8 de novembro de 2008

A Grande Confusão

Mensagem de Ed René Kivitz explora a tarefa confundida e, portanto, não praticada que Jesus deu a seus seguidores.

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A GRANDE OMISSÃO
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Devoto

“Eu sou um cristão, e eu sou um cristão devoto. Eu acredito na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. Eu acredito que essa fé me dá um trajeto limpo do pecado e acredito que tenho a vida eterna. Mas, mais importante ainda, eu acredito no exemplo de Jesus, que alimentou os que tinham fome, curou os doentes e sempre deu prioridade aos mais necessitados. Eu ‘não caí fora da igreja’ como muitos dizem, mas houve um despertar muito forte em mim da importância destes exemplos. Eu não quis andar sozinho nesta caminhada. Aceitar Jesus Cristo em minha vida foi o guia poderoso para minha conduta e meus valores e ideais”, afirmou o presidente eleito [Barack Obama] em entrevista a revista Christianity Today.

Sagrado e Secular

A posse e a aplicação das forças da riqueza são uma expressão tão legítima do papel redentor de Deus na vida humana quanto o ensino bíbli­co ou uma reunião de oração. Por exemplo, o chamado para dirigir fábricas, minas, bancos, grandes magazines, escolas e órgãos do Governo em prol do Reino e Deus é tão sagrado e tão difícil quanto pastorear uma igreja ou servir como evangelista.

Não há verdadeiramente uma divisão entre sagrado e secular, exceto aquela que nós criamos. Por isso, a divisão dos papéis e funções legítimas da vida humana em sagrado e secular causa um dano incalculável à nossa vida individual e à causa de Cristo. Pessoas santas devem deixar de consi­derar "as obras da igreja" como seu curso natural de ação e assumir a ordem santa na fazenda, na indústria, na lei, na educação, no sistema ban­cário e no jornalismo com o mesmo zelo manifesto na evangelização e no trabalho pastoral e missionário.

(Dallas Willard, O Espírito das Disciplinas: entendendo como Deus transforma vidas. Danprewan, 2006)

"O significado do sacerdócio dos crentes na Reforma original era que todo crente é sacerdote em toda ocupação ou vida que tenha, não só que cada crente está capacitado para fazer coisas especialmente religiosas"


(Dallas Willard, A Conspiração Divina, p.455)


+ "Jesus nunca disse "na vida espiritual" , pois para Jesus e o cristianismo tudo é espiritual." -Rob Bell - Everything is Spiritual - Now Available on DVD at www.EverythingIsSpiritual.com

+ Sempre incentivo aqui a aquisição dos livros de Dallas Willard. Dessa vez aponto para suas versões digitalizadas disponíveis na rede: http://www.ebooksgospel.com.br/?tag=dallas-willard

Leia também: Somos todos crentes -by Sandro

6 de novembro de 2008

Um Novo Pensamento

Dallas Willard explica o processo do novo nascimento
A Grande Omissão, p. 138,139

Conversão ou restauração cristã deve começar com um novo pensamento que vem de fora de todo o sistema humano. Esse pensamento conduz a novas emoções e possibilita um novo ato de vontade. É, evidentemente, o conteúdo do evangelho, uma nova imagem do mundo real no qual eu vivo. Na verdade, ele foi criado e é governado por alguém que o amou e a mim de tal modo que enviou seu Filho para me salvar da destruição total. Não sou capaz de descobrir isso sozinho, sobretudo porque estou envolto em inúmeras camadas de pensamentos, sentimentos e costumes contrários a esse fato. E, especialmente, proque internalizei esses pensamentos, sentimentos e costumes e os identifiquei como a vida real, minha vida.

Esse novo pensamento, o evangelho, rompe a mortalha intelectual de meu espírito por meio de uma força sobrenatural. É a graça em ação, a abordagem do Deus bondoso que, nesse processo, traz uma nova emoção. Essa nova emoção é complexa, uma combinação de anseio para o novo pensamento seja verdadeiro e de tristeza ao perceber que, no mais recôndito de meu ser, me oponho a ele. Essa é a clássica "convicção do pecado" e, com ela, começa a se mover dentro da alma desintegrada uma força que pode conduzir à sua restauraçãõ. No entanto, o indivíduo ainda não se "apropriou" dessa força. A convicção do pecado pode ser resistida e em geral o é por algum tempo. Durante esse período, o indivíduo ainda não se identificou com o toque da mão divina em sua alma. O novo pensamento e a nova emoção ainda não lhe pertencem; antes, são uma imposição, uma presença estranha da qual ele pode se ressentir e até rejeitar.

No entanto, tornam possível uma nova escolha que fará pertencer a ele. A vontade, a dimensão fundamental da alma humana, só pode agir, de um lado, pelas idéias e representações e, de outro, segundo sentimentos e emoções. Sem dúvida, é um poder de autodeterminação e uma parte inerente da alma humana. No entanto, não tem independência e autogovernança absoluta, pois estes são atributos exclusivamente divinos. Mas, diante do novo pensamento e da nova emoção, juntamente com a graça que os acompanha, posso me posicionar com o pensamento e com a emoção. Posso dizer, "Sim, desejo que este pensamento seja verdadeiro"; e o sentimento que tenho em relação a Deus e a mim mesmo com base nesse pensamento é minha atitude. É assim que escolho crer em Deus.

Com a pequena força que me resta, seguro na mão divina que se moveu por sua própria iniciativa nas trevas da minha alma e minha vida despedaçadas. Ao fazê-lo sinto o aperto forte dessa mão. Esse é o "nascer do alto". A realidade do relacionamento pessoal flui entre essas mãos dadas. A mente, as emoções, a vontade e o ser corpóreo e social começam a experimentar a presença da vida de Deus. Minha alma desintegrada e corrompida começa a recuperar seus poderes. Começo a me erguer em direção à luz e à plenitude.

Por muito tempo meu espírito aprisionado,
Permaneceu nos grilhões das trevas e do pecado.
Até que de teu olhar veio o raio vivificador,
E despertei, meu calabouço em pleno fulgor.
Os grilhões se romperam, meu espírito foi liberto
Levantei-me e passei a seguir-te de perto.
(Wesley)

4 de novembro de 2008

Pessoas Endireitadas

Como N. T. Wright expõe o Evangelho.
Adaptado do capítulo 15 de
Simplesmente Cristão.


Dormir e acordar eram expressões comuns entre os primeiros cristãos, usadas para explicar o que acontece quando o evangelho de Jesus, as boas novas de que o Criador agiu decisivamente para endireitar o mundo, invade a consciência de alguém. Há uma razão para isso. "Dormir" era uma maneira comum de se referir à morte no mundo judaico antigo. Com a ressurreição de Jesus, o mundo foi chamado a despertar. O apóstolo Paulo, escrevendo aos efésios, disse o seguinte: "Desperta, ó tu que dormes, e Cristo te iluminará" (Ef 5,14).


De fato, os cristãos primitivos criam que a ressurreição era uma necessidade real dos seres humanos - não apenas no futuro, no novo mundo a ser criado por Deus, mas também na vida presente. Deus quer nos dar uma nova vida, da qual a vida presente não passa de uma sombra. Ele quer nos dar uma nova vida para ser desfrutada em sua nova e definitiva criação. Mas a nova vida já começou com a ressurreição de Jesus, e Deus quer que acordemos agora, no tempo presente, para a nova realidade. Nós vencemos a morte e saímos do outro lado com uma nova vida; tornando-nos pessoas do dia, mesmo que o restante do mundo ainda não tenha despertado. Precisamos da luz de Cristo para viver neste mundo tenebroso; assim, quando por fim o sol se levantar, estaremos preparados. Precisamos começar a preparar os esboços da obra-prima que Deus um dia nos chamará para ajudá-lo a pintar. É esse o significado de responder ao chamado do evangelho cristão.

O evangelho - a "boa nova" sobre o que o Deus Criador fez em Jesus - é antes e acima de tudo uma boa nova sobre algo que aconteceu. E a melhor resposta que podemos dar é crer nele. Ao levantar Jesus dentre os mortos, Deus declarou, por meio de uma ação única e poderosa, que Jesus veio inaugurar o reino há muito esperado. Através de sua morte todo o mal do mundo foi por fim derrotado. O toque do despertador anuncia as boas novas; portanto, acorde e creia!

Para algumas pessoas a mensagem faz sentido, e elas crêem nela. Estou me referindo ao tipo de sentido que existe num mundo estranho e novo que você é capaz de vislumbrar ao ouvir a mensagem. Trata-se da mesma sensação que você tem diante de um quadro arrebatador ou ao ouvir uma sinfonia. Esse tipo de "sensação" tem muito mais a ver com estar apaixonado do que com calcular seu saldo bancário. Por fim, crer que Deus levantou significa acreditar e confiar no Deus que fez isso.

Para os cristãos primitivos, "crença" significa crer em Deus e no que ele fez. Isso é mais do que simplesmente crer na existência de Deus, embora inclua essa convicção; é confiar nele de forma amorosa e grata.

Quando as coisas "fazem sentido" desse modo, você percebe que não é tanto uma questão de analisar a situação para tomar uma decisão. Trata-se de Alguém chamando você com uma voz que lhe soa vagamente familiar, com uma mensagem que é ao mesmo tempo um convite amoroso e um apelo à obediência. O chamado da fé inclui ambos. É o chamado para crer que o Deus verdadeiro, o Criador do mundo, ama você de tal maneira que veio na pessoa de seu Filho, morreu e ressuscitou para extinguir o poder do mal e criar um novo mundo no qual todas as coisas serão endireitadas e a alegria tomará o lugar da tristeza.

Quando mais tomamos consciência de nossa incapacidade de endireitar o mundo ou de nossa flagrante deslealdade ao chamado para vivermos como seres humanos genuínos, mais ouviremos esse chamado em toda a sua profundidade. Deus está nos oferecendo perdão, a oportunidade de ganharmos uma ficha totalmente limpa, um começo realmente novo. Só de imaginar tudo isso, somos tomados por um sentimento de reverência e retribuímos com gratidão esse amor que é derramado em nosso coração.

Não podemos usar de argumentos lógicos ou de nossos esforços para obter o favor de Deus. Ainda assim, o chamado da fé é também um chamado à obediência (Rm 1,5), pois Jesus é verdadeiramente o Senhor de toda a terra. A palavra que os cristão primitivos usavam para "fé" pode significar também "lealdade" ou "fidelidade". A mensagem do evangelho é a boa nova de que Jesus, o crucificado, é o único e verdadeiro "Senhor", aquele que governa o mundo com a marca do seu amor.

Quando observamos a nós mesmos à luz do padrão exigido no reino de Jesus e percebemos quão distantes estamos desse padrão, descobrimos o quanto nos afastamos do propósito inicial de Deus. Chamamos essa percepção de "arrependimento", uma séria atitude de repúdio a um estilo de vida que desfigura e distorce nossa verdadeira humanidade. Não se trata apenas de sentir tristeza por cometer determinados erros, embora isso também aconteça. É reconhecer que o Deus vivo criou os seres humanos para que eles refletissem sua imagem no mundo, mas não foi isso que aconteceu. (A palavra exata para isso é "pecado", cujo significado primário não é "transgredir as regras", mas "errar o alvo", falhar por não alcançar a plenitude de sua verdadeira humanidade.) Mais uma vez, a mensagem do evangelho, anunciando que Jesus é Senhor e nos chamando à obediência, contém o remédio: perdão, concedido de forma imerecida e gratuitamente, através da sua cruz. A única coisa que nos resta é agradecer.

Crer, amar e obedecer (e arrepender-se dos erros): estas são as características da fé cristã e nossa marca distintiva. Era isso que Paulo queria dizer quando falou de "justificação pela fé". Deus declara que aqueles que compartilham dessa fé são "endireitados". Ele quer endireitar o mundo, e já começou a fazer isso na morte e na ressurreição de Jesus e por meio da atuação do seu Espírito na vida de homens e mulheres, levando-os a fé por meio da qual (e somente por ela) somos identificados como pertencentes a Jesus. Quando as pessoas se rendem à fé cristã, elas se tornam novas criaturas, antecipando aquilo que Deus quer fazer com toda a criação.

A fé cristã é a fé que ouve a história de Jesus, incluindo o anúncio de que ele é o verdadeiro Senhor do mundo, e responde com um coração repleto de gratidão e amor: "Sim. Jesus é o Senhor. Ele morreu pelos meus pecados. Deus o levantou dentre os mortos. Ele é o centro de tudo". Quem chega a essa fé está descobrindo o que significa acordar e se encontrar no novo mundo de Deus.

Além disso, está dando evidências de que uma nova vida começou. Algo novo, vindo de algum lugar nas profundezas de seu ser, está surgindo; algo que não estava ali antes. Por isso os cristãos primitivos falavam de um novo nascimento. O próprio Jesus, em uma famosa discussão com um mestre judeu, falou sobre nascer "do alto": algo semelhante, embora distinto do nascimento humano comum. Assim como um bebê recém-nascido respira e chora, os sinais de vida de um cristão recém-nascido são a fé e o arrependimento - inspirando o amor de Deus e expirando um choro angustiado. E assim como uma mãe à criança recém-nascida, Deus oferece ao cristão recém-nascido seu conforto e proteção.