28 de setembro de 2008

10 mandamentos para ser leitor


I - Nunca leia por hábito
: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química. A literatura é a possibilidade de viver vidas múltiplas, em algumas horas. E tem até finalidades práticas: amplia a compreensão do mundo, permite a aquisição de conhecimentos objetivos, aprimora a capacidade de expressão, reduz os batimentos cardíacos, diminui a ansiedade, aumenta a libido. Mas é essencialmente lúdica, é essencialmente inútil, como devem ser as coisas que nos dão prazer.

II - Comece a ler desde cedo, se puder. Ou pelo menos comece. E pelos clássicos, pelos consensuais. Serão cinqüenta, serão cem. Não devem faltar As mil e uma noites, Dostoiévski, Thomas Mann, Balzac, Adonias, Conrad, Jorge de Lima, Poe, García Márquez, Cervantes, Alencar, Camões, Dumas, Dante, Shakespeare, Wassermann, Melville, Flaubert, Graciliano, Borges, Tchekhov, Sófocles, Machado, Schnitzler, Carpentier, Calvino, Rosa, Eça, Perec, Roa Bastos, Onetti, Boccaccio, Jorge Amado, Benedetti, Pessoa, Kafka, Bioy Casares, Asturias, Callado,Rulfo, Nelson Rodrigues, Lorca, Homero, Lima Barreto, Cortázar, Goethe, Voltaire, Emily Brontë, Sade, Arregui, Verissimo, Bowles, Faulkner, Maupassant, Tolstói, Proust, Autran Dourado, Hugo, Zweig, Saer, Kadaré, Márai, Henry James, Castro Alves.

III - Nunca leia sem dicionário. Se estiver lendo deitado, ou num ônibus, ou na praia, ou em qualquer outra situação imprópria, anote as palavras que você não conhece, para consultar depois. Elas nunca são escritas por acaso.

IV - Perca menos tempo diante do computador, da televisão, dos jornais e crie um sistema de leitura, estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, terá lido 720 livros. Se, no mês das férias, em vez de um, puder ler quatro, chegará nos 900. Com dois por mês, serão 1.440. À razão de um por semana, alcançará 3.120. Com a média ideal de três por semana, serão 9.360. Serão apenas 9.360. É importante escolher bem o que você vai ler.

V - Faça do livro um objeto pessoal, um objeto íntimo. Escreva nele; assinale as frases marcantes, as passagens que o emocionam. Também é importante criticar o autor, apontar falhas e inverossimilhanças. Anote telefones e endereços de pessoas proibidas, faça cálculos nas inúteis páginas finais. O livro é o mais interativo dos objetos. Você pode avançar e recuar, folheando, com mais comodidade e rapidez que mexendo em teclados ou cursores de tela. O livro vai com você ao banheiro e à cama. Vai com você de metrô, de ônibus, e de táxi. Vai com você para outros países. Há apenas duas regras básicas: use lápis; e não empreste.

VI - Não se deixe dominar pelo complexo de vira-lata. Leia muito, leia sempre a literatura brasileira. Ela está entre as grandes. Temos o maior escritor do século XIX, que foi Machado de Assis; e um dos cinco maiores do século XX, que foram Borges, Perec, Kafka, Bioy Casares e Guimarães Rosa. Temos um dos quatro maiores épicos ocidentais, que foram Homero, Dante, Camões e Jorge de Lima. E temos um dos três maiores dramaturgos de todos os tempos, que foram Sófocles, Shakespeare e Nelson Rodrigues.

VII - Na natureza, são as espécies muito adaptadas ao próprio hábitat que tendem mais rapidamente à extinção. Prefira a literatura brasileira, mas faça viagens regulares. Das letras européias e da América do Norte vem a maioria dos nossos grandes mestres. A literatura hispano-americana é simplesmente indispensável. Particularmente os argentinos. Mas busque também o diferente: há grandezas literárias na África e na Ásia. Impossível desconhecer Angola, Moçambique e Cabo Verde. Volte também ao passado: à Idade Média, ao mundo árabe, aos clássicos gregos e latinos. E não esqueça o Oriente; não esqueça que literatura nenhuma se compara às da Índia e às da China. E chegue, finalmente, às mitologias dos povos ágrafos, mergulhe na poesia selvagem. São eles que estão na origem disso tudo; é por causa deles que estamos aqui.

VIII - Tente evitar a repetição dos mesmos gêneros, dos mesmos temas, dos mesmos estilos, dos mesmos autores. A grande literatura está espalhada por romances, contos, crônicas, poemas e peças de teatro. Nenhum gênero é, em tese, superior a outro. Não se preocupe, aliás, com o conceito de gênero: história, filosofia, etnologia, memórias, viagens, reportagem, divulgação científica, auto-ajuda – tudo isso pode ser literatura. Um bom livro tem de ser inteligente, bem escrito e capaz de provocar alguma espécie de emoção.

IX - A vida tem outras coisas muito boas. Por isso, não tenha pena de abandonar pelo meio os livros desinteressantes. O leitor experiente desenvolve a capacidade de perceber logo, em no máximo 30 páginas, se um livro será bom ou mau. Só não diga que um livro é ruim antes de ler pelo menos algumas linhas: nada pode ser tão estúpido quanto o preconceito.

X - Forme seu próprio cânone. Se não gostar de um clássico, não se sinta menos inteligente. Não se intimide quando um especialista diz que determinado autor é um gênio, e que o livro do gênio é historicamente fundamental. O fato de uma obra ser ou não importante é problema que tange a críticos; talvez a escritores. Não leve nenhum deles a sério; não leve a literatura a sério; não leve a vida a sério. E faça o seu próprio decálogo: neste momento, você será um leitor.

Alberto Mussa, na EntreLivros.
Recorteado do

22 de setembro de 2008

Secretários de Deus

Estou lendo em doses homeopáticas o livro Maravilhosa Bíblia (São Paulo: Ed. Mundo Cristão, 2008) de Eugene Peterson, tradução de Neyd Siqueira.

Comecei pela Parte II sobre Lectio Divina, uma prática a ser resgatada e da qual Peterson trata de modo bastante proveitoso.

A Parte III – “A companhia dos tradutores”, de grande interesse para nossa área, fala das traduções da Bíblia e do papel do tradutor em sua compreensão.

Há quem imagine que a tradução dos textos bíblicos é trabalho do passado remoto, encerrado com a Bíblia King James ou a versão de João Ferreira de Almeida. Mas é preciso lembrar que ainda há muitos tradutores labutando para captar com precisão as várias nuanças da Palavra em suas línguas originais e transmiti-las a nós em linguagem viva e acessível. Alguns desses tradutores, como o próprio Eugene Peterson (Bíblia The Message), têm renome internacional; outros trabalham no quase anonimato em várias partes do mundo, inclusive em solo brasileiro.

Quer sejamos ligados à área editorial ou não, é nosso privilégio como cristãos orar por esses tradutores e apoiá-los de acordo com nossas oportunidades e possibilidades.

Afinal, nas palavras do filósofo e teólogo Franz Rosenzweig: “Cada tradução é um ato messiânico que torna a redenção mais próxima”.

Abaixo, alguns trechos da terceira parte, capítulo 8 - “Os secretários de Deus”:

A grande maioria dos homens e mulheres que ouviram e/ou leram a Palavra de Deus, como revelada nas Escrituras e proclamada, o fez com a ajuda de uma vasta companhia de tradutores. Se não fosse pelo trabalho desses tradutores, a maioria deles anônima, haveria pouca leitura e menor probabilidade de se ouvir a Palavra de Deus. A Bíblia é o livro mais traduzido do mundo. […]

A tradução das Escrituras tornou-se necessária centenas de anos antes dos dias de Jesus. O mesmo aconteceu com a igreja primitiva, quando a sua língua original, o hebraico, foi gradualmente substituída na vida diária do povo de Deus, primeiro pelo aramaico, depois pelo grego.

Tradução para o aramaico

A tradução para o aramaico desempenhou um papel decisivo nos anos que se seguiram à volta de Israel do exílio babilônico, no século IV a.C. Em 583 a.C., o líder persa Ciro, que tinha idéias liberais, livrou Israel de seus anos de exílio, permitindo que o povo voltasse à terra natal, na Palestina. O aramaico era a língua oficial do império perda […] os idiomas que incluíam o hebraico de Israel foram postos de lado pelo aramaico, a língua oficial do governo e do comércio. […]

Temos um vislumbre do início desse processo de transformação do hebraico para o aramaico na história de Esdras e Neemias. […] [que] haviam viajado das regiões orientais do império persa para Jerusalém a fim de encorajar os desmoralizados judeus, que haviam retornado do exílio na Babilônia. […]

Esdras levou consigo uma cópia da Lei de Moisés escrita em hebraico original. […]

Havia, porém, um problema. O povo, que perdera o contato com o próprio passado, também se distanciara de sua língua, o hebraico; embora a maioria deles certamente a compreendesse, não era mais a língua materna. […] As pessoas tinham sido criadas falando aramaico. […]

Aparentemente, o grande empreendimento de recuperação da identidade almejado por Esdras exigia a ajuda de intérpretes. Por sorte, os levitas, a classe sacerdotal responsável por manter contato com suas raízes mosaicas, continuaram bons conhecedores do hebraico. Assim, enquanto Esdras lia o rolo escrito em hebraico, treze levitas colocados estrategicamente no meio da congregação reunida, ficavam “interpretando-o e explicando-o, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido” (Ne 8:8).

“Explicando-o” não era, provavelmente, uma tradução no sentido estrito do termo, mas uma ajuda ao povo, ao explicar e interpretar o que Esdras lia naquele texto longo, negligenciado e, agora, pouco familiar. […] foi uma iniciativa que fez mais do que simplesmente fornecer termos equivalentes às palavras lidas naquele dia. O trabalho de tradução interpretativa dos levitas envolveu a vida, o coração e a alma, e não apenas a mente do povo: a princípio, as pessoas choraram e depois se regozijaram, “pois agora compreendiam as palavras que lhes foram explicadas” (Ne 8.9-12). Esse é o resultado pretendido pela verdadeira tradução: provocar o tipo de compreensão que envolve a pessoa inteira em lágrimas e riso, coração e alma, naquilo que é escrito e é dito.

To be continued...

Leia a sinopse, um trecho do livro e comentários no site da Editora Mundo Cristão.

Fonte:
Café Arte & Ofício, Um ponto de encontro para tradutores cristãos.

A grande heresia do monoteísmo

Deus abençoe esta casa

Brian McLaren

Porque os esforços para renovar a igreja são freqüentemente mal-orientados.


Freqüentemente ouço alguém dizer: “Estamos explorando novas maneiras de vivenciar a experiência de igreja”. Ou: “Estamos em busca de renovação”. Ou mesmo: “Estamos desenvolvendo um culto pós-moderno. Está ficando bacana. Somos muito inovadores”. Todas estas colocações apontam na direção de mais um provável fracasso que meus colegas e eu, a despeito de nossas boas intenções, talvez amarguemos. Pois todos estes esforços para transformar a igreja deixam escapar um pequeno detalhe: qualquer mudança que levemos adiante (no estilo de música, no estilo de pregação, na utilização – ou não – de arte, velas, incenso etc) não alteram aquilo que mais precisa de mudança. Mas o que é isto que mais precisa mudar?

Alguém talvez se lembre das palavras de Jesus sobre como podemos perder as nossas vidas no processo de tentar salvá-las. Não poderia ser então que a igreja é como é em tantos lugares, não porque lhe falte esforço ou sinceridade, ou até espiritualidade (ou mesmo dinheiro, compromisso ou oração), mas porque, ao invés disto, nossos sinceros esforços, orações apaixonadas e recursos materiais estão todos orientados na direção errada – a direção da autopreservação, do auto-engrandecimento, e do auto-aperfeiçoamento? E se a missão de salvar a igreja demandar que deixemos um pouco de lado a própria igreja?

Lesslie Newbigin falava com freqüência da grande heresia do monoteísmo (em sua forma judaica, cristã e islâmica): o apego excessivo à cláusula A do chamado abraâmico enquanto a cláusula B do mesmo é convenientemente suprimida, esquecida ou ignorada. Em outras palavras: queremos ser abençoados (interessantes, vibrantes, saudáveis, abastados, sábios); queremos ser grandes (uma grande nação, uma grande denominação, uma grande congregação); e nesta direção oramos, aprendemos, investimos nosso dinheiro, lemos, ansiamos, nos comprometemos, nos sacrificamos e empregamos nossa energia. E, ao final, colhemos apenas vento. Enquanto isto, não estaria Deus ocupado buscando pessoas que também irão apegar-se à cláusula B? Pessoas dispostas a serem feitas bênção para que todas as pessoas na terra pudessem também ser abençoadas através delas? Buscamos ser abençoados a fim de sermos uma bênção para este mundo amado por Deus?

Você consegue enxergar a diferença entre estas duas compreensões de nossa missão: a renovação da igreja e o tornarmo-nos bênção para o mundo? Como um terrível resfriado, do qual nunca conseguimos nos livrar plenamente, o persistente inseto do “abençoe-me-Deus” cria o que alguns de meus amigos têm chamado de “a grande comoção”: algo que se aproxima da Grande Comissão, mas que na essência é muito diferente dela. Freqüentadores assíduos de congressos acumulam blocos e cadernos de notas que podem encher um navio daqueles de carregar petróleo. Autores como eu escrevem livros cujo peso combinado é maior do que o de nossas congregações após um almoço comunitário. Mas muito pouco muda. Pois nossos esforços estão inclinados a renovar ou fortalecer nossos sistemas atuais, os quais são perfeitamente desenhados (como Dallas Willard tem dito) para produzir os resultados que temos obtido até agora.

Se nós somos uma igreja autocentrada, é porque nossos sistemas – incluindo nossos sistemas teológicos – são perfeitamente desenhados para produzir uma igreja assim. Já se disse que o maior obstáculo para o estabelecimento do reino de Deus é a igreja que existe preocupada com sua própria existência. Não seria o motivo da doença que nos assola a nossa preocupação com a geração de melhores igrejas, ao invés da geração de comunidades mais dispostas a se tornarem bênção para o mundo? E não seriam nossos sistemas teológicos alicerçados sobre a cláusula A, a gordura responsável pela enfermidade de nossos corações?

Isto é o que realmente está acontecendo nos subterrâneos de toda essa conversa superficial acerca da “igreja emergente”. Muito mais do que cosméticos, o que está sendo tomado em consideração é o propósito mesmo, a razão de ser da igreja, do evangelho e do ministério pastoral que estão sendo repensados. Se isto não o perturba, surpreende, ou anima, é porque você não está entendendo o que está sendo dito.

Em todo lugar aonde vou, mesmo nos lugares mais inesperados (os quais incluem todas aquelas denominações equivocadas onde este tipo de coisa não deveria estar acontecendo), eu descubro igrejas e pastores enfrentando com seriedade estas profundas indagações. Estas igrejas e estes pastores desejam ser abençoados a fim de serem bênção para o mundo. Seus sonhos não param onde se encontram os muros da igreja, mas estendem-se para além deles. Pois são sonhos que tem a ver com o desejo de que o reino de Deus se estabeleça na terra como está estabelecido nos céus.

Estes são bons sinais. Possivelmente, sinais incipientes de outros sinais melhores ainda por vir. Que ironia: a igreja encontrará vida na medida em que a perder, na medida em que for capaz de doá-la.

Copyright © 2008 by Christianity Today International

Fonte: Cristianismo Hoje

20 de setembro de 2008

O Paradigma da Produtividade

Aconteceu no dia 05 de Julho, na Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca a Primeira Jornada de Formação Espiritual no Rio de Janeiro.

O modelo das comunidades independentes e o paradigma da produtividade. 20 min.

Ao ouvir essa palestra, lembrei-me do grupo como o qual recentemente me reuni. Conversando com um amigo de lá, senti-me que, para ser confortavelmente aceito naquele grupo, seria necessário trabalhar muuuiito. Ouça!

Palestra 03 - Eduardo Pedreira


* O Modelo Histórico e o Paradigma Racional - Ed René
* O Modelo Paraeclesiástico e o Paradigma Comportamental - Ricardo Agreste


Um crente político ou um político crente?

Marcos Botelho do JV


Pode parecer que é só uma troca de ordem, mas não é, pelo menos não é o que quero dizer.

Uma coisa é alguém que tem vocação política e é, ou se tornou crente. Outra coisa é alguém que é crente ou até pastor e está se metendo a político.

Eu sei que, provavelmente, vou receber muitas pedras em forma de recados pelo que vou dizer aqui, mas prefiro votar em um bom político metido em qualquer outra religião, do que votar em um bom crente metido a político.

O fato de alguém ser crente não o legitima como um bom candidato a um cargo político. E o pior é que está em alta por aí o argumento furado de que por alguém ser pastor, missionário ou apóstolo, tem vantagem sobre os outros, pois será um ótimo futuro vereador ou prefeito. Será?

Não tem como olhar para a história e achar que um estado cristão possa ser benção para o nosso país. No papel até que seria uma boa idéia, mas estudando de Constantino até a Reforma, lembrando das cruzadas, dos Estados Unidos e suas guerras santas, da discriminação aos protestantes de um século para trás no Brasil e outros diversos exemplos, vemos que nós cristãos temos que garantir um estado laico. Não estou falando necessariamente de um político ateu ou algo parecido. Mas o homem ou mulher que for ocupar um cargo político tem que garantir o direito dos cidadãos independente da sua fé ou a do cidadão que ele esteja representando.

Por isso, quando vou ver um candidato, tento observar e priorizar dois pontos antes de atentar se ele é evangélico ou não:

Verifico primeiro se ele é um bom político e não um bom crente, pois não adianta o cara ter uma confissão de fé “boa” e ao verificar o que ele já fez, por onde passou e seu plano de mandato, e perceber que ele é um péssimo político.

Em segundo lugar, verifico se ele vai priorizar o cidadão e não a minha igreja, pois é muito fácil vermos candidatos pedindo voto, prometendo benefícios para a instituição que você faz parte. Mas temos que lembrar que quem vai pagar o salário dele não são apenas os crentes, mas também os de outros credos e que por isso ele precisa estar representando a todos.

Ai se por acaso você encontrar dois políticos iguais: com vocação no que faz, com um bom passado, e que está planejando em projetos escritos representar a todos os cidadãos e seus direitos, aí sim, escolha o que confessa a mesma fé que você. Mas não esqueça de dar um “Glória a Deus” e me avisar, pois dois políticos bons desse jeito na mesma cidade é como encontrar uma mosca branca!