9 de janeiro de 2010

Uma Tríade Essencialmente Amorosa

Por definição, Deus é o maior ser concebível. Como o maior ser concebível, Deus deve ser perfeito. Um ser perfeito deve ser amoroso, pois o amor é uma perfeição moral -- é melhor ser uma pessoa amorosa do que não ser. Portanto, Deus deve ser um ser perfeitamente amoroso. É da própria natureza do amor doar de si mesmo. O amor alcança outra pessoa em vez de centrar-se totalmente em si mesmo. Desse modo, se Deus é perfeitamente amoroso pela própria natureza, ele deve dar de si mesmo em amor a outro. Mas quem é este outro? Não pode ser nenhuma pessoa criada, uma vez que a criação é resultado do livre-arbítrio divino, não o resultado de sua natureza. Amar pertence à essência de Deus, mas criar, não. Assim, podemos imaginar um mundo possível no qual Deus seja perfeitamente amoroso e, ainda assim, não exista nenhuma pessoa criada. Desse modo, pessoas criadas não podem explicar suficientemente a quem Deus ama. Além do mais, a cosmologia contemporânea torna plausível que pessoas criadas nem sempre tenham existido. Mas Deus é eternamente amoroso. Desse modo, o conjunto de pessoas criadas, tomado isoladamente, não é suficiente para ser responsável pelo fato de Deus ser perfeitamente amoroso. O que resulta, portanto, é que "o outro" a quem o amor de Deus é necessariamente direcionado deve ser interior ao próprio Deus.


Em outras palavras, Deus não é uma pessoa única e isolada, como formas unitárias de teísmo afirmam; em vez disso, Deus é uma pluralidade de pessoas, como a doutrina cristã da Trindade afirma. Na visão unitária, Deus é uma pessoa que não dá de si mesmo essencialmente em amor por outro; ele está concentrado em si mesmo. Conseqüentemente, não é possível que ele seja o ser mais perfeito. Contudo, na visão cristã, Deus é uma tríade de pessoas em relacionamentos eternos de amor altruísta. Desse modo, por ser Deus essencialmente amoroso, a doutrina da Trindade é mais plausível que a doutrina unitária de Deus.






J. P. Moreland, William Lane Craig, 
Filosofia e Cosmovisão Cristã
Ed. Vida Nova, pp. 718-719