9 de janeiro de 2008

Descanso na Grandeza de Deus

Como o quero-quero que em segredo no alagado constrói,
Farei para mim um ninho na grandeza de Deus:
Voarei na grandeza de Deus como voa o quero-quero,
Na liberdade que ocupa os espaços entre o alagado e o céu:

Como tantas raízes que o tajá lança no alagado
De coração me prenderei em um laço na grandeza de Deus.




Sidney Lanier
The Marshes Of Glynn

8 de janeiro de 2008

Ironia: China transforma-se na maior produtora de Bíblias do mundo

O sucesso das Bíblias em mandarim evidencia o gigantismo chinês. Em um país asiático que não celebra o Natal e o fim de ano cai em fevereiro há uma boa parte da população, sobretudo rural, que nunca ouviu falar de Jesus ou o associa a uma lenda.


Além disso, só 1% da população é cristã. Mas mesmo assim uma fábrica de Bíblias focada no mercado externo já é a maior produtora mundial do livro restrito em seu próprio território.

Desde que abriu, em 1986, a companhia Amity Printing já imprimiu 50 milhões de unidades, sendo que 80% delas estão escritas em mandarim e se vendem por menos de um euro. A empresa também edita algumas Bíblias em dialetos de minorias étnicas. O restante é exportado.

O grosso vai para a África, Ásia e Europa Central. Há Bíblias em 90 idiomas desde o eslovaco até o braille. As vendas ultrapassaram o meio milhão de exemplares em 1988 até os 6,5 milhões em 2005. O sucesso mais recente é a edição de bolso, dirigida ao público jovem.

Planta industrial compete com Motorola e Ford

A demanda tem obrigado a companhia a ampliar o negócio. Nos próximos dias a empresa se mudará para novas instalações de 85 mil metros quadrados em um polígono industrial que compete com a Motorola e a Ford nos arredores de Nanjing, capital da província oriental de Jiangsu.

A nova planta terá capacidade para imprimir um milhão de Bíblias ao mês e espera-se que produza uma em cada quatro no mundo em 2009. Será, de longe, a maior fábrica de Bíblias do mundo.

Isso ocorre na China, um país nominalmente ateu e sem relações diplomáticas com o Vaticano desde 1951, apesar do diálogo estar mais fluido com Bento XVI do que com João Paulo II, uma vez que por causa do comunismo a China fechou suas portas.

A Amity Printing é uma joint venture formada por sociedades de caridade cristãs chinesas e inglesas. A maioria dos 600 empregados são camponeses sem devoção religiosa e imersos na produção de livros sagrados com uma frieza funcional. A fábrica não tem qualquer iconografia religiosa: nem crucifixos nem quadros.

A empresa só tem permissão de distribuir as Biblias através da Igreja Patriótica Católica, dependente de Beijing e única permitida. E não aos cristãos clandestinos. Estima-se que existam cinco milhões de fiéis na igreja oficial e 10 milhões fiéis a Roma.

Sem contar os clandestinos e evangélicos. Os critérios são confusos e a fronteira não é clara: muitos alternam igrejas com cultos clandestinos em casas particulares dependendo da proximidade e identificação.

Bíblia proibida por Mao

A Bíblia esteve proibida desde que Deng Xiaoping, chegou ao poder em 1978 e decretou a liberdade de culto. Mao via as religiões como superstições feudais que entorpeciam a modernização do país.

Todos os textos sagrados foram jogados na fogueira durante a Revolução Cultural (1966-1976) quando o único livro que não era considerado subversivo burguês era o Livro Vermelho de Mao.

No princípio da década de 80 aconselhava-se os estrangeiros a não entrarem no país com mais de uma Bíblia, o que fez florescer o contrabando. Apesar de hoje elas estarem proibidas, restritas à igreja oficial, já não é mais tão difícil encontrá-las em Beijing.

Recentemente a China desmentiu a ordem de que os atletas não poderiam levar Bíblias aos Jogos Olímpicos. Mesmo assim as limitações permanecem. Eles só poderão levar uma, para uso pessoal.


Leia o texto na íntegra, em espanhol, aqui.


Tradução: Tsuli Narimatsu
fonte: Portas Abertas

5 de janeiro de 2008

Graça, Verdade e Polarização

Nos últimos dias, a blogosfera esquentou. A Norma Braga expressou seu horror aos escritos de Phillip Yancey. O Pavarini divulgou. A Norma respondeu com o texto "Philip Yancey entre muros". A discussão rendeu muitos comentários.

Norma escreve que " em entrevistas, Yancey parece um tanto confuso com essa questão do homossexualismo desde que seu amigo Mel White se assumiu publicamente e passou a integrar igrejas GLBT."

Cita também um artigo de Andy Comiskey, traduzido por Júlio Severo em que, além de abordar a influência de Mel White no pensamento de Yancey, narra:

"
Encontrei-me com Brennan Manning para um almoço para tratar dessas questões [pureza sexual e homossexualidade]. Ele pareceu ter ficado realmente ofendido quando expressei minhas preocupações com as referências ambíguas dele com relação ao homossexualismo em seus artigos e livros. Durante nosso almoço incômodo, ele defendeu os “casais” gays que vivem em compromisso. Ele também desafiou meu compromisso de defender a ética sexual bíblica — nenhum sexo com homem ou mulher fora da aliança conjugal heterossexual — taxando-me de desinformado e de ter uma mente estreita. Eu compartilhei com ele acerca do compromisso do ministério Desert Stream de dar oportunidades seguras e fortes na igreja para a transformação dos homossexuais. Meu assistente Mark Pertuit e eu demos para ele testemunho de nossas próprias caminhadas de cura. Manning rejeitou nosso testemunho com o argumento de que eu não tinha conhecimento suficiente de teologia moral para ser levado a sério nessa questão.

Obviamente, Manning e eu abordamos de modo diferente a questão da autoridade moral. Minha abordagem é conservadora e baseada na Bíblia. A abordagem dele é obscura para mim. Mas o que emerge dessa falta de clareza nele (e, é triste dizer, em muitos como ele) é uma sentimentalização horrorosa da homossexualidade. Estranhamente, os indivíduos que se encontram presos às tendências homossexuais se tornam “tabus” para “terapeutas” como Manning. Em vez de abraçar com verdade e graça homens e mulheres que estão confusos, esses terapeutas dançam ao redor desses homens e mulheres em dificuldades e lutas, concedendo-lhes uma condição de quase heróis. O resultado é uma compaixão falsa que pode incentivá-los a se identificar e viver o homossexualismo (...)"

Essa polarização entre Comiskey e Manning me deixou reflexivo, pois, para mim, ambos trabalham para a Graça.

Um leitor anônimo postou um link para um artigo de Sérgio Pavarini, publicado na revista Ultimato. No texto, o jornalista cita o capítulo do livro de Yancey,
Alma Sobrevivente, em que este aborda o elemento homossexualidade na vida do aclamado escritor holandês Henri J. M. Nouwen, o ferido que cura feridas.

Em seguida, Severo responde ao link dizendo algumas palavras "sem graça" sobre o autor do referido artigo. Outra desagradável polarização.

E eu aqui pensando se O Conflito é "graça X verdade" ou "amor X soberba/malícia"...

Quem delira mais

ENFOQUE - Um número cada vez mais crescente de universitários cristãos integram a membresia das igrejas brasileiras. Tal fato é motivo de comemoração para alguns, e de preocupação para outros que pensam “a intelectualização da membresia esvaziará os templos”. Na sua opinião, Como imunizar o jovem cristão contra o contagiante vírus ateísta produzido nas universidades?

MCGRATH - Uma das razões pelas quais o ateísmo tem sido tão influente nestes locais é o fato de os estudantes estarem chegando lá sem uma total convicção de sua fé, e por isso altamente vulneráveis ao ateísmo. As igrejas precisam ajudar os jovens a descobrirem as riquezas intelectuais e espirituais do evangelho. É preciso conectar a espiritualidade e a intelectualidade com as reais preocupações dos estudantes, a fim de habilitá-los a perceber o poder de mudança que o Cristianismo tem, trazendo assim sentido e estabilidade à existência humana. As igrejas devem ajudar as pessoas a apreciar as riquezas e os valores provindos da fé Cristã, pois isso aprofunda ainda mais seu comprometimento com o Evangelho, além de estabelecer forte oposição ao ateísmo. Quando eu era jovem, o Marxismo era a maior força política no mundo. Hoje as variações carismáticas do Cristianismo, especialmente o Pentecostalismo, conseguem atrair um grande número de jovens. Porque? Bem, em parte porque ele consegue proporcionar uma forma bem mais prática de Cristianismo e também porque foca na importância dos trabalhos sociais. Eu faço um apelo aos pastores e líderes que têm um maior acesso aos jovens: ajudem-os a lidar com os problemas que porventura possam vir a se deparar.

* * *

entrevista completa: Blog de Oziel Alves
Presumo que as igrejas deveriam se dedicar a tipos diferentes de "campanhas": estudo, adoração e comunhão, e começar refletindo no que isso significa. Os líderes devem reconhecer que o rebanho é de Deus e deixar o povo pensar. É um bom começo.

Acerca do livro, acesse
Por Que Mais um Livro Contra Deus? - Ezequiel Netto

3 de janeiro de 2008

Amor, desejo e sorvete de chocolate

O que exatamente é o amor? É querer o bem ou "benquerença". Amamos algo ou alguém quando promovemos o bem em seu interesse. O contrário do amor é a malícia, e sua simples ausência é a indiferença. Seu acompanhamento normal é o regozijo, embora uma alma deformada possa se regozijar com o mal e não sentir nenhuma satisfação com o bem.

O amor não é o mesmo que desejo, pois posso desejar algo sem mesmo desejar o seu bem, muito menos querer o seu bem. Eu poderia desejar um sorvete de chocolate, por exemplo. Mas não desejo o seu bem: desejo comê-lo. Essa é a diferença entre a luxúria (mero desejo) e o amor na relação entre homem e mulher. Desejo e amor são naturalmente compatíveis quando o desejo é governado pelo amor, mas a maioria das pessoas hoje, e isso é triste, nem mesmo saberia a diferença entre eles. Por isso, neste mundo, o amor se torna constantemente vítima da luxúria.

Esse é um elemento importante dos profundos males da vida contemporânea.

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...as palavras são de Dallas Willard, Renovação do Coração, p. 137.
O amor, essência mais profunda de Deus, é objeto confuso em nossas mentes. Por estarem "amando", as pessoas espalham destruição para si e para os outros
por toda parte.
Um pouco de verdade faz muito para aclarar nossas idéias.

+ Amor não é um sentimento
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