7 de agosto de 2009

Renunciar ou Institucionalizar

Tornar-se um discípulo de Jesus é uma questão de renunciar à sua vida como você a entendia até aquele momento. E sem semelhante "rendição" não é possível ser discípulo do Mestre, pois você pensará que ainda está no comando, precisando apenas de alguma ajuda de Jesus para seu projeto de uma vida mais próspera. Mas a idéia de uma "vida próspera" é precisamente o nosso problema.

Os grupos e as épocas em que a tranformação individual e social rumo à semelhança com Cristo aconteceram de forma manifesta, e que estremeceram a ordem humana até suas fundações, experimentaram essa verdade de maneira completa: os cristãos primitivos, os primeiros monásticos, os primeiros franciscanos ou os primeiros dominicanos, os primeiros quacres e os primeiros metodistas, por exemplo. Note como a palavra "primeiro" precisa ser usada. A necessidade se dá porque o "vaso" que emerge de modo gradual no curso de uma erupção particular do discipulado radical acaba subjugando o "tesouro" divino que ele inicialmente serviu para transportar. Essa é uma estratégia satânica fundamental para derrotar a causa de Cristo na terra. Portanto temos aqui mais outra tradição a ser acrescentada ao museu da história cristã.

Em geral, tal processo significa uma instituição de algum tipo, talvez uma igreja local ou uma demoninação, cuja perpetuação e sobrevivência se torna a principal preocupação do que se associaram a ela. O discipulado de Cristo é afastado por completo dos objetivos básicos ou é redefinido como devoção à instituição. A formação espiritual, em alguns casos, é então de fato e explicitamente entendida como o processo de conformação à tradição. Ser discípulo e fazer discípulos no sentido óbvio do Novo Testamento é omitido das congregações locais e de seus grupos mais elevados.


Dallas Willard, A Renovação do Coração, pp.291-292

Leia também: