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28 de janeiro de 2014

A Disciplina da Castidade - Dallas Willard

Ao listar uma disciplina que lida especificamente com o impulso sexu­al, sentimos falta de uma terminologia apropriada. Usarei o termo "castidade", embora ele, como a "simplicidade", se refira ao resultado de uma disciplina sob a graça, e não às atividades disciplinares em si. Ao exercer a disciplina espiritual da castidade, nós nos afastamos deliberadamente do engajamento na dimensão sexual do relacionamento com outros – até mesmo nosso cônjuge.

A sexualidade é uma das forças mais poderosas e mais sutis da nature­za humana, e o sofrimento ligado diretamente a ela é muito alto. Os abu­sos do sexo, fora e dentro do casamento, tornam imperativo aprender "como possuir nosso vaso em santificação e honra" (I Ts 4.4).

Uma parte fundamental desse aprendizado consiste de abstenção de práticas sexuais e de não-rendição a sentimentos e pensamentos sexuais, aprendendo assim a não ser governado por eles.

A abstenção temporária dentro do casamento, mediante consentimen­to mútuo, também foi aconselhada por Paulo como um auxílio ao jejum e à oração (I Co 7.5). Em desacordo com o pensamento predominante no mundo atual, é absolutamente vital para a saúde de qualquer casamento que a gratificação sexual não seja colocada como centro. A abstenção vo­luntária nos ajuda a apreciar e amar nossos parceiros como pessoas com­pletas, nas quais a sexualidade é apenas um aspecto. Isso reforça em nós a prática de estar bem próximo das pessoas, sem embaraços sexuais.

A castidade tem uma parte importante a desempenhar dentro do casa­mento, mas o principal efeito que buscamos por meio dela é a postura apropriada em face dos atos, sentimentos, pensamentos e das atitudes se­xuais na nossa vida como um todo, dentro e fora do casamento. A sexua­lidade não terá permissão de dominar nossa vida, se vivermos como filhos e filhas de Deus, como irmãos e irmãs em Jesus Cristo.

Isso não significa que a nossa sexualidade é algo de que devemos nos afastar. Isso seria impossível. Somos seres sexuais: "Homem e mulher os criou" (Gn 1.27). Esta passagem crucial vincula a sexualidade ao fato de termos sido criados à imagem de Deus. Ela é parte do poder com o qual servimos ao Senhor. Na sexualidade, o envolvimento pessoal, o conhecer e ser conhecido, característica da natureza básica de Deus, é providenciado de forma especial para o ser humano integral. Na união sexual plena, a pessoa é conhecida em seu corpo todo e conhece a outra pessoa por meio de todo o seu corpo. A profundidade do envolvimento é tão grande que não pode haver "sexo casual". Isso é uma contradição muito bem compre­endida pelo apóstolo Paulo, que, por isso, ensinou que a fornicação é um pecado contra o próprio corpo (I Co 6.18).

A sexualidade está na essência do nosso ser. Portanto, castidade não significa não-sexualidade, e qualquer afirmação desse jaez certamente causa­rá grande malefício. Este é um ponto muito importante. O sofrimento, em grande parte, que procede da sexualidade, não vem pela indulgência de pensamentos impróprios, sentimentos, atitudes e práticas sexuais. Grande parte procede da abstenção inadequada.

Em nenhum outro aspecto da vida humana, é mais verdadeiro o pro­vérbio "A esperança que se retarda deixa o coração doente" (Pv 13.12), e a mente também. Jesus viu claramente que a abstenção de relações sexuais ainda deixa brecha para grosseiras impropriedades e distúrbios sexuais ­alguns dos quais Ele chamou de "adultério no coração" (Mt 5.28). Jesus sabia que a abstenção correta era algo que exigia qualificações especiais (Mt 19.11:12). Paulo seguiu seu Mestre. Ele tinha o mesmo realismo quan­to ao sexo. Por isso ensinou sobre um tipo errado de abstenção quando escreveu que "é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo" (I Co 7.9).

Temos de entender que o "arder de desejo" não é uma questão "inte­rior" trivial, mas algo muito sério em suas implicações. Ele pode aflorar na vida humana de muitas formas: distorção severa no pensamento e nas emoções, incapacidade de engajamento em relações sexuais normais e apro­priadas, desgosto e ódio entre mulheres e homens frustrados, abuso infan­til, perversão sexual e crimes sexuais. A castidade corretamente praticada como parte de um rico caminhar com Deus pode prevenir enfermidades do coração e da mente envenenada na vida sexual, na sociedade moderna.

Dietrich Bonhoeffer faz a seguinte observação: "A essência da castida­de não é a supressão do desejo, mas a total orientação da vida do indivíduo em direção a um objetivo."

A abstenção saudável na castidade só pode ser suportada pelo envol­vimento amoroso e positivo com membros do sexo oposto. A alienação abre espaço para a concupiscência nociva. Esta disciplina deve ser funda­mentada na compaixão, em associação e na disposição de ajudar. Se ­situação familiar fosse como deveria ser, um relacionamento íntimo e com­passivo entre os sexos seria o caminho natural de relacionamentos entre mãe e filho, pai e filha, irmão e irmã. Um estudo recente indica que pais que cuidam dos filhos, dando banho, alimentando e segurando-os no colo desde os primeiros dias de vida raramente cometem abuso sexual com eles. Eles desenvolvem um amor verdadeiro pelos filhos, e o amor efetiva­mente evita que causemos mal uns aos outros. Para praticar a castidade então, devemos, primeiro, praticar o amor na busca do bem das pessoas do sexo oposto, com as quais mantemos contato em casa, no trabalho, na escola, na igreja e na vizinhança. Então seremos livres para praticar a disci­plina da castidade e extrair apenas resultados positivos dela.


Dallas Willard, O Espírito das Disciplinas, Editorial Habacuc, 2003, pp. 193-196

18 de março de 2013

A Virtude da Castidade

N. T. Wright

Além dessas [virtudes da humildade e da paciência] há a castidade. Muitos se surpreendem ao descobrir que os cristãos antigos (assim como os judeus) eram considerados ultrapassados com relação à cultura nessa área. Praticamente todo mundo na antiguidade assumia que as pessoas, para dizer de forma direta, deveriam ter o máximo de sexo possível. Casamento (entre um homem e uma mulher) era uma coisa, e muitos nem sequer queriam ser fiéis ou, por algum motivo, temiam a traição. O principal problema com o adultério, contudo, não era moral: era o cônjuge enciumado. Ligações sexuais fora do casamento eram comuns e aceitas. Os abortos eram procurados com frequência e os filhos indesejados eram abandonados para os animais selvagens comerem. Os problemas que restavam eram resolvidos com facilidade, sendo que a principal dificuldade era a da família tentando encontrar um marido para uma filha com um “passado”. Houve tabus diversos, em vários tempos e lugares. Em Atenas, por exemplo, havia uma escalada detalhada do que era aceitável quando um homem tinha relacionamento homossexual com outro mais jovem. Todavia ninguém considerava o homossexualismo, inclusive parcerias matrimoniais por toda a vida, como estranho, nem repreensível. Platão chegou a celebrar essas parcerias como a forma mais elevada de amor (em Simpósio). Ninguém se preocupava com outras práticas sexuais bem diferentes, como a relação com animais. Muitas dessas coisas aconteciam nos templos pagãos e em volta deles, mas não eram limitadas a eles.



Os primeiros cristãos compartilhavam a visão dos judeus, da antiguidade e atuais, de que esse comportamento era tenebroso, desumanizador e distorcia a essência do significado da vida humana. Acreditavam que o sexo foi concedido para prazer mútuo, entre marido e esposa, voltado para o exterior (para o exterior porque, como o amor de Deus, gera nova criação, tanto em filhos quanto na criação de um lar caloroso, seguro e hospitaleiro). Esse, e não um preconceito arbitrário ou uma repressão pelo medo, foi o motivo de rejeitarem o costume generalizado em seu mundo. Eles acreditavam terem sido chamados para lançar nessas trevas a luz de uma forma diferente de viver.



O contraste marcante entre a crença e o comportamento deles e o ambiente que os cercava nos leva de volta a Jesus, que alertou, em passagem que já vimos, contra o comportamento impuro que emerge de forma espontânea do fundo da personalidade humana. Os termos com que ele se expressa, fazendo eco e endossando proibições importantes do Antigo Testamento, deixando claro que, a despeito de impressões contrárias no meio do povo, ele endossava com firmeza a proibição judaica ancestral quanto a relacionamento sexual de qualquer tipo fora do casamento por toda a vida entre um homem e uma mulher. Todo o Novo Testamento mostra que o motivo da vida cristã é refazer os seres humanos à imagem de Deus; quando seguimos a ideia até sua raiz, fica claro que o par que carregava a imagem era macho e fêmea, chamados para deixar os outros e se apegarem um ao outro. Não é à toa que teólogos de todos os tempos veem essa união humana como sinal do compromisso inabalável do Deus criador com sua criação. Não é surpresa que quando céu e terra finalmente se unem, no fim do livro de Apocalipse, a imagem usada é a do casamento. Esse é o telos, o alvo de toda a nossa existência. A virtude agarra o alvo pela fé e apreende as lições para viver no presente antecipando genuinamente o futuro, com fidelidade no casamento e abstinência fora dele.



A cultura ocidental, composta em grande parte por nações pelo menos nominalmente cristãs, foi em parte colonizada com a visão cristã sobre casamento e sexualidade -- mas a maioria, não. Tentativas de forçar a abstinência vêm e vão, sendo substituídas, também de forma intermitente, por indulgência quase que forçada (pense no século 17, com a restauração que sucedeu os puritanos; ou a rebeldia contra os padrões considerados “vitorianos” após a Primeira Guerra Mundial, embora a história mostre que durante grande parte do século 19 a vida sexual na Europa era tão sem restrições quanto em qualquer outra época). Os que tomam os ensinos de Freud de forma superficial entendem que o sexo está por trás de tudo e, assim, somos incapazes de resistir. Nem devemos tentar. O Darwinismo popular insiste que o que importa é a força vital que nos induz a propagar nossa espécie, então é melhor aceitar. As duas correntes criaram a atmosfera em que, na mente popular, qualquer convite sério a se restringir a forma ou as circunstência da expressão sexual encontra não discussão séria, mas apenas desprezo. Um correspondente de um jornal popular outro dia exclamou: “Ah! Toda essa conversa sobre abstinência vem de uns lunáticos de direita, mal orientados. Logo a biologia vai se manifestar e eles vão agir como todo mundo”. Em outras palavras: a biologia reina, temos impulsos que somos incapazes de controlar, e resistir vai contra a saúde e a natureza. Múltiplas parcerias sexuais -- e, agora, até vários relacionamentos quase contratuais (poliamor, com três ou mais pessoas em um acordo de relacionamento multidirecional de sexo) -- começam a ser comportamentos aceitáveis. Contracepção fácil e aborto abriram as comportas para uma nova rodada de licença sexual nas últimas décadas -- licença que nem a crise da aids conseguiu revogar.



Os cristãos, porém, sempre afirmaram que o autocontrole é uma das variedades de fruto do Espírito. Sim, é difícil. Sim, é necessário se dedicar para descobrir por que é mais difícil resistir a determinadas tentações, em certos momentos e lugares. O motivo é que a castidade é virtude: não é, primeiro e acima de tudo, uma regra que se decide seguir ou quebrar (embora certas regras sejam bem claras nas Escrituras); com certeza não é algo que se calcula segundo um princípio, como “a maior felicidade possível para o maior número de pessoas” (até porque a esmagadora felicidade de curto prazo da maioria dos relacionamentos sexuais influenciaria artificialmente o resultado); e, em paticular, como Jesus mesmo indicou, não surgirá se seguirmos o curso do que vem naturalmente. É aí que os celibatários, como Jesus e muitos outros heróis e heroínas desconhecidos em comunidades monásticas e muitos lugares menos óbvios, descobriram a alegria de uma “segunda natureza” de autocontrole que grande parte de nossa cultura, como a maioria do mundo antigo, jamais chegou a imaginar. No lado inverso, como sabem os que fazem atendimento pastoral nas famílias e encontram pessoas que seguem os hábitos da sociedade, as mágoas e feridas causadas por esses hábitos são profundas, demoram a sarar e prejudicam a vida. Muitos dizem que a Igreja é estraga-prazeres, por protestar contra a liberdade sexual. No entanto, o verdadeiro fim da alegria vem com a busca exclusiva do prazer. Como no uso dos cartões de crédito, a etiqueta do preço fica escondida a princípio, mas os débitos físicos e emocionais causados demandam um longo tempo para serem sanados.



Aqui, paciência e humildade, até então à margem, voltam ao jogo. O impulso frenético pela intimidade sexual é parte do desejo de se expressar, de se desenvolver, de mostrar quem se é e como pretende se comportar. “Não”, diz a humildade, “não é esse o caminha para descobrir seu verdadeiro eu. Você o descobre ao abrir mão de você mesmo”. “Exatamente”, concorda a paciência, “satisfazer-se por impulso é menosprezar você mesmo e todas as outras pessoas”. As virtudes se relacionam. Se quiser uma delas, você tem de desenvolver todas.



O mesmo vale, claro, para a caridade, que, como notamos, Paulo descreve como a virtude que se deve colocar sobre e em volta de todas as outras, como um cinto que mantém todo o resto no lugar certo (Cl 3.13). Amor (a palavra que normalmente usamos, embora seja imprecisa, pois o significado de “caridade” encolheu) é o que capacita a paciência, a humildade e a castidade a permanecerem no devido lugar, porque o amor respeita o outro e deseja o melhor para ele. Por sua vez, o amor é sustentado, conforme afirma Paulo em sua famosa passagem, pela fé e pela esperança, tudo junto olhando para Deus, o criador e recriador, e para as promessas dele, asseguradas em Jesus Cristo.





Fonte:  Eu Creio, e Agora, p. 246-250

Autor de Eu Creio, e Agora,  Surpreendido pela EsperançaSimplesmente Cristão e O Mal e a Justiça de Deus, Os Desafios de Jesus, O Caminho do Peregrino, Seguindo Jesus, Judas e o Evangelho de Jesus,  Paulo: Novas PespectivasN.T. Wright é um dos mais conhecidos e respeitados estudiosos do Novo Testamento da atualidade. Foi Bispo anglicano de Durham, na Inglaterra, professor das universidades de Cambridge e Oxford por vinte anos e é professor visitante de universidades como Harvard Divinity School, nos Estados Unidos, Universidade Hebraica de Jerusalém e Universidade Gregoriana em Roma, entre outras. É autor de mais de quarenta livros e articulista de jornais como The Times, The Independent e The Guardian.




21 de novembro de 2010

O Pior Pecado - C. S. Lewis

"Para encerrar, apesar de eu ter falado bastante a respeito de sexo, quero deixar tão claro quanto possível que o centro da moralidade cristã não está aí. Se alguém pensa que os cristãos consideram a falta de castidade o vício supremo, essa pessoa está redondamente enganada. Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio. Isso por que existem duas coisas dentro de mim que competem com o ser humano em que devo tentar me tornar. São elas o ser animal e o ser diabólico. O diabólico é o pior dos dois. E por isso que um moralista frio e pretensamente virtuoso que vai regularmente à igreja pode estar bem mais perto do inferno que uma prostituta. E claro, porém, que é melhor não ser nenhum dos dois."
(contexto)


"De acordo com os mestres do Cristianismo, o pecado principal, o supremo mal, é o orgulho. A falta de pureza, a ira, a ganância, a embriaguez e tudo o mais, em comparação com ele, são ninharias. Foi pelo orgulho que o demônio tornou-se o demônio. O orgulho conduz a todos os outros pecados: é o mais completo estado de alma anti-Deus."




13 de outubro de 2009

Pornografia e o leve desvio de Ted Bundy [ENTREVISTA CHOCANTE]

Se você é uma pessoa que neste ponto de alguma forma considera você mesmo uma exceção para cada regra, alguém que é capaz de dominar seu pecado sexual, essa próxima sessão deve atrair sua atenção. Criado em Seattle e formado na Universidade de Washington, Ted Bundy se tornou um dos mais notórios e medonhos seriais-killers da nação (EUA), por espancar, estuprar, e depois matar pelo menos 30 meninas e mulheres entre a idade de 12 e 26 anos. Pouco tempo antes de ele ser executado, Bundy foi entrevistado pelo líder cristão James Dobson. Chocantemente, Bundy admitiu que ele não possuía nenhum dos antecedentes normais para tal comportamento pecaminoso, como ele foi criado em um lar Cristão amoroso com 5 irmãos e não experimentou nenhum abuso sexual enquanto crescia. Antes, ele confessou com detalhes claros como sendo um garoto jovem, como a maioria dos garotos fazem, via pornografia comum, o que cresceu e se tornou cada vez mais pesado em formas desviantes de pornografia que acabou levando ele a atuar para fora as suas maldosas fantasias. A citação abaixo é uma edição da conversa que aconteceu apenas dezessete horas antes de Ted ser levado à cadeira elétrica. Acredito que será um lembrete soberano aos meus irmãos cristãos que o pecado da luxúria é uma parasita insaciável que não deve ser alimentada, sob pena de ela crescer e levar à morte.

James C. Dobson: São por volta de 2:30 da tarde. Está programado para que você seja executado amanhã cedo às 7:00, se você não receber outra sentença. O que está passando pela sua cabeça? Quais pensamentos você tem tido nesses últimos dias?
Ted: Eu não vou enganar você dizendo que é algo que eu sinto estar no controle ou com que eu possa ter chegado a um acordo. É uma coisa de momento pra momento. Às vezes me sinto muito tranqüilo e outras vezes já não me sinto totalmente tranqüilo. O que está acontecendo na minha cabeça agora é usar os minutos e horas que me restam o quanto proveitoso for possível. Isso ajuda a viver no momento, na essência do que a gente usar como proveitoso. Exatamente agora, eu estou me sentindo calmo, em grande parte, porque estou aqui com você.
JCD: Para registro, você é culpado de matar muitas mulheres e meninas.
Ted: Sim, isso é verdade.
JCD: Como isso aconteceu? Leve-me de volta. Quais são os antecedentes do comportamento que nós vimos? Você foi criado em no que a gente considera um lar saudável. Você não foi abusado fisicamente, sexualmente ou emocionalmente.
Ted: Não. E essa é a parte da tragédia na situação toda. Eu cresci em uma casa maravilhosa com dois pais dedicados e amorosos, como um de 5 irmãos e irmãs. Nós, como crianças, éramos o foco da vida de nossos pais. Nós regularmente íamos à igreja. Meus pais não bebiam ou fumavam ou jogavam com aposta. Não havia abuso físico ou brigas (lutas) dentro de casa. Não estou dizendo isso para “dar uma de coitadinho”¹, mas era uma casa cristã excelente e sólida. Espero que ninguém vá tentar tomar o caminho fácil sobre isso e acusar minha família de contribuir com isso. Eu sei, e estou tentando te contar da forma mais honesta que eu saiba, o que realmente aconteceu. Quando era um garoto de 12 ou 13 anos, eu encontrei, fora de casa, no armazém local e nas farmácias, o softporn (pornografia leve). Garotos pequenos exploravam corredores laterais e ruas vazias dos seus bairros, e no nosso bairro, as pessoas iam despejar o lixo. De vez em quando, nós deparávamos com livros de uma natureza mais pesada – mais gráfica. Isto também incluía revista policiais etc. E eu quero enfatizar isso: o tipo mais nocivo de pornografia – e estou falando com dificuldade real, da experiência pessoal – é aquela que envolve violência e violência sexual. O casamento destas duas forças – eu sei muito bem – gera o comportamento que é terrível demais para descrever.
JCD: Me leve até aquilo. O que estava acontecendo na sua mente naquele momento?
Ted: Antes de irmos adiante o mínimo que seja, é importante para mim que as pessoas acreditem no que estou falando. Não estou culpando a pornografia. Não estou dizendo que ela me levou a sair por aí e fazer certas coisas. Assumo total responsabilidade por todas as coisas que eu fiz. Essa não é a questão aqui. A questão é como estes tipos de literatura contribuíram e ajudaram moldando e modelando os tipos de comportamento violentos.
JCD: Isso alimentou suas fantasias?
Ted: No início, isso alimentou esse tipo de processo mental. Depois, em um determinando momento, vira um instrumento de cristalização, fazendo com que aquilo se tornasse quase que uma entidade separada dentro de mim.
JCD: Você chegou tão longe quanto você poderia ter chegado em sua própria vida de fantasia, com material imprenso, fotos, vídeos, etc, e em seguida, houve a urgência de ter que dar aquele passo para um evento físico.
Ted: Uma vez que você se tornou viciado nisso, e eu olhei para isto com uma espécie de vício, você busca o mais potente, mais explícito, mais tipos de materiais gráficos. Como um vício, você anseia por algo que é mais pesado e lhe dá uma maior sensação de excitação, até que você chega ao ponto aonde a pornografia já foi tão longe – até aquele ponto em que você acha que fazendo vai te proporcionar algo maior do que só lendo ou olhando.
JCD: Quanto tempo você ficou nesse ponto antes de você realmente ter agredido alguém?
Ted: Um par de anos. Eu estava lidando com inibições muito fortes contra o comportamento criminoso e violento. Que tinha sido condicionado e criado dentro de mim do meu bairro, o ambiente, igreja e escolas. Eu sabia que era errado o pensar sobre aquilo, e certamente, o fazer aquilo era errado. Eu estava no limite, e os últimos vestígios de contenção estavam sendo testados constantemente, e atacou através do tipo de vida de fantasia que foi alimentado, fortemente, pela pornografia.
JCD: Você se lembra o que te levou até o limite? Você se lembra da decisão de “ir nessa”? Você lembra quando você decidiu jogar a cautela pro ar?
Ted: É uma coisa muito difícil de descrever – a sensação de chegar naquele ponto aonde que eu sabia que eu não poderia controlar mais. As barreiras que eu tinha aprendido quando criança não eram mais suficientes para me segurarem de procurar alguém e machucar.
JCD: Seria correto chamar isto de um frenesi sexual?
Ted: Esta é uma maneira de descrevê-lo – uma compulsão, um desenvolvimento dessa energia destrutiva. Outro fato que não havia mencionado é o uso do álcool. Em conjunto com minha exposição à pornografia, o álcool reduziu minhas inibições e a pornografia corroeu ainda mais.
JCD: Depois que você cometeu seu primeiro assassinato, qual foi o efeito emocional? O que aconteceu no dia depois disso?
Ted: Mesmo todo estes dias depois é difícil falar sobre isso. Revive-lo falando sobre isso é difícil dizer o mínimo, mas eu quero que você entenda o que aconteceu. Foi como sair de um transe horrível ou algum sonho. Eu só posso compará-lo (e não quero dramatizar demais) com ficar possuído por alguma coisa tão horrível e estranha, e na manhã seguinte acordar e lembrar o que aconteceu e perceber que, aos olhos da lei, e certamente aos olhos de Deus, você é responsável. Para acordar de manhã e perceber que eu tinha feito com minha mente clara, com todas as informações morais e éticas necessárias intactas, absolutamente me horroriza.
JCD: Você não sabia que era capaz disso antes?
Ted: Não existe forma de descrever a vontade brutal de fazer aquilo e uma vez que tenha sido satisfeita, ou gasta, e aquele nível de energia se retraiam, eu voltava a ser eu mesmo. Basicamente, eu era uma pessoa normal. Eu não era um cara de sair em bares, ou um vagabundo. Eu não era um pervertido no sentido que as pessoas olhassem entre si e dissessem: “Eu sei que tem alguma coisa errada com ele”. Eu era uma pessoa normal. Eu tinha bons amigos. Eu levava uma vida normal, exceto por este pequeno, mas muito potente e destrutivo segmento da minha vida que eu guardava em bastante segredo e bem perto de mim. Aqueles de nós que tem sido tão influenciados por violência na mídia, particularmente a violência pornográfica, não são uma espécie de monstros inerentes. Nós somos seus filhos e maridos. Nós crescemos em famílias regulares. A pornografia pode alcançar e agarrar qualquer criança de hoje. Ela agarrou-me para fora da minha casa 20 ou 30 anos atrás. Quão diligentes quanto foram meus pais, e eles foram diligentes em proteger os seus filhos, e com um bom lar cristão como nós tivemos, não existe qualquer proteção contra os tipos de influências que estão soltos em uma sociedade que os tolera...
JCD: Fora destas paredes, há várias centenas de jornalistas que queriam falar com você, e você pediu para que eu viesse, porque você tinha alguma coisa para dizer. Você sente que a pornografia hardcore, e a porta para ela, o softporn, está causando danos incalculáveis para as outras pessoas e fazendo com que outras mulheres sejam abusadas e mortas da forma que você fez.
Ted: Eu não sou um cientista social, e não pretendo acreditar que “um cidadão qualquer”² pensa sobre isto, mas eu vivi na prisão já faz um longo tempo até agora e conheci muitos homens que foram motivados a cometer violência. Sem exceção, cada um deles estavam profundamente consumidos pelo vício. O próprio FBI tem um estudo sobre homicídios em série do qual mostra que o interesse mais comum entre os seriais-killers é a pornografia. É verdade.
JCD: Como teria sido sua vida sem essa influência?
Ted: Eu sei que teria sido de longe melhor, não só para mim, mas para um monte de outras pessoas – vítimas e famílias. Não há dúvida de que ela teria sido uma vida melhor. Estou absolutamente certo de que não teria envolvido esse tipo de violência.
JCD: Se eu fosse capaz de perguntar o tipo de perguntas que são colocadas, uma seria, “Você está pensando sobre todas as vítimas e suas famílias, que estão tão feridas? Anos já passaram, suas vidas não são normais. Elas nunca serão normais. Você tem remorso?”
Ted: Eu sei que as pessoas vão me acusar de estar mentindo pra me defender (sendo egoísta), mas com a ajuda de Deus, eu tenho sido capaz de chegar ao ponto, depois de muito tempo, aonde eu posso sentir a mágoa e a dor pela qual fui responsável. Sim. Absolutamente! Durante estes últimos dias, eu e um número de investigadores temos falado sobre casos não resolvidos – assassinatos dos quais eu estava envolvido. É difícil falar sobre, todos esses anos depois, porque isto reaviva todos os sentimentos terríveis e pensamentos com os quais eu com firmeza e diligencia tenho lidado – acho que com sucesso. Então foi reaberto e eu senti a dor e o horror daquilo. Eu espero que aqueles que eu causei tanto luto, mesmo se eles não acreditarem na minha expressão de angústia, eles vão acreditar no que vou dizer agora: Existem aqueles soltos nas suas cidades e comunidades, como eu, cujos impulsos perigosos estão sendo alimentados, dia sim, dia não, pela violência nos meios de comunicação de formas variadas – particularmente a violência sexual. O que me assusta é quando vejo o que passa na TV a cabo. Parte da violência nos filmes que entram em casa hoje é coisa que não iriam mostrar em “cinemas só para maiores” há 30 anos atrás.
JCD: Você quer dizer os filmes de terror?
Ted: Essa é a forma, mas gráfica de violência na tela, especialmente quando as crianças estão desavisadas ou inconscientes que elas poderiam ser um Ted Bundy, que elas poderiam ter uma predisposição a esse tipo de comportamento.
JCD: Um dos últimos assassinatos que você cometeu foi da menina de 12 anos Kimberly Leach. Acho que o clamor do público é maior porque uma criança inocente foi tirada do parquinho infantil (playground). O que você sentiu depois disso? Eram normais as emoções depois disso?
Ted: Exatamente agora eu realmente não consigo falar sobre isso. É muito doloroso. Eu gostaria de ser capaz de transmitir a você como é essa experiência, mas não seria capaz de falar sobre isso. Eu mal consigo começar a compreender a dor que os pais dessas crianças e jovens mulheres que eu já me sinto detestável. E eu não posso restaurar muito a eles, se alguma coisa. Também não vou fingir, e eu nem mesmo espero que eles me perdoem. Eu não estou pedindo por isto. Este tipo de perdão é de Deus, se eles possuem, eles possuem, e se não, talvez vão encontrá-lo algum dia.
JCD: Você merece a punição que o Estado impôs sobre você?
Ted: Essa é uma pergunta muito boa. Eu não quero morrer, não vou mentir pra você. Eu mereço, certamente, a punição mais extrema que a sociedade tiver. E eu penso que a sociedade merecer ser protegida de mim e de outros como eu. Sem sombra de dúvidas. O que espero vir da nossa discussão é que eu acho que a sociedade merece ser protegida de si mesma. Como conversamos, há forças soltas neste país, especialmente este tipo de pornografia violenta, onde, por um lado, pessoas bem-intencionadas que condenam o comportamento de um Ted Bundy, enquanto eles estão caminhado passam por uma revista aterradora cheia das coisas que enviam crianças jovens no caminho para serem Ted Bundys. Essa é a ironia. Estou falando de ir além da retribuição que as pessoas querem de mim. Não há nenhuma maneira no mundo que me matando vai restaurar essas crianças lindas aos seus pais e corrigir e aliviar a dor. Mas existem muitas outras crianças brincando em ruas ao redor do país hoje que estarão mortas no dia seguinte, e no outro dia, porque outras pessoas jovens estão lendo e vendo os tipos de coisas que estão disponíveis nos meios de comunicação hoje.
JCD: Há um cinismo tremendo sobre você do lado de fora, eu suponho, que por uma boa razão. Eu não tenho certeza se há alguma coisa que você poderia dizer que as pessoas iriam acreditar, ainda que você me tenha dito (e eu já ouvi isso através de nosso amigo em comum, John Tanner) que você aceitou o perdão de Jesus Cristo e é um discípulo, que crê n’Ele. Você tira forças disso enquanto as horas finais se aproximam?
Ted: Eu faço. Eu não posso dizer que estar no Vale da Sombra da Morte é algo com que eu tenha me acostumado, e que sou forte e nada me incomoda. Não tem graça. Gera uma espécie de solidão, ainda tenho que me lembrar que cada um de nós vai passar por isso algum dia, de uma forma ou de outra.
JCD: Está ordenado para o homem (possivelmente citando Hb 9.27).
Ted: Incontáveis milhões que já caminharam sobre a Terra antes de nós passaram por isso, assim que esta é apenas uma experiência que todos nós compartilhamos.

----Ted Bundy foi executado às 7:15AM um dia depois dessa entrevista ter sido gravada.----

No final, o pecado leva à morte. Jesus morreu pelos seus pecados. Você está numa guerra. Seja um homem. Mate seus pecados.


Notas de Tradução:
¹ Expressão Leave it to Beaver, lit.: ‘Deixe isso para o Castor’, muito traduzida como ‘Foi sem querer’, “Beaver” também pode significar “Trapalhão”, primeiramente traduzi como “levar toda a culpa”, mas acho que “dar uma de coitadinho” ficou mais adequada com o contexto.
² John Q.Public é um nome genérico nos Estados Unidos para designar um membro hipotético da sociedade considerado um “homem comum”, no presente texto foi usado o termo John Q. Citizen que se aplica igualmente a uma pessoa pública, especificando este “homem comum” como um cidadão.

Tradução livre do e-book (e livreto) gratuito “Porn-again Christian – a frank discussion on pornography & masturbation” de Mark Driscoll.
Tradução: Vítor Ferolla
Revisão da tradução: Ada Paiva

14 de maio de 2009

Há vitória após o fracasso!



+ A maldição da culpa, John Piper

“Não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei (...) Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito”.
Miquéias 7.8-9

18 de maio de 2008

Deus pegou no meu bilau

É lógico que você ficou escandalizado com o título desse artigo, não era para ser diferente, você é um brasileiro que cresceu com toda cultura e tradição católica latino americana onde os órgãos sexuais são as partes sujas e vergonhosas do corpo humano.

Mas não é assim que Deus vê e nem que a bíblia fala do seu e do meu órgão sexual, a bíblia está cheia de referências boas sobre o sexo e sobre os órgãos sexuais, mesmo percebendo claramente que os tradutores tentaram disfarçar.

Na narração de Gênesis 2.7 vemos Deus esculpindo o homem do barro, isso foi um escândalo para os outros povos e religiões, principalmente para os gregos que acreditavam que nenhum deus poderoso poderia tocar na matéria, principalmente no barro como um operário fazia. Hoje não temos a dificuldade de acreditar que Deus, na criação, sujou a mão de barro, mas temos tremenda dificuldade de aceitar que Deus esculpiu o homem todo, até mesmo o pênis e o saco escrotal. Isso por causa da nossa cultura que passa de geração para geração, dizendo que os órgãos sexuais são algo sujo e profano, quase como um mal necessário.

Mas os judeus entenderam que o corpo do ser humano, os órgãos e principalmente o sexo era algo separada, sublime!

É interessante ver que, na nossa cultura, o que nos distingue externamente como povo de Deus, muitas vezes é a roupa, o terno. Na cultura judaica o povo era distinguido por uma marca no pênis. Hoje quando vamos fazer um juramento colocamos a mão na bíblia, mas os judeus colocavam a mão nos órgãos genitais de quem eles estavam fazendo o juramento, como o servo fez com Abraão ao jurar trazer uma esposa para Isaque (Gn24.2). E o mais interessante que permanece até hoje é que nós, homens, quando vamos fazer xixi lavamos a mão antes de sair do banheiro, os judeus lavam ao entrar, antes de pegar no pênis, pois sabem que o que vão pegar é algo sagrado, esculpido e separado por Deus.

Se aprendermos a olhar para nosso corpo com uma visão mais bíblica, com a visão de Deus, teremos muito mais cuidados com ele. Se entendermos que o próprio Deus esculpiu cada pênis e vagina, esculpindo para sua honra e glória, não os colocaríamos em qualquer lugar.

Demorou para eu entender, mas hoje creio que Deus formou cada um com suas próprias mãos, todas as partes do nosso corpo, assim como o pênis e por isso somos tão especiais. Vejo que, por Deus ter pego no meu bilau, tenho certeza que não quero profanar meu corpo e sim honrá-lo, usando da forma que Ele planejou.

fonte: SexxxChurch

autor: Marcos Botelho

imagem: Thiago Mendanha

Leia + : Desejar sexo não é errado

1 de dezembro de 2007

AIDS e Sexo Seguro

Homem acende velas em volta do símbolo vermelho em reconhecimento ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, no Paquistão. (Foto: Reuters)

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Hoje é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Segundo a ONU, 2,5 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus da Aids em 2007. 25 milhões de pessoas já morreram desde a aparição da doença, em 1981. O texto abaixo pode parecer antiquado, mas soa muito verdadeiro quando o que recebemos hoje é apenas um alerta de que "quando você transa com alguém sem proteçao, você transa com todos os parceiros (desse alguem)".



Fico pensando então se a proteção ("
Olla" ou de qualquer outro fabricante) alcança toda a profundidade do relacionamento na união sexual (1 Co 6.18), uma vez que a sexualidade está na essência do nosso ser. A mensagem que a publicidade transmite é que o sexo é algo meramente físico e a solução é fazer sexo seguro: usar preservativo.

Dallas Willard ao discorrer sobre a disciplina da castidade, afirma que "a sexualidade é uma das forças mais poderosas e mais sutis da natureza humana, e o sofrimento ligado diretamente a ela é muito alto. Os abusos, dentro e fora do casamento, tornam imperativo aprender "como possuir nosso vaso em santificação e honra" ( Ts 4.4)" (O Espírito das Disciplinas, p. 194).


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"A AIDS não é o julgamento de Deus contra homossexuais e dependentes de drogas. Afinal, heterossexuais e gente que nunca tocou em drogas pega a doença. Esposas e filhos de homens infectados recebem o vírus. Deus não os protege. Na África e na Ásia, a AIDS atinge mais os heterossexuais, e inocentes sofrem junto com os culpados. Essa doença é o julgamento de Deus contra a sociedade -- gente que Deus permitiu que colhesse tempestades. A AIDS começou a invadir a igreja, representando também um julgamento sobre ela. Resulta do mesmo pecado -- não dar a Deus a honra que lhe é devida. A sociedade e a Igreja foram entregues à seqüência inevitável -- sexo contrário à natureza, seguido pelo "castigo merecido pela sua perversão" (Romanos 1:27).

Assim, na evolução do julgamento, em primeiro lugar vem a cegueira, depois a insanidade sexual ocasionada pelo orgulho. E essa insanidade é o verdadeiro julgamento. A AIDS não passa de um resultado, uma conseqüência do julgamento."

John White - O Eros Redimido - p.19
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