17 de maio de 2012

O Mistério da Ascensão

A ascensão, portanto, remete ao Jesus que permanece verdadeiramente humano e, nesse sentido, ausente de nós, porém, em outro sentido, presente e nós de uma nova maneira. Nesse ponto, o Espírito Santo e os sacramentos adquirem importância fundamental, exatamente por serem os meios pelos quais Jesus se faz presente. Na igreja, geralmente, ficamos tão entusiasmados ao enfatizar a presença de Jesus por esses meios que nos esquecemos de mencionar sua ausência, deixando as pessoas querendo saber se, realmente isso é "tudo que podem esperar". A resposta é: não, não é. O senhorio de Jesus, o fato de que há um ser humano no comando do mundo, intercedendo por nós, tudo isso está além e acima de sua presença conosco. Acima ainda do nosso senso dessa presença, que pode variar, é claro, de acordo com as circunstâncias e nosso estado de espírito. 

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O mistério da ascensão é exatamente isso, um mistério. Ele exige que pensemos o que para muitos hoje é quase impensável: reconhecemos que quando a Bíblia fala de "céu" e "terra" não está falando de dois locais relacionados entre si do mesmo espaço/tempo contínuo, nem de um mundo "não-material" de um lado e "material" de outro, mas de dois tipos diferentes do que chamamos de "espaço", dois tipos diferentes do que chamamos de "matéria" e, provavelmente, (embora não seja necessário que esse elemento acompanhe os outros dois) dois tipos diferentes do que chamamos de "tempo". Nós, ocidentais pós-iluministas, somos muitos pouco imaginativos... Embora os pensadores da Nova Era e muitos escritores contemporâneos possam nos levar a mundos, espaços e tempos paralelos, nós nos refugiamos em nosso universo racionalista e fechado assim que nos referimos a Jesus. C. S. Lewis certamente fez um bom trabalho com As Crônicas de Nárnia e outros escritos, ao imaginar como dois mundos poderiam se relacionar e interagir. Entretanto, a geração que cresceu sabendo o caminho até Nárnia não sabe como fazer a transição de uma história infantil para o mundo real da devoção e da teologia cristã.

(N. T. Wright, Surpreendido pela Esperança, Ed. Ultimato, pp. 130-132)

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