16 de julho de 2009

Heresia em A Cabana?

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Por outro lado, tenho lido críticas sobre A Cabana, e algumas delas são muito injustas com o livro. Acusam-no de heresia, mas é evidente que o entenderam mal ou leram algo nele que não existe. Recomendo que os leitores encarem o livro com uma atitude de caridade e generosidade. É pena, mas alguns leitores cristãos pensam que é seu dever achar erro em quase tudo. A cabana contém certos erros, mas não encontrei nada que fosse flagrantemente herético.
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É importante não confundir imagem com doutrina. Só porque algumas das imagens usadas em A Cabana sejam não convencionais não significa que são heréticas. O autor deixa bem claro que não pensa que Deus Pai seja literalmente uma alegre mulher negra. E ele vai longe para deixar claro que Pai, Filho e Espírito Santo são um ser e três pessoas. Apesar da imagística utilizada em A Cabana, a doutrina da Trindade está claramente refletida nas palavras de Deus sobre si mesmo para Mack. Receio que alguns críticos não tenham distinguido apropriadamente imagística e doutrina quando criticaram o livro.
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Minha opinião é que não há nada de herético na doutrina implícita de A Cabana sobre a Trindade contanto que entendamos que a imagística é apenas isso -- imagística. A doutrina por atrás da imagística defende favoravelmente do Credo Niceno, o credo normativo da maioria dos ramos do Cristianismo, que afirma que Deus é "uma substância" e "três pessoas". A Cabana não utiliza essas palavras, e não deveria utilizar. É um romance escrito para o povo. Mas qualquer um que o ler com cuidado não pode acreditar seriamente que ele conflita com as Escrituras ou com o credo. Se alguém pensar assim, estará importando uma interpretação específica da Trindade que consta tanto na Bíblia quanto no credo. É muito comum dentre os caçadores de heresia. Eles tomam a sua própria interpretação estreita da doutrina e a colocam acima da Bíblia e do credo, e então acusam de heresia qualquer coisa que não combine com as suas interpretações. Mas está errado.

Uma avaliação cuidadosa da doutrina da Trindade de A Cabana é útil e justa. O livro pode ficar aquém de ser completo, e pode conter algumas distorções (ver capítulo três), mas não se pretende ser uma teologia sistemática. Para um romance, é uma adequada, se não particularmente iluminada, explicação da Trindade.
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Levando tudo isso em conta, considero muitas críticas à Cabana problemáticas. Ofereci minhas próprias críticas neste livro. Mas elas têm a ver com os elementos da história que podem ser mal interpretados. Uma coisa é a sugeria correções e outra é lançar acusações de heresia! Não encontro heresia em A Cabana, e me preocupo com as pessoas que pensam que encontram.

Vou ser claro mais uma vez. Se uma pessoa que acusa A Cabana de heresia perder explicar por que o livro não está exatamente de acordo com as normas doutrinais de uma determinada denominação, muito bem. Mas a maioria dos críticos não diz isso. Eles simplesmente colocam o rótulo de "heresia" no livro, o que não é justo, caridoso, nem mesmo cristão.

Roger E. Olson, Deus e a Cabana, pp. 178-185.

Roger E. Olson, PhD, é professor de teologia no George W. Truett Theological Seminary, na Baylor University, em Waco, Texas.
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Clique aqui para assistir a crítica de Mark Driscoll.