29 de abril de 2008

Desejar Sexo não é Errado

"Precisamos ter o cuidado de perceber que o desejo sexual não é errado como resposta natural e impremeditada, assim como a ira ou a dor. Tem uma função essencial na vida e, desde que desempenhe ESSA função, é uma coisa boa e correta.

Além disso, quando apenas PENSAMOS em sexo com alguém que vemos, ou simplesmente o achamos atraente, isso não é errado, e certamente não é o que Jesus chama de "adultério no coração". Meramente ser TENTADO sexualmente implica que pensemos em sexo com alguém com quem não estejamos casados, e que desejemos essa pessoa - geralmente, é claro, alguém que vejamos. Mas tentação também não é errado, embora não devamos ceder a ela deliberadamente. O próprio Jesus a sentiu, a vivenciou e a compreendeu.

Portanto, as traduções de Mt 5.28 que dizem "Qualquer um que olhar para uma mulher E a desejar" ou "Qualquer um que olhar para uma mulher com desejo" estão terrivelmente equivocadas. São muito prejudiciais, especialmente aos jovens. Pois alteram o significado do texto e apresentam o "adultério no coração" como algo que não se pode evitar, como algo que simplesmente acontece às pessoas sem a conivência da sua vontade.

O fato de que nessa leitura ser tentado é pecar já deve bastar, por si só, para mostrar que essas traduções estão erradas. Nenhuma tradução bíblica pode estar correta se contradiz princípios básicos da doutrina bíblica geral.

A terminologia de 5.28 é bem clara se prestarmos bem atenção, e muitas traduções a vertem de modo correto. Usam-se ali a preposição grega PROS e o caso dativo. A frase se refere ao ato de olhar para uma mulher COM A INTENÇÃO de desejá-la. Ou seja, desejamos desejar. Entregamo-nos ao desejo, cultivamos o desejo porque gostamos de fantasiar sobre o sexo com a pessoa que olhamos. Desejar o sexo é a intenção com que estamos olhando.

Outra passagem do Novo Testamento fala, em linguagem pitoresca, daqueles que têm "olhos cheios de adultério" (2 Pe 2:14). São pessoas que, quando vêem uma pessoa sexualmente atraente, não vêem a pessoa propriamente, mas sim eles mesmo envolvidos sexualmente com ela. Vêem o adultério acontecendo na sua imaginação. Tais pensamentos podem e devem ser evitados. É uma alternativa que temos.

Para muitas pessoas, infelizmente, isso já se tornou um hábito. Mas ainda assim nao é algo que meramente lhes ACONTECE. Não são vítimas passivas sem opção de escolha na tentação. Não é como a lei da gravidade. O desejo é desejado, abraçado, saboreado, elaborado, fantasiado. É o deliberado cultivo e estímuldo do desejo que Jesus aponta como manifestação de uma atitudo sexualmente imprópria da alma. Ninguém é obrigado a fazer ou ser isso, a menos que talvez já esteja num estágio avançado de distúrbio compulsivo ou possessão. Nesse caso, logicamente, a pessoa precisa não só de orientação e conselho, mas de um auxílio mais profundo.

Dallas Willard, em A CONSPIRAÇÃO DIVINA, Ed. Mundo Cristão, pp. 188-189 ao comentar o ensino de Jesus no Sermão do Monte: