13 de maio de 2008

Ciência e Deus

A ciência trabalha com fatos concretos. Porém neste seminário tivemos a oportunidade de entender que deve-se buscar um “algo mais” na ciência, que talvez o subjetivo seja um fator importante para o estudo. Neste trabalho, pesquisei com o meu grupo sobre os mistérios da ciência, dentre os diversos assuntos que poderia retratar escolhi um que não apenas me intrigasse, nem que gerasse questionamentos dentro de mim, mas que servisse como reflexão para entender que a ciência não deve ser entendida como a única explicação para duvidas, principalmente quando elas estão relacionadas a dúvidas existenciais.

Falar sobre Deus no meio acadêmico ainda é visto com preconceito por muitos, e me dispus a retratar aquilo que penso e vivencio da melhor forma possível e que abrangesse ao interesse de todos da turma, por isso pensei em refletir sobre o questionamento entre a ciência e Deus. Tais conceitos se contradizem? É possível pensar sobre um e dar valor ao outro? E o que dizer de um médico, cientista, biólogo ou qualquer profissão onde tem a ciência como padrão de estudo, é possível conciliar tais profissões com a crença em Deus?

Na busca a respostas é justificável recorrer a Deus, esse foi o argumento principal que trouxe, talvez possamos ter as mais diversas dúvidas respondidas pela ciência mas ainda não conseguimos comprender questões como: quem somos? Para onde vamos depois daqui? Porque estamos aqui? Qual a razão do universo ser dessa maneira? Se de uma explosão resultou o que somos hoje, de onde veio essa explosão? Não é de se admirar que muitos cientistas já tem olhado para essas perguntas e buscado encontrar soluções para elas no conceito de um ser superior, um Deus capaz de realizar atos perfeitos pela humanidade. Talvez o maior exemplo desses cientistas seja Francis Collins, diretor do projeto genoma e que abertamente crê em Deus, mostrando que a ciência e a fé não são inconpatíveis mas sim complementares.

Além de tais questões existenciais, pensar sobre Deus consequentemente também leva a questões morais. Para muitos a noção de Deus já deveria ser extinta, que por nos tratarmos de uma sociedade evoluída crer em um ser superior deixaria de ser uma prioridade do homem, tal teoria não possui fundamento na prática, isso devido a que mesmo com toda nossa evolução ainda há um crescente avanço em uma busca por um sentido, que muitos, assim como eu, acreditam encontrar em Deus. Durante o seminário pude notar isso não somente em meu trabalho, mas principalmente no grupo que buscou mostrar o novo paradigma da comunicação, que não se volta apenas ao lucro e a venda de um produto ou serviço, mas que busca atingir através de simbolismos éticos, morais e até espirituais o consumidor. O autor pesquisado pelos colegas em seu texto “A procura de um novo paradigma” sinaliza para essa nova integração da sociedade de consumo com um discurso mais humanizador e até mesmo teológico quando ele diz que deve-se “recuperar, quem sabe, até as velharias como a teologia. Não a teologia enquanto um discurso voltado somente para a comunidade dos crentes (um discurso que pressupõe a fé dos interlocutores) mas enquanto um discurso sobre as esperanças humanas a partir das vítimas do mundo”. Nossa sociedade tem tomado um rumo para uma desesperança, porém quando vemos a comunicação tomando o partido de um renovoe a esperança não podemos sentir um toque de divino nisso? Durante meu trabalho pesquisei sobre o escritor C.S Lewis e uma de suas melhores frases é com relação a esperança: “Se eu descubro em mim um desejo que nenhuma experiência no mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui criado para outro mundo”, talvez a sociedade rumando para a construção de um novo mundo, por mais utópico que possa parecer, possa ser o reflexo de uma busca por algo superior.

Além disso, outro trabalho que posso relacionar ao meu e também chamou minha atenção, foi a apresentação do texto Exclusão fora de foco, em que existe uma crítica com relação aquelas pessoas que se aproveitam de problemas sociais para se promover, que foi muito bem representada no filme Quanto vale ou é por quilo? e me fez refletir sobre as pessoas que se apropriam das noções de Deus para também o proveito próprio, e que sem dúvida são as responsáveis pela criação de uma imagem deturpada e preconceituosa na mente das pessoas. Só que se analisarmos não vemos erros e pessoas que se aproveitam em todos os setores de nossa sociedade?

A espiritualidade é como uma água, mas infelizmente ela se torna turva a medida que corre entre os humanos, porém é necessário, como provado por esse seminário refletir não apenas na ciência, mas pensar e tornar justificável a noção de um Deus, que não é apenas um velho barbudo sentado em algum lugar do universo, mas que nos oferece sentido de vida, existência e principalmente esperança de um mundo melhor.


Resumo do trabalho acadêmico do Everson Barbosa (Comunicação Social - Hab. em Publicidade e Propaganda), demonstrando as possibilidades que um universitário cristão tem para um testemunho relevante.