10 de maio de 2008

Paternidade Revelada

De repente, um grande momento de esperança me inundou. Suponha, apenas suponha que Deus é como um pai. Se meu pai terreno colocaria tudo de lado para me ouvir, não faria isso meu Pai também? [...] Tremendo de emoção, levantei da cama, coloquei meus joelhos no tapete, olhei para o céu e, num novo e rico entendimento, chamei Deus de "meu Pai". Eu não estava preparada para o que aconteceu.

De repente, a sala não estava mais vazia. Ele estava lá! Pude sentir sua presença. Pude sentir sua mão gentilmente colocada na minha cabeça. Foi como se pudesse ver seus olhos, cheios de amor e de compaixão. Ele estava tão perto que me vi deitando a cabeça em seus joelhos, como uma garotinha se senta aos pés de seu pai. Por um longo tempo fiquei lá ajoelhada, soluçando calmamente, flutuando em seu amor. Eu me peguei falando com ele, pedindo desculpas por não tê-lo conhecido antes. E novamente veio sua compaixão amorosa, como um cobertor quente me envolvendo. [...] Alcancei a mesa ao lado da cama, onde guardava a Bíblia e o Alcorão lado a lado. Peguei os dois livros e os ergui, um em cada mão. "Qual, Pai?", disse eu. "Qual é o seu livro?"

Então, algo marcante aconteceu. Nada parecido com aquilo havia acontecido na minha vida, nunca daquela forma. Pois ouvi uma voz dentro do meu ser, uma voz que falava comigo de forma tão clara, como se eu estivesse repetindo as palavras no interior de minha mente. As palavras eram tenras, cheias de carinho e, ao mesmo tempo, cheias de autoridade. A voz perguntava, "Em qual livro você me encontrou como Pai?".

A princesa muçulmana Bilquis Sheikh conta como a paternidade de Deus quebrantou seu coração.
I dared call Him Father, p. 41-3.
Atrevi-me a chamar-lhe Pai (São Paulo: Vida, 1985)