11 de agosto de 2010

Por um Evangelho Melhor

Desde quando este blog passou a existir, registramos aqui que algo notável acontecia e uma nova geração começava a questionar o papel da igreja na realidade atual.

A matéria da Revista Época desta semana sintetiza uma grande parte da conversa que emergiu nos últimos anos.

Não há consenso acerca da abordagens e das conclusões. Cito algumas reações à matéria para exemplificar pontos divergentes e convergentes nessas discussões:

Para o editor do blog Pão e Vinho, alinhado com a proposta da igreja nos lares, "Mais uma vez comprova-se que o fenômeno do cristianismo simples está crescendo e cada vez mais chamando a atenção tanto da Igreja institucional quanto da mídia secular" ainda que o articulista cite "três correntes, sem se preocupar em diferenciá-las. A primeira, é a Igreja nos lares, a segunda é a Igreja emergente e a terceira é a dos blogueiros apologistas. Ele converge estas três correntes em um movimento de reação contra as exuberâncias do neopentecostalismo."

Robinson Calvalcanti, bispo anglicano, por sua vez, afirma que "no protestantismo brasileiro há várias tentativas sérias de resposta tanto ao imobilismo tradicionalista quanto ao sincretismo manipulador. O que emana da matéria, porém, é uma espécie de neoanabatismo piorado: anti-histórico, anti-institucional, anti-confessional e iconoclasta. Não creio que um pretenso pós-evangelicalismo restauracionista e basista seja a proposta mais adequada para os problemas atuais da Igreja de Jesus Cristo – esse organismo-organização/corpo-instituição – legada pelos apóstolos e pelo consenso histórico dos fiéis."

Na opinião de Augustus Nicodemus, pastor presbiteriano e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, "o articulista, reuniu depoimentos de líderes evangélicos de diversos segmentos e mostrou como todos eles concordam em sua rejeição às doutrinas e práticas das igrejas neopentecostais e o desejo por uma mudança profunda nos atuais rumos da igreja evangélica brasileira." E assim como os outros blogueiros, manifestou desconforto com alguns pontos da matéria, a exemplo da menção de e afirma que "os chamados 'novos evangélicos' concordam apenas que é preciso uma mudança, mas discordam entre si quanto ao modelo de igreja que deve ocupar o lugar desta seitas.

Tenho procurado acompanhar esses debates enquanto cuido de cultivar minha própria formação espiritual. Tenho lido livros como "Por que você não quer mais ir à igreja?", de Waybe Jacobsen, mais próximo do grupo das igrejas domésticas e agora estou lendo "Por que amamos a igreja", de Kevin DeYoung, representante da ala defensora da ortodoxia.

Considero muito interessantes perspectivas como a de Sandro Baggio, que se engajou nas conversas emergentes e depois declarou não mais se encaixar no rótulo devido ao liberalismo e esquerdismo que teria tomado conta da VillageSandro parece endossar a posição de Mark Driscoll sobre doutrina e contextualização do evangelho, como a discussão acerca do "Cristianismo Pagão" revela.

Vale mencionar o nome de Dan Kimball que também mantém uma postura equilibrada ao se envolver na discussão sem perder a identidade evangélica.

Outro nome que devemos citar é de Todd Hunter cuja jornada passa pelos círculos emergentes e, pela via do ardor evangelístico, chega à Igreja Anglicana.

Por fim, admiro o trabalho de Ed Stetzer, missiólogo batista que  tem se relacionado com partes diferentes do corpo de Cristo e encorajado todos a se lançar no cumprimento da Grande Comissão. Em recente artigo sobre as tendências futuras no evangelicalismo, Stetzer assevera:

Acho interessante que dois dos movimentos mais interessantes na igreja a partir desta primeira década do milênio foram o movimento da igreja emergente e o novo movimento Reformado. Conquanto eles tivessem muitas diferenças entre si, uma coisa que eles compartilhavam em comum era o seguinte: ambos estavam buscando um evangelho melhor.