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1 de maio de 2017

O Lecionário agora é uma Publicação

O Lecionário agora é uma publicação no Medium.



 
Ali o conteúdo será expandido e as publicações serão diversificadas.

Reservamos as quartas-feiras e as quintas-feiras para as publicações principais dos textos bíblicos.

Nas quartas-feiras publicamos as Leituras Diárias em uma postagem semanal, com suplementos para pequenos grupos de discipulado.

Na quinta-feira publicamos as postagens relativas à liturgia dos Cultos de domingo.

Nos outros dias da semana postaremos diversos outros conteúdos, contando com a participação de vários autores.

O objetivo desta publicação é ajudar igrejas que priorizam a formação espiritual a realizarem esta tarefa.

Para ir até a Publicação, clique no link a seguir:

25 de abril de 2015

A teologia holandesa é arrojada, afirma N. T. (Tom) Wright


O teólogo inglês N.T. (Tom) Wright vem à Holanda, no final de outubro (2014). Ele é Anglicano, mas mostra ter uma afinidade surpreendente com a tradição reformada holandesa. Como prévia da conferência em Kampen, no dia 31 de outubro: uma conversa com Wright sobre suas irritações dogmáticas, sua visão a respeito da teologia bíblica e sua paixão por alcançar “o crente comum”.

Por quatro dias o estudioso do Novo Testamento Tom Wright (1948) estará na Holanda no final desse mês. Primeiro será o palestrante principal de um congresso na Universidade de Groningen, depois visitara a Universidade Teológica de Kampen. Wright está ansioso, diz, pois ele entende que a teologia holandesa o “formou”, e a considera “extraordinária”. Essa parece uma afirmação educada, patente dos nossos vizinhos britânicos, mas em Wright parece um sentimento honesto de dívida (n. t. Para com a teologia holandesa). E realmente há temas comuns, que facilmente conectam os reformados e os neocalvinistas à teologia de Wright, na qual a ênfase está no pacto e na história da redenção, no significado concreto da cruz e da ressurreição, e na chegada real (n. t. efetiva) do novo mundo de Deus.
Wright é professor na St. Mary”s College, a faculdade teológica da Universidade de St. Andrews. Ele aceitou esse posto depois de sua despedida como bispo de Durham. Essa decisão teve tudo a ver com o seu quarto grande livro acadêmico da série Christian Origins and the Question of God (Origens Cristãs e a Questão de Deus). O livro se chama Paul and the Faithfulness of God (Paulo e a Fidelidade de Deus), e contém nada menos que 1650 páginas, e parece coroar o fascínio que Wright teve por toda a vida por Paulo. 

"Tive muito prazer trabalhando com esse livro," conta, "mas me custou mais tempo do que eu esperava. Comecei-o em um ano sabático em 2009. Em janeiro de 2010 voltei a Durham, onde era bispo. Logo ficou claro que eu não poderia terminar o livro se continuasse em Durham. Foi uma decisão difícil, mas escolhi aceitar o convite de St. Andrews para lecionar. Quando estava aqui ainda tinha que terminar diversos outros livros, como a série A Bíblia para Todos (n. t. Uma serie de comentários bíblicos). Também escrevi, a pedido da minha editora o livro Simplesmente Jesus (Simply Jesus: A new vision of who he was, what he did and why he matters) e em minha mente cresceu o conceito para Como Deus se tornou Rei (How God became King: The Forgotten Story of the Gospels). Enquanto isso meu editor ainda me pediu se podia desenvolver um livro a respeito dos Salmos a partir de uma palestra que tinha dado. Ele disse, pegue a palestra como estrutura básica e cada vez que abordar um Salmo você amplia um pouco – e eis que há um livro. Então acabei por fazê-lo em The Case for the Psalms (O Caso dos Salmos ou Em favor dos Salmos). Assim, fiquei bastante aliviado quando ano passado o grande livro a respeito de Paulo foi publicado."

Público Amplo
Trabalhar em todos esses projetos diferentes parece jogar diversas partidas de xadrez ao mesmo tempo. O público alvo de Wright também varia bastante. Mas isso o relaxa, diz, com um senso de ironia: “Esses livros científicos muito amplos me custam muitas gotas de suor. Entre estes escrevo os livros curtos e populares, e gosto muito disso. Eu gosto muito de escrever e esses livros para um público mais amplo não me custam tempo demais, muitas vezes é uma série de palestras, e entre estas apenas adiciono ordem e estrutura”.

Obviamente relaxar não é a única motivação de Wright. Ele busca conscientemente o contato com o público amplo nos seus livros populares. Essa é uma característica marcante das ocupações de Wright, pois são poucos os seus colegas que conseguiriam fazer o mesmo. “É verdade, e na verdade isso é uma vergonha”, diz Wright. “Na minha carreira sempre andei nesses dois caminhos. Eu trabalhava na esfera acadêmica, mas também estava ativo como pastor, bispo e pregador. Isso se tornou incomum nas esferas científicas atuais. O estudo do Novo Testamento tornou-se altamente especializado, e assim atrai pessoas que gostam de se ater a detalhes. Mas você deve ousar dar o passo para o público amplo que não quer saber apenas dos detalhes, mas são mais interessados no quadro maior, mais amplo. E é evidente que se deve fazer isso sem termos complicados. Quanto a isso, minha família, enquanto eu crescia, me ensinou uma lição útil. As crianças me faziam perguntas, e quando eu trazia termos carregados, diziam: 'Papai, fale normal!' A partir dessa lição de humildade vieram os meus livros Simplesmente Jesus e Simplesmente Cristão. E devo dizer que escrever esse tipo de livro me dá muito prazer”.

Herman Dooyeweerd
Wright enfatiza que frequentemente suas ideias teológicas são renovadoras, ou pelo menos surpreendentes. Mas ele também tem as suas fontes, por exemplo os grandes pensadores aos quais se sente em dívida. Em uma entrevista para a revista holandesa Wapenveld, Wright cita o nome do filósofo reformado Herman Dooyeweerd (1894-1977), que concebeu uma cosmovisão filosófica ampla – a Wijsbegeerte der Wetsidee (N. T. Filosofia da Ideia Cosmonômica) -- na qual ele aborda o todo da realidade, da escola e hospital à economia e ao sacramento. Wright ficou impressionado com a abordagem Dooyeweerdiana. “Herman Dooyeweerd foi importante para mim,” conta, “apesar de não ter feito um estudo rigoroso de sua obra. Suas ideias me alcançaram através de um bom amigo, Brian Walsh , que foi muito influenciado por Dooyeweerd. No começo da década de 90 demos uma série de palestras juntos em Oxford, na qual deveríamos abordar uma serie de tópicos, de Novo Testamento a Ética, de forma coerente e uniforme. Eu estava na fase preparatória dos volumosos livros acadêmicos a respeito do Novo Testamento, dos quais The New Testament and the People of God (1992) (n.t. O Novo Testamento e o Povo de Deus) seria o primeiro. Não há dúvida de que devo às conversas com Brian Walsh a percepção de que o Reino abrangente de Deus se conecta com a esperança messiânica do Antigo Testamento, e evidentemente com a maneira como tudo isso foi abordado em Jesus."

Kuyper
Brian Walsh desafiou Wright a pensar diferente do que este estava acostumado. “Não no sentido de “dai a Deus o que é de Deus e ao imperador o que pertence ao imperador” – que seriam compartimentos separados – mas deliberadamente abordar uma profunda conexão entre igreja e mundo. Dooyeweerd queria integrar todas os aspectos da vida sob o ponto de vista da vitória de Cristo. Ele estava convencido, assim como C.S. Lewis, que cada centímetro quadrado e cada segundo é reivindicado por Deus – e também por Satanás. Essa visão não me era totalmente estranha, estava presente de forma embrionária, mas eu nunca tinha pensado a respeito nessa profundidade.  Agora eu tinha que fazê-lo por causa do fascínio do meu amigo por Dooyeweerd. E devo dizer que comecei admirar a consciência intelectual dos pensadores cristãos holandeses – entre os quais evidentemente também devo citar Kuyper aqui! Era muito diferente do que estava acostumado da forma mimada e doce dos ingleses pensarem. Não que não conhecesse pensadores sérios e minuciosos na Inglaterra, mas a meticulosidade dos pensadores holandeses causou uma mudança em mim.”

Historiografia e Teologia
Parece que o senhor conscientemente escolhe ser historiador, por exemplo com o seu modelo de cosmovisão (worldview-model). O senhor não se profila como alguém que escreve Teologia Bíblica.
“A questão de Deus é uma questão teológica, não há escapatória, nem se  mantivermos uma perspectiva historiográfica. Para mim essa separação não existe de forma alguma. Alguns colegas me acusam de teologia bíblica, que entendem ser um empreendimento tolo e do século 19. O que eu proponho é: entremos no mundo do Judaísmo do Segundo Templo e então tentemos entender o que importava para a primeira geração de cristãos. Quando se faz isso, muitas coisas se encaixam. Nós mantemos tantos anacronismos no Cristianismo atual, desde como explicamos as parábolas a como entendemos Paulo. Mas tudo entra na perspectiva correta quando se começa a ver como o Judaísmo do Segundo Templo funciona. Você realmente tem aqueles momentos de: “Agora sim!” É a partir dessa perspectiva que tento pensar consequentemente Paulo no contexto da época. Assim sua pesquisa resulta em respostas históricas e teológicas. O que se ouve dos cristãos do primeiro século trata de “encarnação”, sobre a questão de quem Deus é, qual é o significado de Jesus no quadro geral das expectativas messiânicas. Enquanto pesquisador sempre tentei viver com essa tensão (n.t. No sentido positivo, emoção, empolgação, ansiedade, anseio), pesquisando a história e a teologia em conjunto. Minhas publicações podem assim serem classificadas como historiográficas, teológicas, ou até mesmo missiológicas”.

Construto teológico
Geralmente se mantêm as disciplinas separadas. Qual o argumento mais importante para se relacionar mais a teologia bíblica com a historiografia?
“Os textos do Novo Testamento que na história de Jesus Cristo se trata da presença direta de Deus. Isso se dá na história real, essa é a convicção deles. E é exatamente essa afirmação que por muito tempo foi considerada anátema por estudiosos do Novo Testametno. Considerava-se que era mais aceitável presumir que os evangelistas não tinham a pretensão de descreverem a história de forma realista. Para eles tratar-se-ia de um belo construto teológico que tinha importância para eles. Mas quando lemos Josefo, ou outros escritores Greco-Romanos, percebemos que eles escrevem de forma consciente sobre as coisas que aconteciam na época. E é dessa forma que se leem os evangelhos de forma natural. Isso não é inocente, mas baseia-se na forma séria dos judeus da época lerem”.

Aconteceu de verdade
Em How God Became King (Como Deus se tornou Rei, 2012), Wright argumenta que o tipo de histórias que os evangelhos contam, tratam de Deus o Criador e seu mundo. Nesse livro, ele afirma que os evangelhos tratam da realidade concreta, na qual se realiza uma ação divina. Wright: “Historicamente não faz sentido dizer que os evangelistas queriam enfatizar uma espiritualidade platônica, um significado religioso que estaria fora da realidade concreta! É exatamente isso que eles não têm em vista. O que Marcos, Lucas e os outros afirmam poderia ser ficção, no sentido de não estar de acordo com os fatos – mas essa é uma discussão completamente diferente. Mas eles estão convencidos de que a grande história das escrituras alcançou o seu clímax histórico na vinda do Messias Jesus. O fator esquecido, que poderia ter levado a interpretação ao caminho correto, é a expectativa dos profetas do período do Segundo Templo de que o Deus de Israel realmente retornaria. Deus prometeu que voltaria – mas ninguém sabe quando! Também não está claro como será ou o que acontecerá. O retorno de Deus poderia ser assustador, ou talvez empolgante. Mas esse é o assunto, que na percepção dos evangelistas Jesus assumiu o reinado de Deus. Eles contam com a convicção de que foi assim que aconteceu, assim Deus tornou-se rei.”

Irritações
O senhor se mostra irritado quanto a alguns pontos de vista teológicos. Quais as suas principais irritações dogmáticas?
“A forma como as pessoas reivindicam uma cristologia ortodoxa muitas vezes me causa certa resistência. Você deve pensar X ou Y a respeito de Jesus, e se não o fizer você está fora do barco. Geralmente é a reinvindicação de que Jesus é Deus. As pessoas presumem que o Jesus humano poderia sem problemas lembrar-se de como era quando Ele ainda estava com o Pai, antes de encarnar. Eu acho essa abordagem problemática, porque forca padrões racionalistas à explicação das Escrituras. Parece que as pessoas querem subscrever uma fé trinitária ortodoxa a qualquer custo, sem sondarem a profundidade da mesma. Dá para ouvi-las dizerem: “com certeza, Jesus era Deus! Eu subscrevo a isso, portanto estou tranquilo”. Mas a verdade é que se trata do que esse Deus encarnado faz! E o que fará. Se você o limita a “Ele morreu pelos nossos pecados e vai me levar ao céu”, você está perdendo o ponto central dos 4 evangelhos. De acordo com os evangelhos, Jesus se torna o encarregado. O próprio Deus está à frente de tudo em Cristo, e isso significa que algo acontecerá."

Combinação    
"A maioria dos cristãos nem para para pensar nisso. Talvez na Holanda seja diferente, assim como com seus “parentes” calvinistas em Grand Rapids! Quando eu dei uma palestra no Calvin College sobre How God Became King, James K. A. Smith me disse: “Você diz que nós nos esquecemos disso mas nas nossas aulas o reino de Deus e o seu significado concreto são sempre um ponto central!” Na verdade, suspeito que a teologia holandesa seja uma exceção. Dei incontáveis palestras e preleções em outras partes da Europa e dos EUA. Especialmente nos EUA as pessoas dizem: “Nunca ouvimos isso antes!” E quando digo que presumo que muitos pastores se limitam à mensagem de que Jesus se tornou Deus somente para nos perdoar e levar ao céu – ouço pessoas dizendo: “é isso que sempre ouvimos!” Parece que há pouca percepção da atualidade do Reino de Deus, que, de acordo com Jesus, vem “na terra como no céu”. Quando você expande para isso as pessoas rapidamente passam a achar que você está trocando o evangelho da redenção e perdão por um evangelho de melhoras sociais. Mas é claro que essa é uma conclusão precoce.  Nos evangelhos encontramos a combinação incomum de Reino e Cruz.  Os dois, na verdade, andam juntos apesar de a teologia ocidental ter muita dificuldade em mantê-los juntos. As pessoas parecem entender que tudo era um sucesso na missão de Jesus, até que algo deu errado e Ele acabou na cruz. Com isso parece que um plano B entrou em ação quando sua missão original foi por água abaixo – e o que sobra é apenas uma morte isolada que nos salva dos nossos pecados."

Solto da cruz
“A questão central então é: “como os dois se combinam? Como conectar a sua atuação e sua pregação, suas curas, seu envolvimento critico nas relações sociais – e por outro lado sua terrível morte e gloriosa ressurreição?” Simplesmente não se levanta essa questão o bastante. E como consequência disso se deslizou para uma teologia da cruz, de tons pietistas, na qual tudo é a respeito da morte salvífica de Jesus, a salvação da minha alma. Do outro lado do espectro deslizaram para uma forma de horizontalismo social no qual o reino se soltou da cruz. Mas no grande capítulo da ressurreição – 1 Coríntios 15 – Paulo escreve que a morte de Jesus resulta em seu reinado concreto, “até que tenha colocado todos os inimigos debaixo de seus pés”. Nesse sentido o Reino de Deus é uma realidade presente e atual. O Reino evidentemente ainda não é o reino de paz na qual resultará quando Deus for “tudo em todos” e a morte for definitivamente derrotada. Mas a partir da ressurreição de Cristo o mundo mudou definitivamente e Deus ativamente dá forma ao Seu novo mundo.”

Quebra cabeça
As irritações dogmáticas de Wright se voltam principalmente ao abismo entre algumas construções dogmáticas e o testemunho dos escritores do Novo Testamento. Muitos evangélicos na Inglaterra e nos EUA se satisfazem com os lugares-comuns dogmáticos, observa Wright. “Enquanto você disser que Jesus é Deus – você está tranquilo. Se subscrever: Jesus morreu no meu lugar – daí está ótimo! É certo que tais afirmações contêm elementos verdadeiros. Mas é como montar um quebra-cabeça com as peças nos lugares errados. Você pode até usar todas as peças, mas como não se encaixam o quadro geral fica deformado. Se olhar bem, a imagem não convence. Esse também é o problema das grandes confissões (n.t. De fé): O reino (quase) não é citado. No Credo de Nicéia você só tem alguma coisa a respeito do Reino lá no final. Então as pessoas pensam: “Ah, então isso ainda virá!” Em How God Became King sou crítico quanto a essa omissão e sua estrutura teológica, mas não advogo a favor da abolição das grandes confissões. O que é importante é que as compreendamos de uma maneira nova: a partir do testemunho dos evangelistas e dos escritores do Novo Testamento.”


*Arrojada: Audaz, atrevida, arrojada, minuciosa, meticulosa, resoluta, corajosa, firme todas estas seriam traduções possíveis da palavra “doortastend” que o autor usa em holandês. Depende de qual palavra inglesa Wright usou originalmente para saber qual seria a tradução mais correta. Usei a que me parece mais exata quanto a palavra holandesa, que é de difícil tradução. 
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Fonte: https://tukampen.afasonline.com/nieuwsbericht-tu-kampen-nl/nederlandse-theologie-doortastend-stelt-n-t-tom-wright
Original: Tjerk de Reus e Hans Burger
Tradução: Tijs vanden Brink
Revisão: Daniel de Lima Vieira


27 de novembro de 2011

Advento


Advento (do latim Adventus, que significa "vinda" ou "chegada") é a temporada de quatro semanas de preparação para a vinda de Jesus no Natal. Uma celebração requer boa preparação adequada para podermos desfrutar dela totalmente. No mês de dezembro, no entanto, na maior parte nos perdemos na agitação das compras de Natal, festas e preparativos. O tempo do Advento, mais reflexivo por natureza, pode sair de sincronia com todo esse barulho e correria.

João Batista sempre tem sido considerado a pessoa certa para me preparar para o Natal - ele é o anti-Papai-Noel necessário para os nossos dias. Troque o risada alegre por uma intensidade em sua face, o brilho no olho de um deserto prestes a interromper sua vida, comandando a nossa atenção, mas sempre redirecionando-a para Jesus. "Preparai o caminho para o Senhor" é o chamado do Advento para nos preparar para a vinda do Messias.

Mas como se preparar para uma surpresa? Mais do que apenas lembrar a primeira chegada de Cristo, o Advento espera a segunda vinda de Cristo. Advento é tempo de espera expectante, explorando nosso senso de que nem tudo está bem, o anseio de que o mundo seja endireitado novamente. É uma estação para corações inquietos e pessoas cansadas de um mundo quebrado que querem, com todo o nosso ser, saber que há mais do que isso.

O Advento cultiva em nós um olhar perspicaz, ajudando-nos a detectar o pecado que tumultua nossas vidas e perceber todas as maneiras que nós precisamos ser salvos. Ajudando-nos a esperar intensamente por restauração, por sentir a nossa própria necessidade de sermos salvos, o Advento nos prepara para a alegria genuína do Natal e para a fé nAquele que nos salva do nosso pecado, Jesus.


25 de outubro de 2011

O Evangelho Apostólico de Paulo

Devemos agora resumir este capítulo: o evangelho para o apóstolo Paulo é a história de Jesus, o Messias-Senhor-Filho, que desencadeia a salvação, que traz à conclusão a história de Israel como encontrada nas Escrituras do Antigo Testamento. “Evangelizar” é declarar esta história, e é uma história que salva as pessoas de seus pecados. Essa história é a única história de enquadramento se nós queremos ser apostólicos na maneira como apresentamos o evangelho. Podemos enquadrar o "evangelho" com outras histórias ou categorias, mas há somente uma história santa e apostólica, e é a história de Israel. Essa é a história de enquadramento apostólica para o evangelho.

Esta história começa no momento da criação e, finalmente, só se completa na consumação, quando Deus for tudo em todos. Este é o evangelho de Paulo, e ao mesmo tempo que inclui e abrange o plano de salvação e deixa em aberto como se pode construir um método de persuasão, o evangelho de Paulo não pode ser limitado ou equiparado com o Plano de Salvação. As quatro linhas do evangelho de Paulo são sobre a história de Jesus. Toda vez que Paulo menciona "evangelho" em suas cartas (e ele faz isso cerca de setenta e cinco vezes), ele está se referindo a este evangelho de quatro linhas. E muitas vezes Paulo usa "taquigrafia", simplesmente dizendo "evangelho" ou "meu evangelho" ou "o evangelho da salvação" ou mesmo "Cristo crucificado". Mas ele sempre quer se referir a este evangelho - o evangelho da História plena e salvadora de Jesus resolvendo a história de Israel, o que encontramos em taquigrafia em 1 Coríntios 15 e que, então, é totalmente exposta nos próprios evangelhos (mais sobre isso mais tarde) .

Isto leva a uma advertência, e é esta que inspira muito deste livro: o plano de salvação pode ser pregado à parte da história, e que tem sido feito por quinhentos anos e por dois mil anos. Quando o plano fica separada da história, o plano quase sempre se torna abstrato, proposicional, lógico, racional e filosófico e, o mais importante, de-historificado e não bíblico. Quando separamos o plano de salvação da história, nós nos desligamos da história que nos identifica e diz o nosso passado e diz o nosso futuro. Separamo-nos de Jesus e transformamos a Fé Cristã em um Sistema de Salvação.

Há mais. Somos tentados a transformar a história do que Deus está fazendo neste mundo através Israel e de Jesus Cristo em uma história sobre mim e a minha salvação pessoal. Em outras palavras, o plano tem um jeito de cortar a história de uma história acerca de Deus e do Messias de Deus e o povo de Deus para uma história sobre Deus e uma pessoa - eu - e nesta a história muda de “Cristo e a comunidade” para o individualismo. Precisamos do último sem cortar o primeiro.

Cortar o plano da história leva a uma cultura de salvação que é totalmente moldada por "quem é salvo e quem não é salvo." Tal cultura é importante, e eu acredito na salvação em Cristo. Mas, essa cultura é concebida por Deus para ser uma sub-cultura e não a cultura dominante. A cultura dominante é a cultura do evangelho. E uma cultura do evangelho é aquela moldada pela História de Israel e pela história de Jesus Cristo, uma história que conta toda a história de Jesus e não apenas uma história da Sexta-Feira Santa, e uma história que não diz apenas sobre uma salvação pessoal, mas de Deus sendo "tudo em todos". Conta a história de que Jesus, não qualquer governante humano, é o Senhor de tudo.

The King Jesus Gospel: The Original Good News Revisited - Scot McKnight, Zondervan, capítulo 4.


O evangelho é a declaração de que Jesus é o Messias e Senhor e esse evangelho declara que a história de Jesus completa a história de Israel de uma maneira que salva. Este evangelho contraria o evangelismo raso e superficial de hoje, que reduz o evangelho a quatro pontos simples e elimina a confissão de que Jesus é o Messias e Senhor.


Leia o prefácios de N.T. Wright & Dallas Willard, e desfrute de uma amostra do capítulo 1: thekingjesusgospel.com




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We must now num up this chapter: the gospel for the apostle Paul is the salvation-unleashing Story of Jesus, Messiah-Lord-Son, that brings to completion the Story of Israel as found in the Scriptures of the Old Testament. To "gospel" is to declare this story, and it is a story that saves people from their sins. That story is the only framing story if we want to be apostolic in how we present the gospel. We can frame the "gospel" with other stories or categories, but there is one holy and apostolic story, and it is the Story of Israel. That is the apostolic framing story for the gospel.

This story begins at creation and finally only completes itself in the consummation when God is all in all. This is Paul's gospel, and while it includes and encompasses the Plan of Salvation and leaves open how one might construct a Method of Persuasion, the gospel of Paul cannot be limited to or equated with the Plan of Salvation. The four lines of Paul's gospel are about the Story of Jesus. Every time Paul mentions "gospel" in his letters (and he does so some seventy-five times), he is referring to this four-line gospel. And many times Paul uses "shorthand" by simply saying "gospel" or "my gospel" or "the gospel of salvation" or even "Christ crucified". But he always means this gospel -- the gospel of the full, saving Story of Jesus resolving the Story of Israel, the one we found in shorthand in 1 Corinthian 15 and which then is fully expounded in the Gospels themselves (more on that later).

This leads to a warning, and it is one that animes much of this book: the Plan of Salvation can be preached apart from the story, and it has been done for five hundred years and two thousand years. When the plan gets separated from the story, the plan almost always becomes abstract, propositional, logical, rational, and philosophical and, most importantly, de-storified and unbliblical. When we separated the Plan of Salvation from the story, we cut ourselves off the story that identifies us and tells our past and tells our future. We separate ourselves from Jesus and turn the Christian faith into a System of Salvation.

There's more. We are tempted to turn the story of what God is doing in this world through Israel and Jesus Christ into a story about me and my own personal salvation. In others words, the plan has a way of cutting the story from a story about God and God's Messiah and God's people into a story about God and one person -- me -- and in this the sotry shifts from Christ and community to individualism. We need the latter without cutting off the former.

Cutting the plan from the story leads to a salvation culture that is entirely shaped by "who is saved and who is not saved." That culture is important, and I believe in salvation in Christ. But, that culture is designed by God to be a subculture and not the dominant culture. The dominant culture is the gospel culture. And a gospel culture is one shaped by the Story of Israel and the Story of Jesus Christ, a story that tells the whole Story of Jesus and not just a Good Friday story, and a story that tells not just a personal salvation but of God being "all in all". It tells the story that Jesus, not any human ruler, is the Lord over all.

The King Jesus Gospel: The Original Good News Revisited -- Scot McKnight, Zondervan, chapter 4.

The gospel is the declaration that Jesus is Messiah and Lord and that gospel declares that the Story of Jesus completes the Story of Israel in a way that saves. This gospel counters the shallow and superficial gospeling today that reduces the gospel to four simple points and eliminates the confession that Jesus is Messiah and Lord.


Read the forewords by N.T. Wright & Dallas Willard, and enjoy a sample of Chapter 1:
Forewords
Chapter 1
 


3 de maio de 2011

Manifesto Missional


Deus é um Deus de envio, um Deus missionário, que chamou o Seu povo, a igreja, para ser agentes missionários de Seu amor e glória. O conceito missional sintetiza esta idéia. Este manifesto visa servir a igreja, clarificando a sua vocação e ajudá-la a compreender teologicamente e viver de forma prática a missão de Deus no mundo de hoje. Embora seja dito com frequência que "a igreja de Deus tem uma missão", segundo a teologia missionária, uma expressão mais precisa é "a missão de Deus tem uma igreja" (Efésios 3:7-13).


Um dos objetivos da teologia é salvaguardar o significado das palavras, a fim de manter a verdade e articular uma visão bíblica do mundo dentro da comunidade de fé. Resgatar a integridade da palavra missional é especialmente crítico. Não é nossa intenção (ou dentro de nossas habilidades) definir palavras para os outros, mas nós entendemos que é útil descrever e definir a forma como estamos usando o termo e convidar outras pessoas a fazerem o mesmo. A compreensão biblicamente fiel e missional de Deus e da igreja é essencial para o avanço do nosso papel na sua missão e, assim, para o dinamismo do cristianismo no mundo.


É preciso primeiro ter claro o que não significa missional. Missional não é sinônimo de movimentos tentando contextualizar culturalmente o cristianismo, implementar o crescimento da igreja, ou se engajar em ações sociais. A palavra "missional" pode abranger todos os itens acima, mas não está limitada a qualquer um destes.


Compreender adequadamente o significado de missional começa com o reconhecimento da natureza missionária de Deus. O Pai é a fonte da missão, o Filho é a personificação dessa missão, e a missão é feita no poder do Espírito. Por natureza, Deus é o "aquele que envia", que inicia o resgate de sua criação. Jesus sempre falou de si mesmo como sendo "enviado" no evangelho de João e, posteriormente, comissionou seus discípulos para este mesmo fim (João 17:3, 8, 18, 21, 23, 25). Como o povo "enviado" de Deus, a igreja é o instrumento da Sua missão (João 20:21).


Uma sólida base no Evangelho, obediência a Cristo e postura para o mundo são componentes críticos para os indivíduos e as igrejas viverem de forma missional. Uma comunidade missional é aquela que considera a missão simultaneamente como seu impulso originário e princípio organizador (Atos 1:8). Ela toma decisões nesse sentido, acreditando que Cristo envia os Seus seguidores ao mundo, assim como o Pai O enviou ao mundo.


A Igreja, portanto, devidamente encoraja todos os crentes a viverem a sua vocação principal como embaixadores de Cristo (2 Coríntios 5:20) para aqueles que não conhecem Jesus. O ministério da reconciliação é aplicável tanto a sua cultura nativa como ao ministério transcultural para o mundo todo. Nesse sentido, todo crente é um missionário enviado pelo Espírito para uma cultura não-cristã ativando toda a sua vida na busca de participar mais plenamente na missão de Deus.


Missional representa uma mudança significativa na forma como entendemos a igreja. Como o povo de um Deus missionário, a nós é confiado participar do mundo da mesma forma que Ele faz, comprometendo-se a ser Seus embaixadores. Missional é a perspectiva de ver as pessoas como Deus vê e engajar-se na atividade de alcançá-los. A Igreja em missão é a Igreja como Deus planejou.



Com isso em mente, afirmamos o seguinte:


1. Autoridade: Como uma revelação sobre a natureza de Deus, só podemos compreender verdadeiramente a missão de Deus por aquilo que é revelado através das Escrituras. Portanto, nossa compreensão da missio Dei e da Igreja missional deve sempre ser dirigida e moldada pela Palavra de Deus revelada nas Escrituras, e não pode ser contrária a ela.


2. Evangelho: Afirmamos que Deus, que é mais santo do que podemos imaginar, olhou com compaixão para uma humanidade composta de pessoas que são mais pecadores que nós iremos admitir e enviou Jesus para a história para estabelecer o Seu reino e reconciliar as pessoas e o mundo consigo. Jesus, cujo amor é mais extravagante do que podemos medir, deu a Sua vida como uma morte substitutiva na cruz e foi ressuscitado fisicamente, para assim propiciar a ira de Deus. Através da graça de Deus, quando uma pessoa se arrepende de seus pecados, confessa o Messias, o Senhor, e crê na Sua ressurreição, ela ganha o que a Bíblia define como vida eterna e nova. Todos os que creem são assim reunidos na igreja, uma comunidade de aliança que trabalha como "agente de reconciliação" para proclamar e viver o evangelho.


3. Reino: Afirmamos que o evangelho é a boa notícia do Reino de Deus. O Reino é a governo ativo e abrangente de Deus sobre sua criação. O reinado soberano de Deus traz a justiça (relacionamento correto com Deus, com os outros e com a criação), restaura a justiça, e traz a cura para um mundo quebrado. O Reino de Deus foi inaugurado, mas ainda "ainda não" é. Não será totalmente revelado até que Jesus volte. A igreja, nascida na esteira do reino, serve como um agente do Rei no "já e ainda não" do Reino por proclamar e difundir o Evangelho e viver as suas implicações.




4. Missão: Nós afirmamos que a missio Dei é a missão do Deus trino para glorificar a Si mesmo. Deus então age neste mundo, redimindo o homem pecador e, no futuro, restaurando a criação corrompida. O Pai enviou seu Filho para realizar este resgate e envia o Espírito para que aplique esta redenção aos corações dos homens e mulheres. Incluída na missão de Deus está a ecclesia missio pela qual Ele capacita a igreja para um testemunho e um serviço que conduz à testemunha. Os crentes são chamados a compartilhar o evangelho com as pessoas para que elas possam vir a conhecer Cristo. Movendo-se de Deus, através da igreja, para o mundo, o trabalho redentor de Deus resulta em pessoas de toda tribo, língua e nação respondendo, ao longo da vida, na adoração de Deus. Em última análise, a missio Dei vai abranger toda a criação, quando Deus cria um novo céu e nova terra.




5. Igreja: A Igreja é sinal e instrumento do Reino de Deus, nascido do Evangelho do Reino e incumbida da missão do Reino. A igreja é uma comunidade de aliança, de crentes imperfeitos mas redimidos vivendo em nosso mundo. Os seguidores de Cristo não vivem a sua missão de forma isolada, mas, pelo contrário, o Espírito de Deus envolve os crentes em comunidades cristãs locais, ou seja, igrejas. É na e pela comunidade como a sua missão no mundo é reforçada.




6. Cristocêntrica: Cremos que Jesus é o centro do plano de Deus. Por extensão, a igreja como o corpo de Cristo é o meio principal da missão de Deus para o Seu mundo. Afirmamos que enquanto a obra e a presença de Deus não se limitam à igreja, não obstante a proclamação do evangelho de Cristo vem através da igreja e dos crentes em todos os lugares. Os membros da igreja, vivendo pelo poder do Espírito Santo, estão sendo conformados à semelhança de Cristo em suas atitudes e ações.


7. Fazendo Discípulos: Acreditamos que discipular as nações é o aspecto essencial da missão de Deus (Mateus 28:18-20). O evangelho conclama as pessoas a responder com fé e arrependimento à boa notícia do Reino em e pelo poder do evangelho. O amadurecimento dos crentes é inerente ao trabalho da igreja de conduzir aqueles que colocam a fé em Jesus desde a infância espiritual para a maturidade espiritual (Colossenses 1:28). Isto significa que a igreja treina seus membros para serem líderes em ações de justiça e no ministério para os pobres, assim como viver as implicações de sua fé nos negócios, nas artes, na política, na academia, na casa, e em toda a vida. Como a igreja faz discípulos, ela os equipa a levar sua fé para cada área de sua vida, privada e pública.


8. Dualidade: Nós acreditamos que a missão e a responsabilidade da igreja inclui tanto a proclamação do Evangelho quanto sua demonstração. De Jesus, aprendemos que a verdade deve ser proclamada com autoridade e vivida com graça. A igreja deve constantemente evangelizar, responder com amor às necessidades humanas, assim como "procurar o bem da cidade" (Jeremias 29:7). Ao viver as implicações do evangelho, a igreja missional oferece uma defesa verbal e um exemplo vivo de seu poder.


9. Universalidade: Nós acreditamos que a missão de Deus e, portanto, a missão de seu povo, se estende a todo povo, nação, tribo, e língua, com pessoas de todo gênero, idade, escolaridade, posição social e crença religiosa (ou falta dela). Assim, uma igreja missional intencionalmente abraçará a diversidade local e irá atravessar barreiras sociais, culturais e geográficas como agentes da missio Dei . A missão de Deus, ainda, universalmente engloba todos os aspectos da vida: pessoal, familiar, social, cultural e econômico. Esta é fundamentada na autoridade universal e senhorio de Jesus Cristo.


10. Aplicação: Acreditamos que a missão da Igreja continua na multiplicação e maturação dos seguidores de Cristo (discipulado), aumentando o número de congregações (plantação de igrejas) dedicadas a do reino de Deus (que vivem sob o seu senhorio), estendendo a fama de Deus por toda a terra (adoração ), e fazendo o bem em nome de Cristo (as obras de misericórdia).

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Porque cremos nessas coisas, somos compelidos à ação. Conclamamos o povo de Deus para alinhar-se em torno do senhorio de Jesus, da natureza missional da sua igreja, e a realidade de seu reino. Nós convidamos o corpo de Cristo em todos os lugares para ver as pessoas e o mundo através das lentes do reino de Deus, para viver uma vida santa como discípulos de Jesus, e para representá-lo intencionalmente juntos como a igreja. Afirmamos que Jesus foi enviado para cumprir os propósitos de Deus no mundo através de Sua vida perfeita, a morte vicária e ressurreição física de modo que o resgate pudesse ser disponibilizado para nós. Com Cristo como nosso ponto focal, o Seu reino como o nosso destino, e de Seu Espírito como o nosso fortalecimento, aceitamos o privilégio e a alegria de sua missão.



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Os autores deste documento incluem:

Ed Stetzer   |   Alan Hirsch   |   Tim Keller   |   Dan Kimball   |   Eric Mason   |