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16 de maio de 2009

Magnificar: Como um Telescópio


Magnificar tem dois sentidos distintos. Em relação à Deus, um é adoração e um é maldade. Pode-se magnificar, aumentar como um telescópio ou um microscópio. Quando você aumenta como um microscópio, você faz uma coisa minúscula parecer maior do que é. Uma partícula de pó pode parecer um monstro. Fingir aumentar Deus assim é iniqüidade. Mas quando você magnifica, amplia como um telescópio, você faz uma coisa inimaginavelmente grande parecer o que na verdade é. Como Telescópio Espacial Hubble [e seus sucessores], galáxias que são pontinhos de luz no céu se revelam como os gigantes de bilhões de estrelas que são realmente. Magnificar a Deus desse modo é adoração


John Piper, Não Jogue sua Vida Fora, Ed. Cultura Cristã, pp. 28-29


2 de julho de 2008

O Amor se Esforça



Matéria veiculada no fantástico do dia 30/06/2008. Comovente.
Veja também a última aula do professor Randy Pausch.

10 de maio de 2008

Paternidade Revelada

De repente, um grande momento de esperança me inundou. Suponha, apenas suponha que Deus é como um pai. Se meu pai terreno colocaria tudo de lado para me ouvir, não faria isso meu Pai também? [...] Tremendo de emoção, levantei da cama, coloquei meus joelhos no tapete, olhei para o céu e, num novo e rico entendimento, chamei Deus de "meu Pai". Eu não estava preparada para o que aconteceu.

De repente, a sala não estava mais vazia. Ele estava lá! Pude sentir sua presença. Pude sentir sua mão gentilmente colocada na minha cabeça. Foi como se pudesse ver seus olhos, cheios de amor e de compaixão. Ele estava tão perto que me vi deitando a cabeça em seus joelhos, como uma garotinha se senta aos pés de seu pai. Por um longo tempo fiquei lá ajoelhada, soluçando calmamente, flutuando em seu amor. Eu me peguei falando com ele, pedindo desculpas por não tê-lo conhecido antes. E novamente veio sua compaixão amorosa, como um cobertor quente me envolvendo. [...] Alcancei a mesa ao lado da cama, onde guardava a Bíblia e o Alcorão lado a lado. Peguei os dois livros e os ergui, um em cada mão. "Qual, Pai?", disse eu. "Qual é o seu livro?"

Então, algo marcante aconteceu. Nada parecido com aquilo havia acontecido na minha vida, nunca daquela forma. Pois ouvi uma voz dentro do meu ser, uma voz que falava comigo de forma tão clara, como se eu estivesse repetindo as palavras no interior de minha mente. As palavras eram tenras, cheias de carinho e, ao mesmo tempo, cheias de autoridade. A voz perguntava, "Em qual livro você me encontrou como Pai?".

A princesa muçulmana Bilquis Sheikh conta como a paternidade de Deus quebrantou seu coração.
I dared call Him Father, p. 41-3.
Atrevi-me a chamar-lhe Pai (São Paulo: Vida, 1985)

27 de abril de 2008

A casa do meu Pai (via Hubble)

Espiral estelar na Nebulosa da Águia-Mostruário do Hubble

Surgindo como uma criatura alada dos contos de fadas equilibrada em um pedestal, esse objeto é de fato uma torre giratória de gás frio e poeira que sobe de um berçário estelar chamado Nebulosa da Águia, imagem gerada pelo telescópio espacial Hubble da NASA.

A torre erguida está a 9,5 anos-luz ou a aproximadamente 92 trilhões de quilômetros de altura, por volta de duas vezes a distância do nosso Sol à estrela mais próxima. As estrelas da Nebulosa da Águia nascem em nuvens de hidrogênio frio que residem em regiões caóticas onde a energia de estrelas jovens esculpe paisagens fantásticas no gás.

A torre pode ser uma gigantesca incubadora para essas estrelas recém-nascidas. Uma torrente de luz ultravioleta de uma constelação de estrelas gigantes, quentes e jovens [fluindo do topo da imagem] está corroendo o pilar. A luz estelar também é responsável por iluminar a superfície irregular da torre.

Faixas luminosas espectrais de gás em ebulição podem ser vistas se desprendendo da superfície, criando uma nebulosa ao redor da estrutura e realçando sua forma tridimensional. A silhueta da coluna é destacada contra o brilho de fundo dos gases à distância. ...
Saiba mais sobre esse objeto »

Também conhecido como: M16,Nebulosa da Águia, NGC 6611, IC 4703

Créditos: NASA, ESA e The Hubble Heritage Team (STScI/AURA)

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Essa é a descrição encontrada no Google Sky para a nebulosa de Àguia, mostrada em detalhe pelo telescópio espacial Hubble, há dezoito anos em órbita. O Sky permite cibernauta observar galáxias e planetas diretamente através do browser.
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"Admirando essas imagens, e refletindo sobre a história e o contínuo desenvolvimento do universo, não pude deixar de pensar nas palavras que disse Jesus antes de deixar o seu pequeno grupo de alunos:

"Na casa de meu Pai há muitos lugares para morar... Pois vou lhes preparar um lugar" (Jo 14.2)
(Dallas Willard, A Conspiração Divina, p. 83)
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Você acredita nisso?

10 de abril de 2008

O segredo do jugo suave

Há algumas décadas, surgiu uma novela cristã muito famosa chamada Em Seus Passos, Que Faria Jesus? O enredo conta sobre uma cadeia de trágicos eventos que levam o pastor de uma igreja próspera a perceber como a sua própria vida se tornara diferente da vida de Cristo. Este pastor então persuade a congregação a firmar um voto de não fazer mais nada sem antes perguntar: "O que Jesus faria nesta situação?" Como o conteúdo do livro deixa claro, o autor encarava este voto como sendo o mesmo que a intenção de seguir a Jesus – andar exatamente "em Seus passos". É claro que se trata de uma novela, mas mesmo na vida real podemos observar mudanças significativas na vida de Cristãos sérios que fizeram voto semelhante – como acontece no livro.


No entanto, há uma falha nesse pensamento. O livro concentra-se totalmente na tentativa de se fazer o que Jesus supostamente faria em resposta a desafios específicos. No livro, não há sugestão de que o Senhor tenha feito outra coisa senão escolhas corretas momento após momento. E, o que é mais interessante, não há sugestão de que o poder dele de escolher corretamente baseava-se no tipo de vida que Ele adotou para manter o equilíbrio interior e a conexão com o Pai. O livro não afirma que seguir "os passos de Jesus" é adotar totalmente sua maneira de viver. Assim a idéia sugerida é absolutamente fatal: seguir a Cristo significa simplesmente tentar se comportar como Ele se comportou em público, quando estava sob pressão ou perseguição. Não há o reconhecimento de que o que Ele fez nesses casos era, numa medida maior e mais essencial, o resulta o natural da vida que Ele vivia em particular.


Perguntar a nós mesmos "O que Jesus faria?", quando subitamente nos deparamos com uma situação importante, não é uma disciplina ou preparação adequada para nos capacitar a viver como Ele viveu. Isso trará, sem dúvida, algum benefício. E certamente é melhor do que nada. Mas atos isolados não são suficientes para nos conduzir com ousadia e confiança através de uma crise. Na verdade, poderíamos, antes, com facilidade, ser arrastados para o desespero da tensão e impotência.


O segredo do jugo suave, então, é aprender com Cristo como viver nossa vida toda, como investir todo nosso tempo e nossa energia mental e física como Ele fez. Temos de aprender como seguir sua preparação - as disciplinas para a vida sob o governo de Deus que capacitaram o "Filho do homem" a receber o apoio constante e efetivo do Pai enquanto. fazia a sua vontade. Temos de descobrir como entrar em suas disciplinas a partir de onde estamos hoje – e, sem duvida, como ampliá-las para abranger as nossas necessidades.

Dallas Willard, O Espírito das Disciplinas,

1ºcapítulo.
+
O Segredo

24 de fevereiro de 2008

Rob Bell e NOOMA


Nooma é uma série produzida por Rob Bell, líder da Mars Hill Church. São idéias e conceitos que o veiculados através de boas metáforas, discursando de forma criativa sobre Deus. Em apenas 10 minutos ele conta alguma história ou conversa alguma coisa com os telespectadores. (ver Diversità)

O texto que segue é do Luis Fernando Batista do Checklist Para Viver o Cristianismo:

Cada Nooma traz um DVD que traz versões legendadas em diversas línguas, incluindo o português, mais um caderninho com grande qualidade gráfica e também de conteúdo, o caderninho é em inglês e traz algumas frases e perguntas para ajudar na reflexão e compartilhar da mensagem.

Meu entusiasmo veio de encontrar um material realmente ideal para aplicação em grupos pequenos e grupos pré-cristãos:




  • Os filmes são curtos, todos tem em média 10 minutos;




  • As mensagens são muito claras, a linguagem é bastante contemporânea e o contexto em que ele se colocam é bem comum;




  • As reflexões são profundas. Acho que um dos grandes méritos de Rob Bell no Nooma é fazer as perguntas certas, muitas delas ficam ecoando em nossa mente após o filme;




  • A direção dos filmes foi muito feliz, combina uma trilha sonora indie muito bonita e tocante, as locações muito bem escolhidas e uma conversa muito leve, longe daquele tom de pregação que a gente vê nos programas evangélicos




  • O filme e o caderno facilita muito a conversa e pode tornar o encontro do pequeno grupo realmente compensador.



  • Acho que o único porém são as legendas em português um pouco rápidas, mesmo para um pessoal que já está acostumado com TV a Cabo. Às vezes, o pessoal pede para que passe outra vez para rever o que perdeu e entender a lógica das propostas. Isto é, para um pessoal mais simples sem vivência com as legendas, o trabalho com os DVDs pode ser menos eficiente.

    Os títulos discutem a respeito de vários temas, alguns são excelentes, outros nem tanto e alguns tem aplicação bem específica:

    1.Rain – Fala a respeito das adversidades, dependendo como você estiver quando assistir é até difícil conter as lágrimas. Muitos consideram o melhor Nooma produzido.
    2.Flame – Fala a respeito dos níveis de profundidade do amor romântico até o sexo;
    3.Trees – Posicionamento bem interessante de nós como igreja na história, tenta nos fazer visualizar nossa missão;
    4.Sunday – Fala sobre igreja, é bem ousado em questionar o que fazemos e por que fazemos;
    5.Noise – O vídeo nos dá uma outra surpresa, fala sobre a importância do silêncio e como estamos preparados para desfrutar a presença de Deus;
    6.Kickball – Fala sobre a providência de Deus e respostas às nossas ansiedades;
    7.Luggage – Mensagem muito boa sobre perdão, no entanto, acho que esse é o filme com o roteiro mais polêmico de todos, pode não agradar;
    8.Dust – Aqui temos uma descrição fascinante sobre o que significa ser discípulo e temos uma conclusão surpreendente sobre a fé;
    9.Bullhorn – É uma crítica ao fundamentalismo evangélico em geral e seus pregadores de rua;
    10.Lump – Fala sobre o amor de Deus a despeito do nosso pecado;
    11.Rhythm – Fala sobre relacionamento com Deus e nos explica como todas as coisas se completam em Jesus Cristo, nos dá uma metáfora muito interessante sobre a presença e ação de Deus;
    12.Matthew – Fala sobre a perda de alguém querido;
    13.Rich – Fala sobre a responsabilidade daqueles que tem em ajudar os que não tem; creio que nós da classe média também nos inserimos no contexto que ele cita da América.

    [a série atualmente vai até o nª 19 - Open]

    Tem também o Breathe, que foi lançado recentemente, mas ainda não pude vê-lo. Nos Nooma’s Rain, Kickball e Lump, Rob Bell se aproveita de alguma experiência sua com seus filhos e nos permite entender melhor como Deus age como Pai. As idéias dos vídeos em geral são muito boas e às vezes surpreendentes, os desafios podem ser mais incômodos quanto mais conservadores forem os ouvintes.

    É só assistir o vídeo que as idéias fluem, tanto em como utilizá-lo na igreja, como em como criar outros novos materiais localmente, como também em como desenvolver sua própria fé que é bastante desafiada e desenvolvida à medida que você consegue aproveitar a mensagem.

    Rob Bell é pastor da Mars Hill Bible Church em Michigan. Quando apresentam essa igreja, apresentam-na como a igreja que mais cresce nos Estados Unidos. Acho que a repercussão do Nooma junto com imagem que ele tem montado de um pastor cool, tem atraído várias críticas a ele. Pelo que vi, tem se destacado por ser um pastor que busca entender o background judeu dos ensinamentos de Jesus Cristo, você consegue notar o quanto ele recorre ao hebraico em vários de seus vídeos assim como à cultura hebraica. No site do Nooma ele mesmo recomenda uma lista de vários livros sobre Jesus Cristo e o Novo Testamento em um contexto judeu. Ele também escreveu o livro Velvet Elvis, onde você encontra uma boa base do que você assiste no Nooma e “Sex God” que está sendo lançado agora. Além disso, promoveu em 2006 um tour nos Estados Unidos chamado “Everything is Spiritual” com a renda alocada para a WaterAid que trabalha em encontrar água em cidades inóspitas.

    Se você for comprar, preste atenção nas taxas de frete que parecem ser as mesmas tanto para 1 como para os 14 DVDs: US$ 22.50. Lembre-se também do imposto de importação de 60% sobre o preço do DVD que você paga na retirada do produto aqui no Brasil.
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    26 de janeiro de 2008

    Monitor de Coração


    Edith Schaeffer discorre de um homem da tribo Lisu, nas distantes colinas da China. Havia nele um grande desejo do Deus que ele não conhecia. Certo dia ele encontrou em seu caminho pela montanha uma página rasgada de um catecismo no dialeto de Lisu. Ele leu: "Há mais deuses que o Único? -- Não, só há um Deus. Devemos adorar ídolos? -- Não...". E o restante estava rasgado.

    Ele foi para casa e destruiu seus altares. Logo em seguida, sua filha ficou muito doente e seus vizinhos zombaram de sua atitude ao enfurecer os demônios. O homem pensou que, se havia um verdadeiro Deus, talvez pudesse alcançar esse Deus com sua voz. Ele não sabia nada sobre oração, mas subiu ao topo do mais alto cume na redondeza -- cerca de 300 a 500 metros de altura -- e gritou: "Ó Deus, se o senhor realmente está aí e é o Único a quem devo adorar, por favor, faça a minha menina ficar boa de novo".

    Levou muito tempo para conseguir retornar, mas chegando em casa encontrou a pequenina completamente curada, sem necessidade de um período de convalescença. A criança se recuperara no momento em que o homem havia orado. Ele se transformou em verdadeiro evangelista por toda a região. Edith Schaeffer comenta: "Haveria tantas histórias semelhantes a essa, que imagino os milhares de anos que se levaria para descobrir tudo a respeito delas".

    Isso se deve à busca de Deus que, de modo contante, "monitora" os corações. Não é preciso grande sofisticação ou muita informação sobre Deus para ser alcançado por ele.

    Citação de Dallas Willard em "A Renovação do Coração" p.178-179, de Affliction, obra de Edith Schaeffer. Você conhece histórias semelhantes? Comente!

    22 de janeiro de 2008

    Crises

    "Subir foi fácil. Mas quando começa a descer ninguém mais quer falar com você. Essa foi a experiência pessoal mais desafiadora da minha vida."
    Um ex-centimilionário cujas ações caíram 96,8% em alguns meses.



    Em 1999, no auge da febre da tecnologia, muitos investidores como este viram o preço das suas ações subir vertiginosamente. Da noite para o dia, elas passaram a ter centenas de milhões de dólares e a gastar de acordo. Mas quando o índice NASDAQ despencou (2000), as coisas mudaram rapidamente. A última segunda-feira negra estilula a reflexão.



    "Não esgote as suas forças, tentando ficar rico; tenha bom senso! As riquezas desaparecem assim que você as contempla; elas criam asas e voam como águias pelo céu."
    Salomão, Provérbios 23.4-5

    20 de dezembro de 2007

    Deus chegou mais perto

    Quando penso na Encarnação, o ato pelo qual Deus se fez homem para nos alcançar e tornar o seu reino acessível a nós, lembro-me dos textos de Max Lucado. Este autor tem alguns excelentes livros lançados recentemente no Brasil pela Thomas Nelson. Selecionei o texto abaixo, que li há vários anos para que o estimado leitor desse blog possa apreciar a perspectiva desse autor sobre o relevante significado do que celebramos no Natal.

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    "A Chegada”
    Max Lucado

    O barulho e o movimento começaram mais cedo do que de costume na cidade. Quando a noite deu lugar à madrugada, já havia gente nas ruas. Os vendedores se colocavam nas esquinas das avenidas mais trafegadas. Os lojistas abriam as portas de suas lojas. As crianças acordavam com o latido alvoroçado dos cães vadios e das queixas dos jumentos que puxavam as carroças.

    O dono da hospedaria levantara mais cedo do que a maioria dos habitantes da cidade. Afinal de contas, a hospedaria estava cheia, com todas as camas ocupadas. Todo tapete ou esteira disponível tinha sido usado. Logo todos os fregueses começariam a levantar e haveria muito trabalho a fazer.

    Nossa imaginação se inflama pensando na conversa do estalajadeiro com sua família à mesa do café. Alguém mencionou a chegada do casal jovem na noite anterior? Alguém cuidou deles? Alguém comentou a gravidez da moça no jumento? Talvez. Talvez alguém falou no assunto. Mas, na melhor das hipóteses, ele foi levantado e não discutido. Não havia tanta novidade assim sobre eles. Tratava-se possivelmente de uma das várias famílias que não pudera ser recebida naquela noite.

    Além disso, quem tinha tempo para falar sobre eles quando havia tanta excitação no ar? César Augusto fez um favor à economia de Belém quando decretou que houvesse um recenseamento. Quem podia lembrar-se de uma época em que se fizesse tanto comércio na cidade?

    Não, é duvidoso que alguém tivesse mencionado a chegada do casal ou atentasse na condição da moça. Todos estavam ocupados demais. O dia já raiara. O pão diário precisava ser feito. As tarefas da manhã tinham de ser feitas. Havia tanto para fazer que ninguém tinha tempo para ficar imaginando que o impossível acontecera.

    Deus entrara no mundo como um bebê.

    Mas se alguém entrasse no curral de ovelhas na periferia de Belém naquela manhã, que cena peculiar contemplaria.

    O estábulo cheira como todos fazem. O mau cheiro provocado pela urina, excremento e ovelhas paira forte no ar. O chão é duro, o feno escasso. Teias de aranha pendem do teto e um ratinho atravessa correndo o chão sujo.

    Não podia haver um lugar menos adequado a um nascimento.

    De um lado se encontra um grupo de pastores. Eles estão sentados silenciosamente no solo, talvez perplexos, talvez reverentes, mas sem dúvida extasiados. Sua vigília noturna fora interrompida por uma explosão de luz dos céus e uma sinfonia de anjos. Deus vai até aqueles que têm tempo para ouvi-lo — e assim, naquela noite sem nuvens, ele fora até os simples pastores.

    Junto à jovem mãe se assenta o pai cansado. Se alguém está cochilando, esse é ele. Não consegue lembrar-se da última vez em que pôde sentar-se. E agora que a excitação diminuiu um pouco, agora que Maria e o bebê estão confortáveis, ele se apóia na parede do estábulo e sente seus olhos se fecharem. Ele ainda não entendeu tudo. O mistério do evento o intriga. Mas não tem no momento energia para lutar com as perguntas. O importante é que a criança está bem e Maria a salvo. A medida que o sono vem, ele lembra do nome que o anjo lhe dissera para usar... Jesus. "Nós o chamaremos Jesus."

    Maria está bem desperta. Como parece jovem! Sua cabeça repousa sobre o couro macio da sela de José. A dorfoi embora como por encanto. Ela olha para o rostinho da criança. Seu filho. Seu Senhor. Sua Majestade. Neste ponto da história, o ser humano que melhor compreende quem é Deus e o que ele está fazendo é uma adolescente num estábulo mal cheiroso. Ela não pode tirar os olhos dele. De alguma forma Maria sabe que está carregando Deus nos braços. Esse é então ele. Ela lembra as palavras do anjo. "O seu reinado não terá fim."

    Ele parece qualquer coisa menos um rei. Seu rosto é avermelhado, lembrando uma ameixa seca. Seu choro, embora forte e saudável, continua sendo ainda o de um bebê indefeso, lancinante e agudo. Ele depende absolutamente de Maria para seu bem-estar.

    Majestade em meio ao mundanismo. Santidade misturada à imundície do excremento e suor das ovelhas. A divindade entrando no mundo no chão de um estábulo, através do útero de uma adolescente e na presença de um carpinteiro.

    Ela toca a face do Deus-menino. Como foi longa a sua jornada!

    Esta criança superara o universo. Os trapos que o aquecem eram os mantos da eternidade. A sala dourada de seu trono fora esquecida em favor de um curral de ovelhas imundo. E os anjos adoradores foram substituídos por pastores bondosos mas perplexos.

    Enquanto isso a cidade fervilha. Os mercadores não sabem que Deus visitou o seu planeta. O estalajadeiro jamais creria que enviara Deus para o frio lá fora. E o povo zombaria de quem quer que dissesse que o Messias jaz nos braços de uma jovenzinha na periferia de sua cidade. Eles estavam todos ocupados demais para sequer considerar essa possibilidade.

    Os que não assistiram à chegada de Sua Majestade naquela noite, não perderam a oportunidade por causa de atos perversos ou malícia; de modo algum, eles a perderam simplesmente porque não estavam olhando.

    Pouco mudou nesses últimos dois mil anos, não é?

    Símbolos Natalinos - uma perspectiva encarnacional


    Desde criança o Natal para mim está associado a boas sensações. E desde que abracei a Cristo, sinto-me mais à vontade para comemorar no "clima de Natal" e mais incomodado com toda celebração que ignora o Ungido. Nos últimos tempos, há uma polarização em torno da simbologia do Natal e um confronto entre as raízes bíblicas e as raízes pagãs da festa. Uma abordagem diferente daquela de que o Thiago Mendanha nos trouxe um exemplo, encontrei nesse trecho na obra "Uma Ortodoxia Generosa", de Brian McLaren, no capítulo "Por que sou encarnacional?" e compartilho com vocês nesse dia dedicado por muitos blogs ao tema do Natal.

    * * *
    "O amor verdadeiro foi demonstrado em sua plenitude na encarnação de Cristo. (...)

    Há muito tempo, os cristãos no Ocidente haviam aprendido a apreciar e até mesmo amar a cultura greco-romana: eles a batizaram, a integraram na herança cristã. Zeus, Apolo, Atena, Pondionísio e Mercúrio não eram demônios a serem temidos, ou ídolos a serem destruídos -- eles eram parte de nossa herança a ser redimida, com rico simbolismo e profundo significado para os cristãos de hoje.

    O cristianismo, de igual modo, abraçou muito da cultura do Norte da Europa, encontrando lugar em nossas celebrações de Natal para árvore perene e para o tronco natalino dos escandinavos pagãos, por exemplo. Em seus primeiros mil anos, o cristianismo não buscou substituir as culturas greco-romanas do norte da Europa ou Celtas (de meus ancestrais) pela cultura de suas próprias raízes judaicas; ao contrário, ele buscou (em seus melhores momentos) entrar nessas culturas, redimi-las, transformá-las e preservar tudo o que tinham de valor. Os apóstolos chegaram a essa conclusão em relação à controvérsia da "carne sacrificada aos ídolos" muito cedo na história da igreja. O movimento missionário celta seguiu a orientação apostólica muito bem com relação a isso (embora a igreja romana, na maioria das vezes, não tenha seguido), com um impacto de longo alcance."

    Brian McLaren, Uma Ortodoxia Generosa, Editora Palavra, p. 279

    1 de julho de 2007

    A Parábola da Mente Estreita

    Certo dia, ao atravessar uma ponte, vi um homem em pé na beirada a ponto de pular. Corri, então, em sua direção, e disse-lhe: “Pare! Não faça isso!”
    “E por que eu não deveria?”, perguntou ele.
    Eu disse: “Bem, há tanto pelo que se viver!”.
    Ele disse: “Como o quê?”
    Eu disse: “Bem, você é religioso ou ateu?”
    Ele disse: “Religioso”.
    Eu disse: “Eu também. Você é católico ou protestante?”
    Ele disse: “Protestante”.
    Eu disse: “Eu também! Você é episcopal ou batista?”
    Ele disse: “Batista”.
    Eu disse: “Puxa! Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus ou da Igreja Batista do Senhor?”
    Ele disse: “Igreja Batista de Deus”.
    Eu disse: “Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus Original ou da Igreja Batista de Deus Reformada?”
    Ele disse: “Igreja Batista de Deus Reformada”.
    Eu disse: “Eu também! Você é da Igreja Batista de Deus Reformada em 1879 ou da Igreja Batista de Deus Reformada em 1915?”
    Ele disse: “Igreja Batista de Deus Reformada em 1915!”
    Eu disse: “Então morra, seu herege!”, e, com imenso desgosto, o empurrei.


    Texto extraído de “Histórias que Abrem a Janela Mais Ampla de Deus”, DeVern Fromke, Edições Tesouro Aberto
    http://www.revistaimpacto.com/new/?action=ver_materias&idartigo=452