Solto da cruz
“A questão central então é: “como os dois se combinam? Como conectar a sua atuação e sua pregação, suas curas, seu envolvimento critico nas relações sociais – e por outro lado sua terrível morte e gloriosa ressurreição?” Simplesmente não se levanta essa questão o bastante. E como consequência disso se deslizou para uma teologia da cruz, de tons pietistas, na qual tudo é a respeito da morte salvífica de Jesus, a salvação da minha alma. Do outro lado do espectro deslizaram para uma forma de horizontalismo social no qual o reino se soltou da cruz. Mas no grande capítulo da ressurreição – 1 Coríntios 15 – Paulo escreve que a morte de Jesus resulta em seu reinado concreto, “até que tenha colocado todos os inimigos debaixo de seus pés”. Nesse sentido o Reino de Deus é uma realidade presente e atual. O Reino evidentemente ainda não é o reino de paz na qual resultará quando Deus for “tudo em todos” e a morte for definitivamente derrotada. Mas a partir da ressurreição de Cristo o mundo mudou definitivamente e Deus ativamente dá forma ao Seu novo mundo.”

Quebra cabeça
As irritações dogmáticas de Wright se voltam principalmente ao abismo entre algumas construções dogmáticas e o testemunho dos escritores do Novo Testamento. Muitos evangélicos na Inglaterra e nos EUA se satisfazem com os lugares-comuns dogmáticos, observa Wright. “Enquanto você disser que Jesus é Deus – você está tranquilo. Se subscrever: Jesus morreu no meu lugar – daí está ótimo! É certo que tais afirmações contêm elementos verdadeiros. Mas é como montar um quebra-cabeça com as peças nos lugares errados. Você pode até usar todas as peças, mas como não se encaixam o quadro geral fica deformado. Se olhar bem, a imagem não convence. Esse também é o problema das grandes confissões (n.t. De fé): O reino (quase) não é citado. No Credo de Nicéia você só tem alguma coisa a respeito do Reino lá no final. Então as pessoas pensam: “Ah, então isso ainda virá!” Em How God Became King sou crítico quanto a essa omissão e sua estrutura teológica, mas não advogo a favor da abolição das grandes confissões. O que é importante é que as compreendamos de uma maneira nova: a partir do testemunho dos evangelistas e dos escritores do Novo Testamento.”


*Arrojada: Audaz, atrevida, arrojada, minuciosa, meticulosa, resoluta, corajosa, firme todas estas seriam traduções possíveis da palavra “doortastend” que o autor usa em holandês. Depende de qual palavra inglesa Wright usou originalmente para saber qual seria a tradução mais correta. Usei a que me parece mais exata quanto a palavra holandesa, que é de difícil tradução. 
 ***
Fonte: https://tukampen.afasonline.com/nieuwsbericht-tu-kampen-nl/nederlandse-theologie-doortastend-stelt-n-t-tom-wright
Original: Tjerk de Reus e Hans Burger
Tradução: Tijs vanden Brink
Revisão: Daniel de Lima Vieira


9 de fevereiro de 2010

Frank Viola entrevista Todd Hunter


Todd foi um influente líder do movimento Vineyard (a la, John Wimber). Sua história é interessante, ele tem percorrido a jornada de um líder Vineyard a Presidente do curso Alpha para se tornar um bispo anglicano. Após a entrevista, eu ofereço alguns comentários e reações.

Como e quando você veio a Cristo? 

Eu vim a Cristo em meados dos anos setenta no movimento de Jesus no sul da Califórnia, em Riverside Calvary Chapel, agora Harvest Christian Fellowship. Greg Laurie, o evangelista e professor de rádio foi e é o pastor. Eu estava jogando baseball na faculdade e um dos rapazes que a equipe manteve bugging me para ir à igreja com ele. Eu o fiz e me converti. Muitos jovens, música de Jesus e a mensagem de Greg, foi muito simples.

Muitas pessoas estão interessados em saber como e por que você passou de um líder no movimento Vineyard para um sacerdote anglicano. Você pode compartilhar um pouco dessa jornada? 

Eu contar essa história em um próximo livro da IVP - O Bispo Acidental, a ser lançado no final de 2010. O título dá-lhe uma grande dica, mas o conto é este: foi completamente inesperado. Eu não era um Webber Robert-ite ou no trilho de Cantuária. Eu não era um carismático ou evangélico secretamente procurando ser mais litúrgico ... ou nada parecido. Depois de três décadas intensas no ministério, eu estava realmente tentando semi-aposentar. Deixei a presidência da Alpha E.U.A., eu tinha recusado outras posições de alto nível, e estava a abrandar, escrever, falar, ensinar como um adjunto e desejava estar mais em casa. Mas havia mais uma coisa, e isso é o que disparou o meu plano para semi-aposentar.

Tanto quanto eu queria sentar no meu escritório em casa em Eagle, Idaho, olhar pela janela para as montanhas e ter pensamentos inteligentes e anotá-las ou ensiná-los, eu não fiz aquilo para me tornar um solitário. Eu queria fazer tudo o que isso a partir do contexto de uma igreja local. Assim eu pensei: talvez eu poderia ser um pastor de ensino em algum lugar? Isso levou serendipitously para conversas com amigos ligados à Missão Anglicana. Resisti no início, mas teve um dramático encontro com Deus que me chamou a plantar, Deus me ajudando, 200 novas igrejas na costa oeste da América. Os leitores podem conferir www.c4so.org para saber mais sobre a nossa visão, valores, etc.

Uma vez eu recebi essa visão, ficou claro para os meus parceiros de conversação na missão anglicana que eu precisaria da autoridade eclesiástica para realizar tal visão. Assim, o Bispo acidental ...

Junto com um par de católicos (Teresa e Dorothy Day), olhando para trás vejo muita influencia Anglicana na minha vida: John Stott, J.I. Packer, Michael Green, David Watson, Lesslie Newbigin, Roland Allen e Tom Wright, só para citar um pouco. Mas ainda assim, eu nunca teria ligado os pontos para pensar que um dia seria um Anglicano, o que foi uma grande surpresa.

Qual é a sua resposta para aqueles que perguntam: "Quando você olha para trás no início da Vineyard, onde o milagre era proeminente, as reuniões eram informais e muitos participavam dos encontros, qual sua visão disso à luz de onde você está agora na vida? 

"Uma resposta vigorosa é: a espontaneidade está cotada! Basta olhar para American Idol versos Michael Bublé. Sério, eu adorava esses momentos. Eu não sou crítico da Vineyard da época. Eu ainda emprego práticas básicas de ouvir de Deus e buscar o seu poder e dons para ministrar sua graça e cura para os outros. Eu tenho um capítulo no Christianity Beyond Belief sobre isso. Mas cada modelo de ministério que eu já vi tem seus pontos fortes e fracos. Eu poderia facilmente ser um Pastor Vineyard hoje. Isso só não deu certo quando cheguei a eles em 2008 e acabei ouvindo este apelo incomum para plantar Igrejas Anglicanas. Mas isso não é um comentário, ou rejeição da Vineyard . Eu não "aderi" à Igreja Anglicana como uma decisão do consumidor. Eu não peguei um menu de opções eclesiásticas e pensei: "Eu acho que vou escolher anglicanismo". Eu fui chamado para lá, e eu o aceito pelo que são com seus pontos fortes e fracos. Meu próximo livro da IVP-Giving Church Another Chance - enuncia como eu prevejo usar os vários elementos da liturgia como ferramentas para o evangelismo e discipulado.

Conte-nos sobre o seu livro, o cristianismo Beyond Belief. Qual é o ponto principal do livro, e que resposta os leitores têm dado?

É o tipo de despejo do cérebro, como espécie de "aqui é o que venho pensando nos últimos dez anos". Eu tinha sido convidado a escrever por muitos anos, mas eu não achava que tivesse nada de original a dizer. Finalmente uma dupla de mentores convenceu-me a escrever. Com a ajuda de um agente bom e grande editor de IVP, formamos um livro que basicamente dá meu giro sobre Wright, Willard, Peterson, Foster, Wimber, etc, tudo na forma que diz: o Cristianismo é mais do que apenas o que se acredita. Alguém poderia pensar que isto não precisa ser dito, mas evidentemente que não precisa dizer. No livro eu tento colocar "crenças" em sua história e contexto mais amplos. Eu saio dizendo que ser cristão significa ter e viver, através de Cristo, um certo tipo de vida. O Novo Testamento chama "vida eterna" esta vida. Assim eu saio dizendo que ser cristão significa ser um amigo cooperativo de Jesus, que vive uma vida constante de bondade criativa, através do poder do Espírito Santo, e para o bem dos outros. Sugiro, então, uma maneira de fazê-lo dentro do ritmos e routinas de uma vida de verdade. É chamado Three Is Enough Groups (Grupos Três é Suficiente) . Veja www.3isenough.org . A resposta do leitor tem sido grande. Eu recebo um monte de comentários sobre colocar em palavras o que outros têm estado a pensar. Ou recebo sugestões para escrever um Willard Wright para dummies. As pessoas me pedem para que eu faça seu trabalho mais acessível. Estou feliz por ser seu escriba e megafone. Eu duvido muito que eu já tive um pensamento original.

Em você está mais apaixonado - o que impulsiona você?

 Evangelismo e formação espiritual, a aprendizagem da forma cada vez melhor de compreender a Bíblia e se comunicar com outros na causa do evangelismo e discipulado. Eu teria sido um pouco Billy Graham ou mesmo Greg Laurie, mas nunca funcionou para mim. Assim tenho tomado meus amores gêmeos  do evangelização e formação espiritual, misturados com os meus dons e temperamento, e resultou em "plantação de igrejas" por três décadas agora.

O que mais o confunde acerca da fé cristã? 
Por que ela não parece "funcionar" melhor. Essa é a pergunta que exploro em Giving Church Another Chance. Por que as pessoas como Barna, Kinnaman, Pew, Gallop, etc, mede tais baixos níveis de discipulado? Nós temos uma mensagem deficiente? Modelo? Práticas? Ou o quê? Acho que é por isso que Foster, Peterson, Willard e Wright significam muito para mim nos últimos 19 anos.

Quem são as 5 pessoas que mais influenciaram sua vida e ministério , e como eles influenciaram?

Chuck Smith /Greg Laurie: Deram-me um amor e confiança na Bíblia. Eles me ensinaram a ensiná-lo de maneira relevante. Eles também modelaram para mim que evangelismo pacífico, cheio de alegria pode ser feito de forma eficaz através de igrejas locais.

John Wimber: Liderança; que a liderança significa risco, isso significa encontrar e seguir a Deus. John ensinou-nos a confiar na pessoa e obra do Espírito Santo e ao valor do Reino de Deus como uma realidade presente, mas não consumada.

N.T. (Tom) Wright: Tom é o teólogo mais influente na minha vida nos últimos 10 - 15 anos. Ele me deu a Bíblia como uma história de Adão e Eva até o cosmos renovado. Ele mostra como os cristãos encarnam essa história.

Peterson / Foster / Willard: Em 1991 eu estava em um lugar muito baixo. Foster, Peterson e Willard, através de seus escritos me deram uma nova vida. Tornamo-nos amigos desde então. Eles são tesouros ENORMES em minha vida.

Max DePree: Max é o autor mais influente para mim sobre liderança. Seus Leadership is an Art e Leading Without Power  devem ser lidos. Ele nos dão uma imaginação de uma liderança que é simultaneamente eficaz e ética, orientada para os resultados e construção da comunidade. Ele encoraja, suas idéias e seus livros são belos.

O que você espera realizar nesta terra? 
Quais são suas metas de ministério? Seja específico quanto possível. Muitos anos atrás eu peguei uma prática do meu velho amigo Steve Sjogren do "Servant Evangelism". Toda vez que vejo um centavo no chão eu o pego e faço uma oração: "Senhor, ajuda-me levar mais uma pessoa à fé em e ser seguidora de Jesus". É isso aí, tudo flui com isso. Não importa qual o papel que eu tive ao longo dos anos, tentei aproveitá-lo para esse fim.
Atualmente, isso se traduz em ser o melhor pastor que eu puder na Igreja da Santíssima Trindade em Costa Mesa, Califórnia, o melhor bispo que eu puder de C4SO para treinar e liberar de novos líderes, escrever livros que guiam as pessoas para Jesus e, como professor adjunto, ensinar os alunos em seminários para fazer o mesmo.

Você está trabalhando em algum livro futuro? Se assim for, conte-nos sobre isso.
Obrigado por me deixar atirar meus livros Frank! Christianity Beyond Belief foi lançado há quase um ano. IVP está lançando uma versão de bolso dele neste verão. Giving Church Another Chance será lançado no próximo mês (fevereiro 2010) pela IVP. The Outsiders Interviews será lançado pela Baker nesta Primavera. Usando a pesquisa inovadora de David Kinnaman em Un-Christian, dois amigos (Jim Craig Henderson e Craig Spinks) e eu fomos em todo o país entrevistando jovens forasteiros e filmamos e escrevemos os resultados. É um "DVB", um DVD e livro em conjunto. Eu estou realmente animado sobre ele. Eu poderia ajudar milhares de pais, avós, líderes juvenis e outros a entender os pontos de vista de jovens de 16-29 anos de idade sobre Jesus e cristianismo.

Reflexões de Frank Viola:

Obrigado por esta entrevista, Todd. Eu aprecio tanto sua humildade. E gostaria de salientar que você e eu compartilhamos de muito terreno comum.
Por exemplo, eu amei o que você disse sobre "a vida eterna." A maneira que eu a tenho colocado por muitos anos é que a vida eterna não é apenas uma descrição da longevidade, é mais como uma descrição de um determinado tipo de forma de vida. De acordo com 1 João 5, a vida eterna é uma Pessoa. É Jesus Cristo. Ele é a vida eterna. "Eu sou a Vida".

Para mim, o ingrediente que falta na igreja de hoje é entender que a vida cristã é viver por um senhor residente. Essa é minha definição de "igreja", a propósito, também - um grupo de pessoas que estão aprendendo a viver a vida de Deus em conjunto e mostrar tal vida visivelmente.

Curiosamente, a teologia anglicana é muito mais perto do meu ponto de vista sobre Deus, a comunidade e a formação espiritual do que é encontrado na maioria do evangelicalismo. . . que inclui o cristianismo carismático e os seus rebentos

Acho que é por isso que From Eternity to Here e mesmo Reimaginando a Igreja são favoritos entre muitos crentes Anglicanos. A diferença no último livro é que eu, pessoalmente, acredito que, se nos aproximarmos da teologia do mistério da Trindade e da comunidade para as suas conclusões lógicas e práticas, acabamos com algo mais orgânico e não sistemático e hierárquica. Orgânico não significa que não contém qualquer expressão ou organização específica, mas simplesmente significa que a fonte é proveniente do DNA de uma forma de vida melhor que as tradições de um sistema. E assim, no final, isso parece muito diferente.

O Bispo acidental parece uma ótima leitura. Eu o acrescentaria que à minha lista. :-)

Uma coisa que me preocupa profundamente é a enorme confusão sobre a palavra "igreja". Por exemplo, o título "Giving Church Another Chance" vai significar coisas diferentes para pessoas diferentes. Isto pode soar estranho, mas que o título poderia ter funcionado muito bem para o meu volume Reimaginando a Igreja, porque eu estou falando de uma experiência de vida da igreja que é muito diferente da norma, mas muito mais próximo do que eu acredito que Jesus e os apóstolos vislumbraram que a igreja fosse. Reimagining também é escrito para defensores do pós-igreja que desistiram de qualquer forma de comunhão com o Corpo de Cristo e que chama chats Facebook de "igreja". Talvez eles seja parte de seu público também.

Aqueles que estão fora da forma institucional da igreja e que estão reunidos em comunidade cristã a Jesus Cristo como chefe provavelmente querem mude o título do seu livro para  "Dando à forma institucional da Igreja Outra Chance", pois seria mais claro para eles.

Eu escrevi uma peça que tenta dissipar o nevoeiro em torno da palavra "igreja" e como ela está sendo usado hoje por aqueles de dentro da igreja institucional, bem como aqueles que estão fora dela. Na minha opinião, é um dos artigos mais importantes que já escrevi. É chamado Porque eu amo o IGREJA: Em louvor do Propósito Eterno de Deus.

Finalmente, eu faço eco à sua observação sobre a fé cristã na sua forma atual não fazer discípulos. Eu tenho minhas próprias opiniões sobre isso, ou seja, que nós removemos o discipulado de seu ambiente nativo ou natural.

Bem, essas são as minhas reflexões iniciais. Eu apreciei realmente o que você tinha a dizer, e curiosamente, algumas das mesmas pessoas que têm influenciado você também me influenciaram. John Stott, em minha opinião, é um dos melhores exegetas bíblicos vivos hoje. Wright tem feito um trabalho maravilhoso. E eu sempre tive um grande amor e apreço por John Wimber.

2 de janeiro de 2010

Paul Washer responde

Os vídeos a seguir são de uma entrevista com Paul Washer, um servo de Cristo cujo trabalho, por várias razões, tenho apreciado nos últimos tempos.


Aqui, Washer conta sua conversão, fala do início de seu ministério, discorre sobre o estado da igreja atual e a necessidade de reforma.


Juntamente com Frank Viola, Dallas Willard, Eugene Peterson, John Piper e N. T. Wright, tenho investido algum tempo com o seu material. Cada um desses citados tem sua particularidades e diferem muito entre si. Para mim, suas perspectivas têm sido complementares. 





Convido-o a deixar seu comentário. 

13 de outubro de 2009

Pornografia e o leve desvio de Ted Bundy [ENTREVISTA CHOCANTE]

Se você é uma pessoa que neste ponto de alguma forma considera você mesmo uma exceção para cada regra, alguém que é capaz de dominar seu pecado sexual, essa próxima sessão deve atrair sua atenção. Criado em Seattle e formado na Universidade de Washington, Ted Bundy se tornou um dos mais notórios e medonhos seriais-killers da nação (EUA), por espancar, estuprar, e depois matar pelo menos 30 meninas e mulheres entre a idade de 12 e 26 anos. Pouco tempo antes de ele ser executado, Bundy foi entrevistado pelo líder cristão James Dobson. Chocantemente, Bundy admitiu que ele não possuía nenhum dos antecedentes normais para tal comportamento pecaminoso, como ele foi criado em um lar Cristão amoroso com 5 irmãos e não experimentou nenhum abuso sexual enquanto crescia. Antes, ele confessou com detalhes claros como sendo um garoto jovem, como a maioria dos garotos fazem, via pornografia comum, o que cresceu e se tornou cada vez mais pesado em formas desviantes de pornografia que acabou levando ele a atuar para fora as suas maldosas fantasias. A citação abaixo é uma edição da conversa que aconteceu apenas dezessete horas antes de Ted ser levado à cadeira elétrica. Acredito que será um lembrete soberano aos meus irmãos cristãos que o pecado da luxúria é uma parasita insaciável que não deve ser alimentada, sob pena de ela crescer e levar à morte.

James C. Dobson: São por volta de 2:30 da tarde. Está programado para que você seja executado amanhã cedo às 7:00, se você não receber outra sentença. O que está passando pela sua cabeça? Quais pensamentos você tem tido nesses últimos dias?
Ted: Eu não vou enganar você dizendo que é algo que eu sinto estar no controle ou com que eu possa ter chegado a um acordo. É uma coisa de momento pra momento. Às vezes me sinto muito tranqüilo e outras vezes já não me sinto totalmente tranqüilo. O que está acontecendo na minha cabeça agora é usar os minutos e horas que me restam o quanto proveitoso for possível. Isso ajuda a viver no momento, na essência do que a gente usar como proveitoso. Exatamente agora, eu estou me sentindo calmo, em grande parte, porque estou aqui com você.
JCD: Para registro, você é culpado de matar muitas mulheres e meninas.
Ted: Sim, isso é verdade.
JCD: Como isso aconteceu? Leve-me de volta. Quais são os antecedentes do comportamento que nós vimos? Você foi criado em no que a gente considera um lar saudável. Você não foi abusado fisicamente, sexualmente ou emocionalmente.
Ted: Não. E essa é a parte da tragédia na situação toda. Eu cresci em uma casa maravilhosa com dois pais dedicados e amorosos, como um de 5 irmãos e irmãs. Nós, como crianças, éramos o foco da vida de nossos pais. Nós regularmente íamos à igreja. Meus pais não bebiam ou fumavam ou jogavam com aposta. Não havia abuso físico ou brigas (lutas) dentro de casa. Não estou dizendo isso para “dar uma de coitadinho”¹, mas era uma casa cristã excelente e sólida. Espero que ninguém vá tentar tomar o caminho fácil sobre isso e acusar minha família de contribuir com isso. Eu sei, e estou tentando te contar da forma mais honesta que eu saiba, o que realmente aconteceu. Quando era um garoto de 12 ou 13 anos, eu encontrei, fora de casa, no armazém local e nas farmácias, o softporn (pornografia leve). Garotos pequenos exploravam corredores laterais e ruas vazias dos seus bairros, e no nosso bairro, as pessoas iam despejar o lixo. De vez em quando, nós deparávamos com livros de uma natureza mais pesada – mais gráfica. Isto também incluía revista policiais etc. E eu quero enfatizar isso: o tipo mais nocivo de pornografia – e estou falando com dificuldade real, da experiência pessoal – é aquela que envolve violência e violência sexual. O casamento destas duas forças – eu sei muito bem – gera o comportamento que é terrível demais para descrever.
JCD: Me leve até aquilo. O que estava acontecendo na sua mente naquele momento?
Ted: Antes de irmos adiante o mínimo que seja, é importante para mim que as pessoas acreditem no que estou falando. Não estou culpando a pornografia. Não estou dizendo que ela me levou a sair por aí e fazer certas coisas. Assumo total responsabilidade por todas as coisas que eu fiz. Essa não é a questão aqui. A questão é como estes tipos de literatura contribuíram e ajudaram moldando e modelando os tipos de comportamento violentos.
JCD: Isso alimentou suas fantasias?
Ted: No início, isso alimentou esse tipo de processo mental. Depois, em um determinando momento, vira um instrumento de cristalização, fazendo com que aquilo se tornasse quase que uma entidade separada dentro de mim.
JCD: Você chegou tão longe quanto você poderia ter chegado em sua própria vida de fantasia, com material imprenso, fotos, vídeos, etc, e em seguida, houve a urgência de ter que dar aquele passo para um evento físico.
Ted: Uma vez que você se tornou viciado nisso, e eu olhei para isto com uma espécie de vício, você busca o mais potente, mais explícito, mais tipos de materiais gráficos. Como um vício, você anseia por algo que é mais pesado e lhe dá uma maior sensação de excitação, até que você chega ao ponto aonde a pornografia já foi tão longe – até aquele ponto em que você acha que fazendo vai te proporcionar algo maior do que só lendo ou olhando.
JCD: Quanto tempo você ficou nesse ponto antes de você realmente ter agredido alguém?
Ted: Um par de anos. Eu estava lidando com inibições muito fortes contra o comportamento criminoso e violento. Que tinha sido condicionado e criado dentro de mim do meu bairro, o ambiente, igreja e escolas. Eu sabia que era errado o pensar sobre aquilo, e certamente, o fazer aquilo era errado. Eu estava no limite, e os últimos vestígios de contenção estavam sendo testados constantemente, e atacou através do tipo de vida de fantasia que foi alimentado, fortemente, pela pornografia.
JCD: Você se lembra o que te levou até o limite? Você se lembra da decisão de “ir nessa”? Você lembra quando você decidiu jogar a cautela pro ar?
Ted: É uma coisa muito difícil de descrever – a sensação de chegar naquele ponto aonde que eu sabia que eu não poderia controlar mais. As barreiras que eu tinha aprendido quando criança não eram mais suficientes para me segurarem de procurar alguém e machucar.
JCD: Seria correto chamar isto de um frenesi sexual?
Ted: Esta é uma maneira de descrevê-lo – uma compulsão, um desenvolvimento dessa energia destrutiva. Outro fato que não havia mencionado é o uso do álcool. Em conjunto com minha exposição à pornografia, o álcool reduziu minhas inibições e a pornografia corroeu ainda mais.
JCD: Depois que você cometeu seu primeiro assassinato, qual foi o efeito emocional? O que aconteceu no dia depois disso?
Ted: Mesmo todo estes dias depois é difícil falar sobre isso. Revive-lo falando sobre isso é difícil dizer o mínimo, mas eu quero que você entenda o que aconteceu. Foi como sair de um transe horrível ou algum sonho. Eu só posso compará-lo (e não quero dramatizar demais) com ficar possuído por alguma coisa tão horrível e estranha, e na manhã seguinte acordar e lembrar o que aconteceu e perceber que, aos olhos da lei, e certamente aos olhos de Deus, você é responsável. Para acordar de manhã e perceber que eu tinha feito com minha mente clara, com todas as informações morais e éticas necessárias intactas, absolutamente me horroriza.
JCD: Você não sabia que era capaz disso antes?
Ted: Não existe forma de descrever a vontade brutal de fazer aquilo e uma vez que tenha sido satisfeita, ou gasta, e aquele nível de energia se retraiam, eu voltava a ser eu mesmo. Basicamente, eu era uma pessoa normal. Eu não era um cara de sair em bares, ou um vagabundo. Eu não era um pervertido no sentido que as pessoas olhassem entre si e dissessem: “Eu sei que tem alguma coisa errada com ele”. Eu era uma pessoa normal. Eu tinha bons amigos. Eu levava uma vida normal, exceto por este pequeno, mas muito potente e destrutivo segmento da minha vida que eu guardava em bastante segredo e bem perto de mim. Aqueles de nós que tem sido tão influenciados por violência na mídia, particularmente a violência pornográfica, não são uma espécie de monstros inerentes. Nós somos seus filhos e maridos. Nós crescemos em famílias regulares. A pornografia pode alcançar e agarrar qualquer criança de hoje. Ela agarrou-me para fora da minha casa 20 ou 30 anos atrás. Quão diligentes quanto foram meus pais, e eles foram diligentes em proteger os seus filhos, e com um bom lar cristão como nós tivemos, não existe qualquer proteção contra os tipos de influências que estão soltos em uma sociedade que os tolera...
JCD: Fora destas paredes, há várias centenas de jornalistas que queriam falar com você, e você pediu para que eu viesse, porque você tinha alguma coisa para dizer. Você sente que a pornografia hardcore, e a porta para ela, o softporn, está causando danos incalculáveis para as outras pessoas e fazendo com que outras mulheres sejam abusadas e mortas da forma que você fez.
Ted: Eu não sou um cientista social, e não pretendo acreditar que “um cidadão qualquer”² pensa sobre isto, mas eu vivi na prisão já faz um longo tempo até agora e conheci muitos homens que foram motivados a cometer violência. Sem exceção, cada um deles estavam profundamente consumidos pelo vício. O próprio FBI tem um estudo sobre homicídios em série do qual mostra que o interesse mais comum entre os seriais-killers é a pornografia. É verdade.
JCD: Como teria sido sua vida sem essa influência?
Ted: Eu sei que teria sido de longe melhor, não só para mim, mas para um monte de outras pessoas – vítimas e famílias. Não há dúvida de que ela teria sido uma vida melhor. Estou absolutamente certo de que não teria envolvido esse tipo de violência.
JCD: Se eu fosse capaz de perguntar o tipo de perguntas que são colocadas, uma seria, “Você está pensando sobre todas as vítimas e suas famílias, que estão tão feridas? Anos já passaram, suas vidas não são normais. Elas nunca serão normais. Você tem remorso?”
Ted: Eu sei que as pessoas vão me acusar de estar mentindo pra me defender (sendo egoísta), mas com a ajuda de Deus, eu tenho sido capaz de chegar ao ponto, depois de muito tempo, aonde eu posso sentir a mágoa e a dor pela qual fui responsável. Sim. Absolutamente! Durante estes últimos dias, eu e um número de investigadores temos falado sobre casos não resolvidos – assassinatos dos quais eu estava envolvido. É difícil falar sobre, todos esses anos depois, porque isto reaviva todos os sentimentos terríveis e pensamentos com os quais eu com firmeza e diligencia tenho lidado – acho que com sucesso. Então foi reaberto e eu senti a dor e o horror daquilo. Eu espero que aqueles que eu causei tanto luto, mesmo se eles não acreditarem na minha expressão de angústia, eles vão acreditar no que vou dizer agora: Existem aqueles soltos nas suas cidades e comunidades, como eu, cujos impulsos perigosos estão sendo alimentados, dia sim, dia não, pela violência nos meios de comunicação de formas variadas – particularmente a violência sexual. O que me assusta é quando vejo o que passa na TV a cabo. Parte da violência nos filmes que entram em casa hoje é coisa que não iriam mostrar em “cinemas só para maiores” há 30 anos atrás.
JCD: Você quer dizer os filmes de terror?
Ted: Essa é a forma, mas gráfica de violência na tela, especialmente quando as crianças estão desavisadas ou inconscientes que elas poderiam ser um Ted Bundy, que elas poderiam ter uma predisposição a esse tipo de comportamento.
JCD: Um dos últimos assassinatos que você cometeu foi da menina de 12 anos Kimberly Leach. Acho que o clamor do público é maior porque uma criança inocente foi tirada do parquinho infantil (playground). O que você sentiu depois disso? Eram normais as emoções depois disso?
Ted: Exatamente agora eu realmente não consigo falar sobre isso. É muito doloroso. Eu gostaria de ser capaz de transmitir a você como é essa experiência, mas não seria capaz de falar sobre isso. Eu mal consigo começar a compreender a dor que os pais dessas crianças e jovens mulheres que eu já me sinto detestável. E eu não posso restaurar muito a eles, se alguma coisa. Também não vou fingir, e eu nem mesmo espero que eles me perdoem. Eu não estou pedindo por isto. Este tipo de perdão é de Deus, se eles possuem, eles possuem, e se não, talvez vão encontrá-lo algum dia.
JCD: Você merece a punição que o Estado impôs sobre você?
Ted: Essa é uma pergunta muito boa. Eu não quero morrer, não vou mentir pra você. Eu mereço, certamente, a punição mais extrema que a sociedade tiver. E eu penso que a sociedade merecer ser protegida de mim e de outros como eu. Sem sombra de dúvidas. O que espero vir da nossa discussão é que eu acho que a sociedade merece ser protegida de si mesma. Como conversamos, há forças soltas neste país, especialmente este tipo de pornografia violenta, onde, por um lado, pessoas bem-intencionadas que condenam o comportamento de um Ted Bundy, enquanto eles estão caminhado passam por uma revista aterradora cheia das coisas que enviam crianças jovens no caminho para serem Ted Bundys. Essa é a ironia. Estou falando de ir além da retribuição que as pessoas querem de mim. Não há nenhuma maneira no mundo que me matando vai restaurar essas crianças lindas aos seus pais e corrigir e aliviar a dor. Mas existem muitas outras crianças brincando em ruas ao redor do país hoje que estarão mortas no dia seguinte, e no outro dia, porque outras pessoas jovens estão lendo e vendo os tipos de coisas que estão disponíveis nos meios de comunicação hoje.
JCD: Há um cinismo tremendo sobre você do lado de fora, eu suponho, que por uma boa razão. Eu não tenho certeza se há alguma coisa que você poderia dizer que as pessoas iriam acreditar, ainda que você me tenha dito (e eu já ouvi isso através de nosso amigo em comum, John Tanner) que você aceitou o perdão de Jesus Cristo e é um discípulo, que crê n’Ele. Você tira forças disso enquanto as horas finais se aproximam?
Ted: Eu faço. Eu não posso dizer que estar no Vale da Sombra da Morte é algo com que eu tenha me acostumado, e que sou forte e nada me incomoda. Não tem graça. Gera uma espécie de solidão, ainda tenho que me lembrar que cada um de nós vai passar por isso algum dia, de uma forma ou de outra.
JCD: Está ordenado para o homem (possivelmente citando Hb 9.27).
Ted: Incontáveis milhões que já caminharam sobre a Terra antes de nós passaram por isso, assim que esta é apenas uma experiência que todos nós compartilhamos.

----Ted Bundy foi executado às 7:15AM um dia depois dessa entrevista ter sido gravada.----

No final, o pecado leva à morte. Jesus morreu pelos seus pecados. Você está numa guerra. Seja um homem. Mate seus pecados.


Notas de Tradução:
¹ Expressão Leave it to Beaver, lit.: ‘Deixe isso para o Castor’, muito traduzida como ‘Foi sem querer’, “Beaver” também pode significar “Trapalhão”, primeiramente traduzi como “levar toda a culpa”, mas acho que “dar uma de coitadinho” ficou mais adequada com o contexto.
² John Q.Public é um nome genérico nos Estados Unidos para designar um membro hipotético da sociedade considerado um “homem comum”, no presente texto foi usado o termo John Q. Citizen que se aplica igualmente a uma pessoa pública, especificando este “homem comum” como um cidadão.

Tradução livre do e-book (e livreto) gratuito “Porn-again Christian – a frank discussion on pornography & masturbation” de Mark Driscoll.
Tradução: Vítor Ferolla
Revisão da tradução: Ada Paiva