8 de dezembro de 2008

A Igreja do Outro Lado

"Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só;há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos." Efésios 4.4-6

Estou prestes a me mudar para a capital e já me despedi da igreja de cristo com a qual me reuni frequentemente. Ontem resolvi visitar a pequena congregação Presbiteriana do Brasil que se reúne numa pequena casa na parte antiga da cidade. Antes, ao chegar na porta, tive de combater algumas sensações de timidez ante ao ineditismo que estava prestes a fazer. Pensei: se sendo cristão há 20 anos, sinto isso, o que sentem as pessoas que nunca pisaram numa igreja protestante antes?

O pequeno grupo seguiu a liturgia [quase] à risca segundo o que estava escrito no boletim. Não me importei de cantar sentado ou com o fato de os períodos de oração silenciosa terem sido tão curtos que não tive tempo de formular alguma conversa com Deus. Fiquei contente quando a senhora idosa me cedeu seu hinário "Novo Cântico". A mesma senhora me perguntaria ao final: "Você é presbiteriano?" Não pude evitar o pensamento que havia muitas outras coisas mais importantes sobre mim que ela poderia ter perguntado. Estava satisfeito por estar ali. Durante esses três anos e meio aqui em Nerópolis,-GO, sempre quis desenvolver amizade com os cristãos da cidade, especialmente com aqueles que participam de alguma denominação com laços além das fronteiras do município.

Foi bom ouvir o sermão do jovem pastor, centrado em Efésios 4. O jovem evangelista (20 anos) é versátil: canta, toca, ora e prega. Sério e bem vestido, ele transmite o sonho de ver uma igreja vigorosa crescer neste lugar. Ele disse com convicção que a igreja invisível é muito mais abrangente do que sua denominação e que seu rol de membros é o "livro da vida".

Os irmãos foram amáveis e não tive dificuldade de dialogar com eles ao fim do culto. Conversei com o evangelista e outro jovem que estavam ali. Compartilhei com eles algumas idéias sobre como as denominações precisam derrubar alguns muros e se relacionar com outras. Expliquei-lhe que só pude estar ali porque deixei de estar em outra igreja e que estava sendo uma boa experiência.

Disse a eles que, ainda menino, iniciei na comunhão cristã numa igreja metodista e que, quando me mudei de Uberlândia-MG, por razões profissionais, fui aconselhado por meu antigo pastor, hoje bispo, a congregar numa igreja metodista, há 30 km daqui, na capital.

Contrariando sua recomendação, visitei uma quadrangular, congreguei com uma igreja de Cristo e outros grupos. Precisava de amigos. Acredito que se tivesse iniciado um pequeno grupo no meu lar que tivesse experimentando crescimento numérico e tivesse condições financeiras de se estabelecer como congregação, a igreja metodista teria vindo logo depois fincar aqui sua bandeira.

Nos últimos anos, li textos de autores que têm refletido muito sobre a necessidade de repensar a igreja diante do contexto global atual. Gente como Gondim, Kivitz, Agreste, McLaren, Willard, Peterson, Foster, Piper e muitos outros.

Gosto de Rob Bell, por exemplo, mas também gosto de Mark Driscoll que estão distantes em termos de corrente teológica, mas que têm em comum o fato de serem jovens que comunicam com energia mensagens centradas em Cristo para esta geração.

Em relação a teologia reformada, sinto um misto de atração e cautela. Quando falo que fui batizado e instruído no metodismo, eles parecem achar positivo o fato de ser um grupo histórico, mas eu sei que eles abominam seu 'arminianismo'. Aliás, nunca soube o que era isso dentro daquela denominação. Foram os textos da vida que me apontaram as distinções.

Descobri também que o grupo que visitei essa noite é uma congregação (filial) de uma igreja que fica no setor da cidade grande a para o qual estou me mudando no próximo mês. Revelei-o a meus interlocutores que logo me recomendaram ligar-me àquele grupo.

Gostaria de participar, ocasionalmente, de algumas reuniões com esses irmãos. Gostaria de colaborar com eles na parcela da obra de Deus para a qual eles foram chamados nesta cidade. Principalmente, gostaria de ser amigo daqueles jovens. Porém, sinto que experimentar isso, sem ser um deles, não será fácil. Sinto que o mesmo acontece com batistas, assembleianos, católicos e todos os demais grupos cristãos da cidade.

Preenchi a fixa do visitante e marquei a opção de receber uma visita do pastor. Quero estender-lhe a mão de minha amizade. Sinto, porém, que para ele deve ser difícil afrouxar a gravata e sentar-se numa mesa "profana" de um bar ou mesmo de um restaurante, para um relacionamento diferente do que ele tem com suas "ovelhas".

Enquanto isso a juventude enche a praça em busca do ali que não vão encontrar.
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Título do post: título de um livro de Brian McLaren