23 de agosto de 2009

Fazer o Que Eles Fizeram

Desde que li pela primeira vez Lutero e Calvino, principalmente o último, eu determinei que, quer eu concordasse ou não com ele em tudo o que disse, o seu método indicado e praticado seria o meu também: embeber-me da Bíblia, em hebraico e aramaico do Antigo Testamento e no grego do Novo Testamento, para obtê-la na minha corrente sanguínea, por todos os meios possíveis, na oração e esperança que eu seria capaz de ensinar de novo as Escrituras para a igreja e o mundo. A maior homenagem que podemos prestar aos Reformadores não é tratá-los como infalíveis -- eles ficariam horrorizados com isso -- mas fazer o que eles fizeram.

N. T. Wright, Justification: God's Plan and Paul's Vision,

7 de agosto de 2009

Renunciar ou Institucionalizar

Tornar-se um discípulo de Jesus é uma questão de renunciar à sua vida como você a entendia até aquele momento. E sem semelhante "rendição" não é possível ser discípulo do Mestre, pois você pensará que ainda está no comando, precisando apenas de alguma ajuda de Jesus para seu projeto de uma vida mais próspera. Mas a idéia de uma "vida próspera" é precisamente o nosso problema.

Os grupos e as épocas em que a tranformação individual e social rumo à semelhança com Cristo aconteceram de forma manifesta, e que estremeceram a ordem humana até suas fundações, experimentaram essa verdade de maneira completa: os cristãos primitivos, os primeiros monásticos, os primeiros franciscanos ou os primeiros dominicanos, os primeiros quacres e os primeiros metodistas, por exemplo. Note como a palavra "primeiro" precisa ser usada. A necessidade se dá porque o "vaso" que emerge de modo gradual no curso de uma erupção particular do discipulado radical acaba subjugando o "tesouro" divino que ele inicialmente serviu para transportar. Essa é uma estratégia satânica fundamental para derrotar a causa de Cristo na terra. Portanto temos aqui mais outra tradição a ser acrescentada ao museu da história cristã.

Em geral, tal processo significa uma instituição de algum tipo, talvez uma igreja local ou uma demoninação, cuja perpetuação e sobrevivência se torna a principal preocupação do que se associaram a ela. O discipulado de Cristo é afastado por completo dos objetivos básicos ou é redefinido como devoção à instituição. A formação espiritual, em alguns casos, é então de fato e explicitamente entendida como o processo de conformação à tradição. Ser discípulo e fazer discípulos no sentido óbvio do Novo Testamento é omitido das congregações locais e de seus grupos mais elevados.


Dallas Willard, A Renovação do Coração, pp.291-292

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4 de agosto de 2009

Justificação pela Fé - nova perspectiva

Como é então que a "justificação pela fé" se opera? Em Romanos 2, Paulo já falou da justificação definitiva do povo de Deus, com base em toda a sua vida. Esta justificação ocorrerá no final, quando Deus julgar os segredos de todos os corações através do Messias. A questão da justificação pela fé é que, como Paulo insiste em 3:26, esta justificação tem lugar no presente, em oposição ao último dia. Esta questão tem a ver com as perguntas: "Quem pertence hoje ao povo de Deus?" e "Como se pode afirmar?" A resposta é: todos os que crêem no evangelho pertencem ao povo de Deus hoje, e, portanto, não importa quem tenham sido os pais, ou como se obedeceu à Torá (ou a qualquer outro código moral), ou se foi aplicada ou não a circuncisão. Para Paulo, a justificação é um subconjunto da eleição, isto é, faz parte de sua doutrina sobre o povo de Deus.

Sem dúvida, apesar de muitos esforços para impor esta conclusão, não quer dizer que a justificação nada tenha a ver com a salvação dos pecadores, do pecado e da morte pelo amor e pela graça de Deus. A eleição sempre supõe que os seres humanos são pecadores, que o mundo jaz no caos e que Deus está montando uma operação de resgate. Esta é a finalidade da aliança, e por isso é que "pertencer à aliança" significa, entre outras coisas, "o perdão do pecador". O que se prova é que a "justificação" em si não denota o processo ou o acontecimento pelo qual a pessoa é conduzida da descrença, da idolatria e do pecado para a fé, a verdadeira adoração e a renovação da vida, por obra da graça. Paulo emprega uma palavra clara e inequívoca neste sentido: ele fala de "chamado". A palavra "justificação", apesar de uso equivocado do termo pelos cristãos durante séculos, é empregada por Paulo para denotar o que acontece imediatamente depois do "chamado": "aos que chamou também justificou" (Rm 8:30). Em outras palavras, aqueles que ouvem o evangelho e a ele respondem na fé são, assim, declarados por Deus seu povo, seus eleitos, "a circuncisão", "os judeus", "o Israel de Deus", distinguidos com a condição de dikaios, "justos, participantes da aliança".

Mas a palavra "chamado" por si mesma e o fato de que a "justificação" não se refere ao modo "como sou salvo", mas ao modo "como sou declarado membro do povo de Deus", devem sempre abranger também os planos maiores da aliança. Na verdade, o esquecimento deste ponto, como tantas vezes ocorreu na teologia ocidental, tanto do catolicismo como do protestantismo, equivale a incidir no erro bem parecido pelo qual Paulo censura seus concidadãos. O objetivo da aliança era enfrentar a idolatria e o pecado para que o mundo como um todo pudesse ser resgatado, e não se discute, como lemos em Romanos 5-8, que é para este objetivo que Paulo encaminha seu argumento. Assim, a idéia dos seres humanos chamados pelo evangelho a abandonarem a idolatria e o pecado a fim de passarem a adorar o Deus vivo e verdadeiro significa por um lado, que eles podem ser resgatados e, por outro lado, que através deste resgate e pela comunidade que passam a formar poderá concretizar-se o plano de Deus de resgatar o mundo inteiro. É por esta razão que em Romanos 5:17 Paulo diz que os justificados "reinarão na vida"; o objetivo não é simplesmente que eles sejam resgatados da calamidade, mas que através deles Deus possa governar sua nova criação. É por esta razão também que a união de judeus e gentios em uma única família é uma idéia essencial para a justificação. Não se trata unicamente de tornar a vida mais fácil para os gentios convertidos aos quais podia não agradar a idéia da circuncisão, como alguns comentaristas já afirmaram, tentando ridicularizar a "nova perspectiva", mas, como Paulo explica tão brilhantemente em Efésios 3, o que se pretende inculcar é que pela criação da família formada de judeus mais gentios o Deus vivo possa implantar o projeto completo da nova criação, declarando aos principados e potestades que sua hora já chegou. A eleição repensada em torno do Messias, e reelaborada por Paulo em seus esforços apostólicos para gerar e sustentar exatamente este tipo de comunidade, mantém juntos elementos de seu pensamento que muitos séculos de sistemas alternativos mantiveram separados.


3 de agosto de 2009

Arrebatamento

"... a passagem-chave de 1 Tessalonicences 4, passagem apocalíptica, se é que se pode atribuir alguma passagem apocalíptica a Paulo, não pode ser encarada como se predissesse o que na América do Norte atualmente se tornou um tema principal, a saber, o "arrebatamento" em que o povo de Deus será arrebatado literalmente para a atmosfera, deixando casas, automóveis e famílias para trás e escapando para sempre do mundo de espaço-tempo que se precipita na ruína. A idéia da passagem mencionada é o conforto das pessoas enlutadas. O que Paulo visa neste texto é afirmar com insistência que aqueles que morreram e os que ainda estiverem vivos, quando o Messias aparecer como rei, haverão de herdar a nova era que ele virá inaugurar, mas a linguagem que Paulo emprega para expor seu argumento, que é uma combinação de imagens apocalípticas clássicas, deve ser visto como o que na realidade é: uma evocação de Daniel 7 (o filho do homem vindo nas nuvens) e do apocalipse do monte Sinai (o clamor e a trombeta e Moisés descendo com a Lei).


N. T. Wright, Paulo - Novas Perspectivas, p.78

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2 de agosto de 2009

30000 crianças

“Enquanto você dormia ontem, 30000 crianças morreram de fome ou de doenças relacionadas a má nutrição. E mais, a maioria de vocês nunca ajudaram em merda nenhuma. E o que é pior: você está mais perturbado com o fato de eu ter dito “merda” do que com a notícia de que 30000 crianças morreram de fome na última noite.”

Tony Campolo



Fonte: Livraria do Thiago

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