6 de setembro de 2009

Lugar de Adoração


"Não há nada de errado em observar passarinhos, pescar salmões ou fotografar orquídeas selvagens. Mas para Israel e a igreja, a observância do sétimo dia deve inserir-se em atos semanais de adoração na companhia do povo de Deus. Guardamos o sétimo dia de modo mais adequado quando entramos num lugar de adoração, nos reunimos com uma congregação, cantamos, oramos e ouvimos Deus.

Esta é a sabedoria antiga que desconsideramos por nossa própria conta e risco. Evidências amplas de várias civilizações ao longo de muitos milênios associam a formação do mundo, a criação com a construção de templos visando a adoração. A criação e organização do mundo são vinculadas continuamente à construção de um lugar de adoração e a uma ordem de adorar nele. A construção dos lugares de adoração visa "concretizar e estender a criação através da representação humana"*. Isso se faz não apenas pela oração e o louvor, mas também pela aceitação repetida dos mandamentos, das promessas e das bênçãos a fim de praticá-los na criação em que vivemos. Gosto do comentário de Garrison Keillor: "O domingo é esquisito quando não vamos à igreja pela manhã. É o momento da semana em que acertamos nosso rumo. Quando deixamos de fazê-lo, seguimos apenas o nosso próprio nariz".

Assimilamos os ritmos da criação por meio do ato de adoração no lugar e no tempo. A adoração é o meio principal pelo qual mergulhamos nos ritmos e nas histórias da obra de Deus e aprendemos o conceito apropriado do trabalho, de obra criadora. Nosso trabalho não deve ser uma improvisação confusa; antes, deve ser congruente com a maneira que Deus trabalha. E isso começa com a observância do sétimo dia: o descanso, a bênção, a consagração, sem os quais a semana da criação não está completa. Os ritmos da criação de Deus, consumados nos mandamentos para descansar no sétimo dia, são reproduzidos em nossa vida por meio de atos de adoração numa estrutura, num lugar e num templo que permitem nossa participação.

Quando nos dirigimos ao nosso lugar de adoração, adentramos, com uma visão nova e perceptiva e com o coração transformado e obediente, um mundo no qual somos a imagem de Deus participando de sua obra criadora. Tudo que vemos, tocamos, sentimos e provamos traz dentro de si os ritmos de "Disse Deus...", "e assim se fez...", "era bom...". Adquirimos a aptidão de discernir sua presença e sua glória. Mais do que nunca, ficamos profundamente à vontade dentro da criação."


Eugene H. Peterson, A Maldição do Cristo Genérico, pp. 136-137


Sim, estou consciente de que essas idéias parecem contradizer muitas outras que se lêem por aqui. Mas é isso, sou um cristão inacabado.