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22 de agosto de 2007

PROFUNDA ESPIRITUALIDADE

Em A renovação do coração Dallas Willard fala da "transformação do espírito"

POR H. GUTHER FAGGION


Aqueles que procuram auto-ajuda espiritual devem se aventurar na literatura do escritor Dallas Willard com bote salva-vidas. A experiência pode resultar num grande naufrágio. Ao sobreviver a essa turbulência, no entanto, o leitor sairá, no mínimo, com uma nova percepção de espiritualidade — muito mais profunda. Já os leitores que tiveram contato com o material desse professor de filosofia e estudioso da obra de Edmund Husserl verão a mesma consistência natural do autor de A conspiração divina (Mundo Cristão) em seu mais recente lançamento: A renovação do coração.
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Considerado um dos luminares do Renovaré — grupos interdenominacionais de formação espiritual criados por Richard Foster —, Willard é professor da Faculdade de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia e ocupou uma cadeira na diretoria da Fundação C. S. Lewis.
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Nascido em 1935 na cidade de Bufalo, Missouri (EUA), suas obras filosóficas concentram-se nas áreas da Epistemologia e da Filosofia da Mente e da Lógica. A grande paixão como autor foi, porém, direcionada para a religião e a espiritualidade. Em 1999, ganhou o prêmio Livro do Ano da revista Christianity Today por A conspiração divina. A premiação se repetiu em 2003 com A renovação do coração. Crítico da espiritualidade superficial dos cristãos contemporâneos, Willard é incisivo ao afirmar que é possível experimentar as bênçãos dos primeiros cristãos conforme as passagens bíblicas. "A boa notícia é que para isso não se fazem necessários programas complexos, instalações caras e técnicas secretas — precisamos dar apenas alguns passos curtos e ordenados", afirma.
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Mas Dallas Willard não faz o gênero "guru". Seu objetivo, claro e insuspeito, é conduzir à reflexão, e não vociferar regras e postulados. Em A renovação do coração lança sua pena voraz na defesa do que chama de "transformação do espírito", um processo divino por meio do qual cada elemento do ser se harmoniza com a vontade do Criador. "O que muitas vezes acontece em todos os tipos de instituições cristãs não é a formação de pessoas segundo o caráter de Cristo, mas o ensinamento de conformação exterior. Você não enfrentará problemas se não tiver o caráter de Cristo, mas estará em dificuldades se não obedecer às leis. É muito importante entender que formação de caráter não é mudança de comportamento. Muitas pessoas interpretam-na de maneira errada e classificam-na na mesma categoria dos Alcoólicos Anônimos. No âmbito da formação espiritual, porém, não estamos falando em mudança de comportamento", diz. "Nos Estados Unidos, a direita teológica considera que discipulado significa treinar pessoas para ganharem almas. Para a esquerda, passou a significar ação social — protestar, servir sopas etc. Ambas deixaram de lado a transformação de caráter".
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25 de julho de 2007

Assuma o Caráter de Cristo


Esse é o subtítulo da obra que será lançada em agosto pela Editora Mundo Cristão e que já está em pré-venda: A renovação do coração, de Dallas Willard.

Sinopse:

Novo nascimento não combina com velhos hábitos.De forma geral, quem se convertia até uns 30 anos atrás ainda deve lembrar do que a maioria dos pastores costumava bradar dos púlpitos: “Você tem que mudar tudo em sua vida para seguir a Jesus!” Mas alguma coisa aconteceu nas últimas décadas, e o discurso mudou. Para não criar antipatia contra o rebanho, nem afugentar potenciais fiéis, muitos líderes passaram a inverter a lógica, e garantem que não é preciso mudar nada para seguir a Jesus.


Para Dallas Willard, representante mais do que legítimo de uma multidão de pessoas preocupadas com os rumos da Igreja moderna, ninguém nasce de novo para continuar sendo o que era antes. Por isso a estranheza que tal falta de solidez espiritual lhe causa – fraqueza esta que, a seu ver, tem sido a ruína do povo de Deus. Afinal, não deveria ser comum encontrar um número tão grande de crentes envolvidos em pecados sexuais, improbidade financeira e tantos outros desvios morais.

O que falta a essa gente que carrega o nome de Cristo, mas se recusa a imitar o caráter do Salvador? A resposta está em A renovação do coração, no qual o autor do sucesso Conspiração divina (também publicado no Brasil pela Editora Mundo Cristão) defende o que chama “transformação do espírito”, um processo divino por meio do qual cada elemento do ser se harmoniza com a vontade do Criador.

Em linguagem objetiva, e ainda assim repleta de sensibilidade, Willard vasculha os processos e os componentes da natureza humana para propor um discipulado pessoal e o enfrentamento sem rodeios dos desafios à autenticidade da fé. O resultado, segundo ele, fica patente “quando todas as partes essenciais do ser humano são efetivamente organizadas em função de Deus, e por ele restauradas e sustentadas”.

Dallas Willard

Teólogo e professor da Escola de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia, também foi professor na Universideade de Wisconsin. É graduado em Psicologia pela Faculdade William Jewell e em Filosofia e Religião pela Universidade Baylor, onde fez o doutorado. Suas obras filosóficas são concentradas nas áreas da Epistemologia e da Filosofia da Mente e da Lógica. Trabalhou também na Fundação C.S. Lewis e na Universidade de Biola.


Muito prestigiado nos Estados Unidos, Willard tornou-se mais conhecido dos brasileiros depois da publicação de A conspiração divina (Mundo Cristão), obra que se tornou uma referência na reflexão sobre os diversos aspectos da espiritualidade cristã. Já de longo tempo, tem sido uma voz eloqüente na defesa da relevância de Deus na vida moderna. Por outro lado, revela-se um crítico ferrenho do comodismo e do conformismo da Igreja de nossos dias.

A renovação do coração é uma de suas obras mais festejadas, tendo recebido o Book Award da revista Christianity Today em 2003 na categoria “Espiritualidade”. Conspiração divina já havia sido contemplado com o prêmio “Livro do Ano” da mesma publicação. Nascido no Missouri, em 1935, Dallas Willard vive hoje no sul da Califória com a esposa Jane. O casal tem dois filhos e uma neta.Willard enfrenta a questão central da fé cristã: como ser mais parecido com Cristo?

(...) Muitos evangélicos apreciarão sua abordagem leve do crescimento espiritual cristão, não orientada por sentimentos de culpa. O livro é fortemente embasado na Bíblia. Publishers Weekly

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Há muito tempo espero a publicação desta obra em português. Tenho um exemplar em inglês e um em espanhol, além de duas outras obras em inglês baseadas no livro. Realmente sonho que este livro tenha uma divulgação muito ampla e que o maior número de pessoas o estudem.
Que venha o Reino de Deus!





24 de agosto de 2007

Deus avança

"Deus periodicamente age sobre seu povo e a cultura que o cerca para alcançar seus propósitos eternos naquela minúscula extensão de tempo cósmico que chamamos "história humana". O que em geral ocorre de um modo que ninguém, exceto ele, poderia ter planejado ou previsto, e de uma forma que está muito além de nosso controle ou compreensão.

Descobrimos, normalmente depois do fato, que uma mudança penetrante e poderosa aconteceu. Uma mudança que pode se dar no indivíduo, no grupo ou em toda uma cultura. Formas tradicionais de fazer as coisas perdem sua eficácia, ainda que tenham sido muito poderosas no passado. Em tais condições, surge o perigo muito real de nos colocarmos em oposição ao que Deus verdadeiramente está fazendo agora e projeta fazer no futuro. Muitas vezes perdemos a oportunidade de agir com Deus no momento presente. Falhamos em encontrar, com a devida rapidez, o odre novo para o novo vinho.

Uma nova manobra de Deus ocorreu com o surgimento do povo hebreu vindo do Egito, "quando chegou a plenitude do tempo", e de novo com a sua ida para o exílio babilônico e, depois, seu retorno de lá. E ainda, vemos o movimento divino no surgimento do povo "cristão" dentro da cultura judaica e, então, o nascimento de um "corpo de Cristo" não-étnico a partir da igreja judaica.

Desde então, os movimentos penetrantes e poderosos de Deus têm acontecido continuamente e sempre durante essa curta permanência de Cristo em seu povo: a derrota do paganismo clássico, o surgimento da forma monástica de devoção cristã, os cistercienses, os franciscanos e as transformações da devotio moderna no monasticismo, a Reforma protestante, o pietismo, o wesleyanismo e o reavivamento estadunidense, além de muitos outros movimentos similares de menor impacto histórico, como as rebeldias contraculturais carismáticas do século XX (o "Povo de Jesus" e outras). O surgimento e o fortalecimento de tais movimentos são claramente o resultado da mão de Deus em nossa vida.

E Deus ainda está agindo. A busca pela formação espiritual (na verdade, conforme indicado, pela transformação espiritual) é de fato antiqüíssima e universal. Ela está arraigada na profunda necessidade pessoal, e até mesmo biológica, de bondade que assombra a humanidade. Ela tomou muitas formas e voltou agora à tona, no início do século XXI, para se encontrar com nossa atual situação. Um processo que, tenho certeza, é parte de uma maré de vida divina que hoje sobe para erguer nossa vida em uma viagem à eternidade. Nosso coração clama: "Senhor, eu quero ser um cristão em meu coração".

Assim, essa busca, atualmente tão profundamente experimentada, é ao mesmo tempo nova e muito antiga, tão promissora quanto cheia de perigo, iluminadora de nossas falhas e fracassos, e repleta de graça, uma expressão da eterna procura de Deus pelo homem e da necessidade irremovível que o homem tem de Deus. A busca contemporânea pela formação espiritual é essencial à vida de Deus em seu povo, à medida que este agora se move em direção ao cumprimento dos propósitos divinos, para hoje e para o futuro.

Visto da perspectiva sociológica e histórica, bem como espiritual, o novo impulso é um aspecto da dissolução do sectarismo protestante, como nós o conhecemos, e do surgimento de uma nova — mas também antiga — identidade para os cristãos: a intersecção de todas as linhas denominacionais e fronteiras nacionais e naturais.

Hoje, em geral, reconhece-se que a pergunta "Eu sou um cristão?" já não pode ser respondida de nenhum modo significativo pela menção de nomes ou símbolos denominacionais, étnicos ou nacionais. Existem atualmente 33.800 denominações cristãs diferentes na terra.5 É evidente que uma resposta adequada tem de ser mais profunda que nomear nossas associações religiosas; ela deve se referir ao que somos em nosso coração, diante de Deus, no profundo de nosso ser, sempre o centro da formação espiritual cristã.

Tal resposta sempre foi exigida "diante de Deus". Quem poderá negá-lo? Mas isso nem sempre foi reconhecido e enfatizado de forma adequada entre nós — especialmente no passado recente —, embora começamos a fazê-lo cada vez mais hoje. Essa mudança é uma coisa extremamente boa e um início altamente promissor a partir desse passado dos cristãos no mundo. "
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trecho do primeiro capítulo do livro "A Renovação do Coração", de Dallas Willard, que está saindo do forno pela Editora Mundo Cristão.

21 de fevereiro de 2008

Não Dou a Mínima

Certa vez, C. T. Studd desconcertou alguns de seus colegas missionários no Congo ao chamar sua campanha de "NDM" (DCD campaign), que significa "Não Dou a Mínima" (Don't Care a Damn) para coisa alguma, exceto para Cristo. Ele pegou o símbolo da caveira com osso cruzados (skull and crossbones) e pôs um "NDM" (DCD) embaixo, pregou a nova insígnia em jaquetas e bonés, e a afixou em edifícios e equipamentos.

"Sua intenção era que ele e seu grupo missionário não se importasse com nada, senão Cristo (nem mesmo com suas famílias e amigos). Não deviam permitir que nada prejudicasse ou entrasse em conflito com isso. Todos os desejos menores deveriam ser mortos (portanto, o distintivo macabro!)" (Margaret MAGDALEN, A Spiritual Check-up: Avoiding Mediocrity in the Christian Life, East Sussex: Highland Books, 1990, p. 101.)

Algumas pessoas, naturalmente, ficaram mais preocupadas com a linguagem considerada inconveniente do que com o coração não entregue a Cristo completamente.

Dallas Willard, A Renovação do Coração, São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 182-183


O símbolo da caveira com ossos cruzados se parece (uma variação?) com o símbolo "Faca na Caveira", popularizado recentemente pelo filme "Tropa de Elite" e apelidado de "Caveira do BOPE"

O símbolo da caveira foi usada pelos maçons, pela frota dos Templários e por piratas europeus e americanos. Hoje pode significar perigo ou substância tóxica.

A Faca na caveira é tida, nos círculos dos diversos comandos, como símbolo da superação humana, da vitória da vida sobre a morte, na execução das missões, pelo combatente das forças policiais especiais.


Curioso é o fato de que existe uma diferença, percebida por poucos, entre o Símbolo da "Faca na Caveira" que aparece estampado nas viaturas e uniformes dos homens do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) do filme "Tropa de Elite" e o Símbolo usado pelo BOPE na realidade. Confira visitando o "Blog do Bope".


A caveira não é propriamente uma cruz, não obstante trata-se de um elemento simbólico associado à cruz, devido ao cruzamento dos ossos sobre os quais sobrepõe-se a caveira.

"A cruz é a imagem e o símbolo mais poderosos da história humana. Ela representa a perdição do homem assim como o sacrifício de Deus e a renúncia a Deus que traz redenção. Em seu benefício, os seguidores de Jesus devem manter a imagem da cruz presente de maneira vívida na mente. (Dallas Willard)

Quanto ao símbolo da caveira, que significa "vitória sobre a morte e às adversidades", o subcomandante do Bope, Major René, afirmou recentemente -- acerca do projeto de lei do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP) que propõe que a caveira, símbolo do Bope, e o uniforme preto do batalhão se tornem patrimônios culturais do Rio de Janeiro -- que "não há plano de mudanças".

O cineasta José Padilha, diretor do filme "Tropa de Elite", vencedor do Urso de Ouro em Berlim, recebeu com risos a notícia do projeto de lei. Ele disse que repudia a proposta e que gostaria que os deputados do Rio se preocupassem com problemas mais relevantes. "Eu acho que o símbolo do Bope representa bem o que ele é. Afirmar o símbolo como patrimônio cultural é aceitar a derrota da segurança pública", declarou.

O mesmo diretor classificou crítica a "Tropa" de "ignorante" e "estúpida". (Sobre o filme encaminho você para o texto que o Ricardo Oliveira (Diversità) escreveu e para o texto de Luiz Zanin)

Quanto à rispidez -- quer a do capitão Nascimento, policial protagonista do longa, quer aquela do diretor, da crítica de arte em geral -- , e à violência e à tudo que é macabro em nosso mundo decaído, devo estar bem informado, mas no sentido empregado por C. T. Studd, não dou a mínima.

Pois a condição que busco atingir exige obstinada concentração em fazer a vontade de Deus em tudo, sem distrações.

9 de novembro de 2007

Sensualidade


"O corpo humano se torna a princiapal área de prazer do sujeito que não vive honesta e interativamente com Deus, e também a fonte primária de terror, tortura e morte. Portanto, é uma coisa “óbvia” a virada dos que adoram e servem “a criatura em lugar do Criador” (Rm 1.25). Como o prazer corporal é o que desejam, o que eles escolhem buscar, Deus os abandona à busca de cada sensação aprazível que eles possam extrair do corpo – sobretudo da sexual, pois é a que oferece grande "sensação"; no entanto a violência corporal vem logo em seguida. Eis a raiz espiritual da obsessão com “sexo e violência” nas sociedades em declínio, a nossa ou de outras épocas e lugares.

“Amor livre”, como é eufemística e falsamente chamado, com as várias formas de perversão, é apenas uma extensão da adoração do corpo (versos 26-27) – do mesmo modo que a adoração dos seios, vagina, e pênis é testemunhada tanto pela arqueologia como pela vida moderna (como pelos “bíceps” e “nádegas” de hoje). Conforme a lógica ensina-nos, tudo provém de uma falsidade. Se o que é falso é verdadeiro, então tudo é. Logo, tudo pode.

Mas então se produz aquela sensualidade que
não pode ser satisfeita. Ela não é autolimitada. Isso ocorre parcialmente porque o efeito do envolvimento nas práticas de sensualidade é o de enfraquecer a sensibilidade. Portanto irrompe o impulso inexorável, a necessidade desesperada de simplesmente sentir, sentir alguma coisa. Esse ímpeto é arraigado na natureza humana básica, como discutiremos mais adiante. Precisamos ter sensibilidade, e ela precisa ser profunda e contínua. Mas se não estivermos vivendo a grande bondade do reino de Deus, a sensualidade por meio do corpo é tudo que nos resta do nosso “reino”.

Paulo recomenda aos Efésios que

não vivam mais como os gentios (aqueles que não conhecem a Deus), que vivem na inutilidade dos seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento do seu coração. Tendo perdido toda a sensibilidade, eles se entregaram à depravação, cometendo com avidez toda espécie de impureza. (Efésios 4: 17-19)

Esta é a progressão natural na fuga de Deus.

O ímpeto para a auto-satisfação surge numa vida sem fronteiras, onde nada é proibido – quando se pode fazê-lo sem cupa. O “Por que?” é substituído por “Por que não?” E desde que isto é o que esses “deuses” querem – licença total – Deus os abandona a uma mente inútil ou disfuncional (
adokimon) – isto é, uma mente que simplesmente não funciona. “Quando eles não viram razão para centrar seus conhecimentos em Deus, Deus os entregou a uma disposião de mente disfuncional, para fazerem o que é indecente.” (Rm 1:28). O resultado é uma humanidade

“cheia de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis.”

E embora eles saibam da condenação de Deus sobre tais coisas, “não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam” (Romanos 1-29-32)."
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Trecho da contundente abordagem de Dallas Willard acerca do "mal radical na alma arruinada", em A Renovação do Coração. Ainda escreverei muito aqui dessa fantástica obra.
A imagem é um recorte da original que se encontra no fotolog do projeto sexxxchurch, interessante serviço
com características próprias dirigido à pornografia / prostituição / sexo inspirado pela XXXCHURCH .

14 de julho de 2007

A renovação do coração.

Finalmente!



"Por que será que ao mesmo tempo em que tantos novos cristãos, tão poucos (dos novos e antigos) se parecem com Cristo?



Essa questão é a motivação central de A renovação do coração, obra tão esperada, que finalmente chega em agosto, conforme anunciado no blog





Dallas Willard, prestigiado teólogo, autor de A conspiração divina, indica o caminho da transformação interior, através de pequenos, porém consistentes passos. Ele apresenta o conceito de formação espiritual para dar o pano de fundo sobre o qual a transformação desejada pode ocorrer e mostra como pensamentos, sentimentos, o corpo e a alma, além do contexto social são caminhos pelos quais a jornada de renovação espiritual se pavimenta."

23 de outubro de 2012

Santificação para a Vida Ordinária - James K. A. Smith


SANTIFICAÇÃO PARA A VIDA ORDINÁRIA
James K. A. Smith*



Há muitas maneiras diferentes de contar a história da Reforma Protestante. Uma maneira predileta centraliza-se no conto heróico de Martinho Lutero, um monge agostiniano recém-convencido por sua descoberta do evangelho forense de Paulo, martelando furiosamente suas 95 Teses na porta da igreja de Wittenberg. A Reforma é assim lançada por uma espécie de postagem de blog medieval sobre a justificação pela fé, que se torna o catalisador de uma narrativa teológica de ação e aventura repleta de batalhas públicas, intriga pelas costas, vilões traiçoeiros, e nosso herói solitário Coração Valente declarando "Aqui estou!"

Um ângulo diferente sobre a história da Reforma -- que é enfatizado por estudiosos tão diversos como Michael Walzer, Nicholas Wolterstorff, e, mais recentemente, pelo filósofo canadense Charles Taylor -- vê a Reforma não apenas como um debate estritamente teológico mas mais amplamente como um movimento cristão de reforma preocupado com a forma de vida social, com a forma como entendemos a nossa vida coram Deo, diante da face de Deus.


A Santificação da Vida Ordinária (comum/corrente)
Como Taylor conta a história, a Reforma Protestante foi um dos vários movimentos de "reforma" no final da Idade Média e do início da era moderna que protestou contra os arranjos sociais distorcidos da cristandade medieval. Em particular, a Reforma pôs em questão a religião de duas camadas que surgiu, com os monges, freiras e sacerdotes (as "vocações de renúncia") na camada superior e com todos os demais atolados na vida ("secular") doméstica consignados ao nível mais baixo como cidadãos espirituais de segunda classe. O "religiosos" adoravam enquanto todos os outros somente trabalhavam.

Neste clima, o impacto verdadeiramente revolucionário da Reforma foi emitido mais de Genebra do que de Wittenberg. Colocando em questão esse arranjo sagrado/secular de dois níveis, reformadores como João Calvino e seus herdeiros recusaram tais distinções. Tudo da vida é para ser vivido diante da face de Deus, eles disseram. Todas as vocações podem ser santas, pois todos os nossos trabalhos culturais podem ser expressões de cuidado pelo mundo de Deus. Não há "secular", porque não há um centímetro quadrado da criação que não seja do Senhor.

O resultado é o que Taylor chama de "santificação da vida ordinária". Por um lado, isso tem um efeito de nivelamento: o monge não é mais santo do que o agricultor, a freira não é mais santa do que a mãe. A vocação religiosa não é mais vista como um atalho para a bênção divina; ao contrário, ela é vista como um um possível desprezo aos dons de Deus. Por outro lado, não é que as vocações de renúncia sejam abolidas; ao contrário, as expectativas para os leigos são aumentadas. Engajamento na vida doméstica não seria uma liberação da busca por santidade. A vida doméstica normal é retomada e santificada e a renúncia é construída na vida comum.

Então, o açougueiro, o padeiro e o fabricante de velas são chamados a servir a Deus, mesmo quando eles são afirmados em suas estações "mundanas". É essa interação de santidade mundana com santa mundanidade que Max Weber chamaria mais tarde de a "ética protestante do trabalho."


Toda a Vida é Adoração
Esta "santificação da vida ordinária" está no coração da herança da Reforma. Somos exortados a fazer tudo para a glória de Deus (1 Coríntios. 10:31). Tudo da vida pode ser adoração. Quer estejamos no laboratório ou no escritório de advocacia, quer cuidando da casa ou jogando futebol, lavrando a terra ou esculpindo o barro, todos os nossos trabalhos culturais podem ser expressões de louvor ao Rei.

Mas esse princípio de que "tudo na vida é adoração" pode ser levado ao extremo, especialmente quando conjugado com uma espécie de kuyperianismo mutante que é um pouco vigoroso no policiamento das fronteiras entre as "esferas", uma estirpe que é mais kuyperiana do que o próprio Kuyper!  Uma vez que tudo na vida é a adoração -- o argumento segue -- então o culto da igreja reunida parece, bem, opcional, talvez até desnecessário. A biblioteca e o laboratório estão a par com a capela, mesmo preferidos sobre capela. Nesta esteira, a "santificação da vida ordinária" torna-se uma diretiva para desocupar o santuário.

É isso o que os reformadores tinham em mente? Ou essa é uma distorção do impulso dos reformadores, como uma versão estendida do jogo de telefone sem fio em que o primeiro sussurro dos reformadores "Toda a vida é sagrada", tem a mensagem truncada ao longo da linha, até que finalmente chega como "Quem precisa da igreja?”.

Expressão e Formação


O alcance do princípio “toda vida é adoração” é parte de um mau hábito que nós assumimos após a reforma: a tendência em reduzir adoração à expressão. Após a reforma, e especialmente no despertamento da modernidade, um estrato significativo do cristianismo contemporâneo tende a pensar adoração apenas como um ato “ascendente” por parte do povo de Deus que se reúne para oferecer seus sacrifícios de louvor, expressando sua gratidão e devoção ao Pai, com o Filho, no poder do Espírito Santo.


Obviamente este é um impulso e entendimento completamente bíblico: se não adorarmos, até mesmo as pedras clamarão. Em um sentido, fomos feitos para adorar. A visão bíblica da história culmina no livro de Apocalipse com uma multidão adorando e reafirmando a exortação do Salmo 150: “Louve o Senhor!”.

Mas, alguém também pode perceber quanto do entendimento expressivista de adoração nutre, e também é nutrido, por alguns dos piores aspectos da modernidade. Adoração-como-expressão é facilmente invadida pelo turbilhão do individualismo. Neste caso, mesmo a reunião de adoração torna-se mais como um conjunto de indivíduos em um encontro privado com Deus no qual adoradores expressam uma devoção “interior”. E, é exatamente este modelo que preza tanto pela “autenticidade”.

O mesmo expressivismo está por trás destas versões do princípio “tudo na vida é adoração” que vê a reunião dominical como algo basicamente opcional. Esta é uma versão “reformada” do “espiritual mas não religioso” que sutilmente pode parecer eloquente a partir de expressões como “a Igreja é a natureza” e a experiência sagrada do nascer do sol de uma montanha.

Mas, através do curso da história (incluindo a reforma), a Igreja sempre entendeu adoração como algo mais do que mera expressão. Adoração cristã é também uma prática formativa precisamente porque adoração é também um encontro “descendente” em que Deus é o ator principal. Adoração não é apenas sobre alguma coisa que nós fazemos; mas também sobre o que ela faz em nós. Adoração é um espaço onde nós somos nutridos pela Palavra e o sacramento – nós comemos a Palavra e o pão que é a Palavra da vida. Tal entendimento da adoração é igualmente central para a herança reformada, e isto está no coração do legado de João Calvino.

Se falharmos em apreciar que a Palavra e sacramento são canais especialmente carregados de poder formativo do Espírito, será fácil imaginar que o culto pode simplesmente acontecer em qualquer lugar. Por outro lado, se apreciarmos a ideia de que adoração cristã ao redor da Palavra e da mesa é o único “hot spot” dos feitos milagrosos do poder do Espírito Santo, então apreciaremos que o santuário não pode ser substituído apenas por qualquer outro espaço no bom mundo de Deus. Por esta razão, é no santuário que somos feitos povo do louvor. Na adoração comunal recebemos a promessa única do Espírito que está atrelada à Palavra e ao sacramento.


(No caso de algum patrulheiro kuyperiano começar a ficar preocupado, pode ser útil lembrar que Kuyper mesmo enfatizou este ponto. A Igreja como “organismo” – que se engajada na atividade cultural – trabalha “em necessária conexão” com a Igreja como “instituição” – que se reúne em adoração cristã. Nossa imersão em práticas formativas como a reunião de adoração cristã ao redor da Palavra e do sacramento nos forma e nos equipa a sermos agentes de renovação cultural. A Igreja como organismo não substitui a igreja como instituição; ao contrário, o organismo precisa ser cuidado pela instituição.)

Abraham Kuyper
Abraham Kuyper (1837-1920) foi um influente pastor, professor, e político na Holanda e tornou-se primeiro ministro do pais em 1901. Ficou conhecido por promover uma cosmovisão cristã, afirmando que as crenças de uma pessoa devem se interpor entre vida pessoal e pública, e também, que Deus é ativo e soberano sobre todas as esferas da vida. Kuyper também pensou sobre adoração, escrevendo o livro “Onze Eredienst” (Nossa Adoração) [N.T.: em inglês: “Our Worship”], que foi traduzido para o inglês por Harry Boonstra (Eerdmans 2009).

Santificação Para a Vida Ordinária
A reunião de adoração cristã ao redor da Palavra e da mesa não é apenas uma plataforma para nossa expressão; é o espaço para nossa (trans)formação no Espírito. As práticas da reunião de adoração cristã possuem um formato específico – precisamente porque é assim que o Espírito nos recruta na história de Deus reconciliando o mundo com ele mesmo em Cristo. Há uma lógica nesta formação intencional, a adoração cristã histórica dramatiza o evangelho repetidamente como um meio para formar e reformar nossos hábitos. Se falharmos em nossa imersão na adoração sacramental e transformativa, não seremos adequadamente formados para sermos embaixadores da redenção de Cristo no e para o mundo. Em resumo, enquanto os reformadores corretamente enfatizavam a santificação da vida ordinária, nem por um momento pensaram que isto seria possível sem serem santificados pela Palavra e por meio do sacramento.

Esta visão uma vez incorporada se tornará muito útil, ou até mesmo, profética, enquanto um corretivo para nossas tendências triunfalistas. A perspectiva reformada de renovação cultural pode nutrir um tipo próprio de “ativismo”, uma confiança em nosso próprio trabalho de transformação cultural. De fato, podemos algumas vezes nos tornar tão consumidos por “transformar a cultura” e perseguir a “shalom”, que nossas atividades muito bem intencionadas acabam se tornando um fim em si mesmas. Dedicamos tanto tempo sendo a igreja-como-organismo que terminamos abandonando a igreja-como-instituição. Não apenas enfatizamos que tudo da vida é adoração, como nos elevamos com gracejos de auto-exaltação com um olhar de desprezo à adoração como se fosse “pietista”, um atraso em relação ao trabalho difícil e sujo da atuação cultural.

Mas, como Kuyper mesmo enfatizou, não temos como perseverar na monumental tarefa de engajamento cultural orientado pelo Reino se não nos habituarmos a sermos cidadãos do Rei. Como o conselho de N.T. Wright nas seguintes páginas:

A obra de Deus no mundo nunca é meramente pragmática. Não é simplesmente “podemos organizar um programa para irmos e fazermos isto”. Se você acha que podemos fazer a obra de Deus desta forma, leia sobre a vida de pessoas como William Wilberforce e pense de novo. Você não pode. Você precisa orar, precisa dos sacramentos, precisa de fidelidade paciente – porque não estamos lutando contra carne e sangue, mas contra principados e poderes que governam o presente mundo de trevas. (Reformed Worship, março de 2009)

Se queremos ser tomados pela missão de Deus de refazer o mundo, santificando a vida ordinária, precisamos ser santificados pelo Espírito através da Palavra e do sacramento. Se tudo da vida deve ser encarado como adoração, o santuário é o lugar onde aprendemos como fazer isto.


Sobre o autor:
James K. A. Smith é professor de filosofia no Calvin College em Grand Rapids, Michigan, onde ensina no departamento de estudos congregacionais e ministeriais.

Tradução: Igor Miguel - @igorpensar; Daniel Vieira - @danieldliver
Original: http://www.reformedworship.org/article/march-2012/sanctification-ordinary-life

Publicado originalmente no Iprodigo: 

28 de maio de 2008

A Renovação em Promoção

A renovação do coração
Dallas Willard


Código: 10579
ISBN: 978-85-7325-488-4
Páginas: 352
Tamanho: 16x23
Categoria: Espiritualidade
Ano: 2007


AMBIENTE 100% SEGURO
De: R$ 39,90
Por: R$ 23,90

+ Citações neste blog de A Renovação do Coração

29 de maio de 2008

O Vaso e o Tesouro

Dallas Willard
O que caracteriza a maioria das nossas congregações locais, grandes ou pequenas em tamanho, é a simples distração. Os muitos tipos de "fracassos" observados de maneira freqüente mostram que o problema fundamental na vida da Igreja contemporânea não está dentro e ao redor das congregações. Eles são muito mais conseqüência que causa.


Em contrapartida, uma das declarações mais proveitosas e profundas que li nos últimos anos sobre a vida da Igreja contemporânea é de Leith Anderson:
Embora o Novo Testamento se refira muitas vezes às igrejas, ele é surpreendentemente silencioso sobre muitas questões que associamos à estrutura e à vida da Igreja. Não há menções à arquitetura, aos púlpitos, à extensão típica dos sermões [ou aos sermões!], às regras da escola dominical. Pouco é dito sobre o estilo da música, a ordem da adoração, ou a duração dos cultos. Não havia Bíblias, denominações, acampamentos, conferências de pastor ou reuniões da diretoria. Os que se esforçam para serem a Igreja do Novo Testamento devem procurar viver seus princípios e verdades absolutas, não reproduzir os detalhes.
Esses detalhes simplesmente não estão determinados.

Agora você pode se pergu
ntar por que o Novo Testamento não diz nada sobre todas essas questões, às quais a congregação habitual de hoje dedica quase todo o seu pensamento e esforço? Resposta: elas não são essenciais e, por isso, devem receber pouca atenção sempre que o fundamental for buscado de forma adequada. Devemos dar a devida atenção aos "princípios e verdades absolutas" da Igreja do Novo Testamento e, como é lógico, o restante se ajustará -- em grande medida porque "o restante", de qualquer modo, não importa muito realmente. Não pôr o foco nos princípios e nas verdades absolutas, em contrapartida, é vagar num estado de distração, no qual a maioria de nossas congregações locais na verdade se encontra. Elas acabam se especializando em questões secundárias, deixando as principais, do ponto de vista do Novo Testamento, desaparecer.

O VASO E O TESOURO

É claro que não acreditamos que somos destraídos. As coisas nas quais investimos nosso esforço parecem, em absoluto, fundamentais. São em geral coisas que fazem um bom e apropriado protestante, católico, anglicano, batista, ou simplesmente um "bom cristão", conforme entendido em condições particulares. Mas as pessoas hoje têm na verdade confundido o vaso com o tesouro.


Paulo nos apresenta uma distinção crucial:
Pois Deus, que disse: 'Das trevas resplandeça a luz', ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. (2 Coríntios 4:6-7)
A aplicação básica dessa distinção entre o tesouro e o vaso se deu no próprio corpo de Paulo e nos eventos visíveis de sua vida terrestre. O apóstolo disse: "Nosso homem exterior é corrompido" (v. 16). Ele não estava preocupado com isso, pois olhava para o seu lado espiritual no mundo espiritual. E ele queria que a fé dos que o ouviam consistisse na "demonstração do poder do Espírito, para que a fé [deles] não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus" (1 Co 2:4-5). A fraqueza do vaso, a realidade física de Paulo, foi aceita e reconhecida por ele como uma oportunidade para o triunfo do tesouro.

Mas os mesmos princípios de "vaso" e "tesouro" se aplicam às congregações locais, às suas tradições e seus grupos de alto-nível chamados de "denominações". Ora, vale observar que quase tudo o que define qualquer denominação é negativo, isto é, alguma coisa que "nós" não fazemos, mas que "eles" fazem. Sem dúvida a maioria de nossos grupos nasceu da negação. Pensemos apenas na massa de pessoas das muitas denominações que são chamadas protestantes. Nossa identidade se vincula ao protesto? Contra o quê? E então dentro das tradições protestantes e católicas existem os inúmeros grupos que foram definidos por aquilo que não fazem e que os outros fazem.


Com o passar do tempo os vários grupos se tornam quase cem por cento vasos. Ou seja, aquilo que parecem considerar essencial e ao que dedicam quase toda a sua atenção e esforço tem a ver com contingências históricas e humanas, associadas a indivíduos formados num certo caminho. Eles naturalmente amam tais contingências, e amam os que compartilham a vida com eles dentro das formas contingentes. E porque as contingências nos são caras -- não raro há muitos espinhos associados ao seu passado -- nós as confundimos com o tesouro da verdadeira presença de Cristo e perdemos muito de nosso tempo preocupados com acasos históricos ou contingências de nosso grupos, tentando até mesmo usá-los como exemplos para os outros, como essenciais para a salvação ou, pelo menos para nós ou para eles. Não é de admirar que estejamos desviados do caminho da formação espiritual em Cristo.


Portanto: que tipo de roupa as pessoas devem usar nas reuniões? Será que devem ficar paradas quando cantam, e o que devem cantar? Deve haver ministério de oração, e ele deve fazer parte do culto, ficar para depois do culto ou num culto diferente? Devemos questionar amistosamente? Se não, quais seriam as alternativas? Devemos esperar (permitir) que os milagres ocorram nos cultos ou apenas a sã doutrina? Como deve ser feita a ceia do Senhor? E o batismo? Devemos usar um livro de oração, e, nesse caso, deve ser o antigo ou o novo? Como devemos levantar fundos para a igreja, e como devem ser gastos? Quem deve gastá-los? Qual deve ser o nosso credo? Devemos ter um? E as pessoas que usam incenso? Ou quem não usa? Ou quem usa roupas incomuns para tratar das coisas ministeriais? Ou quem não usa? E por aí afora.


Agora, por favor, observem: não estou afirmando que tais coisas não tenham importância, ainda que algumas delas estejam por um triz. Quero dizer duas coisas: em primeiro lugar, elas não são o ponto de partida ou as questões centrais e fundamentais. É por isso que o Novo Testamento, conforme Leith Anderson observou, não diz nada a seu respeito. E, em segundo lugar, se você as coloca como essencial ou muito importante -- ou se você as faz apenas de forma prática, no sentido de gastar muito de seu tempo com elas --, a congregação local fará pouco ou nenhum progresso em termos da formação espiritual daqueles que a freqüentam com regularidade. Tais questões "vaso" não levam ninguém à semelhança com Cristo, independentemente do lado em que se baseiam. Esse é um fato provado da vida. Olhe e veja.

(...)

COMO EVITAR A ARMADILHA DO "VASO"

Não há outro caminho para as congregações locais seguir? Podemos evitar a armadilha do vaso? Certamente que não podemos evitar ter vasos. E devemos ser sensíveis a eles, pois isso faz parte do que é ser humano e finito. Até mesmo Jesus teve o seu vaso. Ele era um judeu e isso se tornou a primeira armadilha do vaso que as primeiras congregações de discípulos precisaram enfrentar. Atos e as cartas do Novo Testamento são um registro de como isso foi superado.


Podemos, portanto, evitar fazer do vaso o tesouro. E podemos identificar o tesouro sem fazer referência a qualquer vaso. No entanto, o tesouro sempre terá um vaso. O próprio Jesus nos mostrou o caminho, e a congregação local pode seguir esse caminho. Ele envolve a aplicação no grupo de nosso padrão VIM (Visão, Intenção, Meios) de crescimento espiritual (cf, cap.5), bem como no indivíduo participante.

Em poucas palavras, a congregação local que adotar os "princípios e as verdades absolutas" do Novo Testamento, com a natural conseqüência de se tornar e produzir filhos da luz, tem que apenas seguir as instruções finais de Jesus: "Ao saírem pelo mundo, façam aprendizes de para mim de todos os tipos de pessoas, imergindo-as na realidade Trinitária e ensinando-as a fazer todas as coisas que lhes ordenei" (Mt 28:19-20, paráfrase). As ordens foram acompanhadas de declarações categóricas sobre os muitos recursos para a tarefa: "Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra" e "estarei com vocês a cada momento, até que o trabalho esteja concluído" (v. 18, 20, PAR).


Essas poucas palavras nos apresentam os princípios e as verdades absolutas da Igreja do Novo Testamento, a história relata o resultado. Desde que façamos o que essas palavras dizem, podemos realizar qualquer outra coisa que seja útil para tal fim. E o resto nem mesmo precisa estar "certo" para Deus nos abençoar -- embora sem dúvida é sempre melhor que esteja, contanto que não depositemos nossa confiança em tal certeza. Qualquer um que pensa que Deus abençoa somente o que é "certo" possui uma experiência muito estreita, e é provável que não tenha entendido de fato o que Deus fez por ele.

(do capítulo 13 de "A Renovação do Coração", de Dallas Willard, Editora Mundo Cristão.)

11 de janeiro de 2008

CARNE


"Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e os seus desejos"
(Gl 5:24).
Há 8 anos, quando tive o primeiro contato com a obra de Dallas Willard, iniciou-se um processo em andamento na minha compreensão da espiritualidade cristã. O autor, cuja mais nova obra, A Grande Omissão já está disponível em língua portuguesa, ensina com maestria acerca do que mais importa em todo o pensamento cristão: a formação espiritual.

Exemplo disso é a sua explanação do significado do termo carne, de fundamental importância para entender o Novo Testamento, bem como sua distinção de "natureza decaída" e "corpo" .

(...)"pense na 'carne' como aquilo que sentimos, pensamos e fazemos mais ou menos automaticamente"(...) escreve o autor na página 387 de A Conspiração Divina.

Ao explicar Romanos 8:5-7 na página 49 de A Renovação do Coração, o professor traduz o vocábulo como "os poderes naturais humanos somente".

Todavia, a melhor explanação do assunto está em sua obra O Espírito das Disciplinas, do qual extraio os trechos selecionados a seguir:

(volto no final do post*)

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p. 69:
"(...)Com esta explicação, podemos avançar para um entendimento correto de um termo absolutamente central à compreensão da psicologia da redenção:da "carne". Este termo bíblico essencial aplica-se à substância física na
tural de uma pessoa (sobre a qual falaremos mais) e refere-se ao reservatório de poderes independentes, finitos, inerentes ao corpo humano como um "ser vivente" entre outros seres viventes(...)."

p.105:
"(...)Agora é tempo de falarmos algo positivo sobre a carne, a qual tem sido mal interpretada e falsamente acusada. O termo "carne", em seu uso bíblico, raramente significa a mera substância física que compõe as partes do corpo. O termo às vezes é usado para designar a "carne" no sentido de alimento, cortado em pedaços e comido (Êx 12; 16; Lv 7; 51 78.20,21; :.1q 3.2,3; Rm 14.21; I Co 8.13). No entanto, "carne" geralmente é mencionado na Bíblia como algo ativo, um poder específico ou alcance dos po­deres embutidos no corpo, capaz de fazer somente certos tipos de coisas.

Assim, diz-se que os animais "de toda carne, em que havia fôlego de rida, entraram de dois em dois para Noé na arca; eram macho e fêmea os que entraram de toda carne
, como Deus lhe havia ordenado" (Gn 7.14,15, AR.A). Outro texto diz: "Em Deus pus a minha confiança e não temerei; que me pode fazer a carne?" (5156.4, ARC). Outro diz: "Os egípcios são homens e não deuses; os seus cavalos, carne e não espírito" (Is 31.3, ARA). "O [filho] da escrava nasceu segundo a carne", sem assistência da "pro­messa" de Deus, que é espírito (Gl.4.23).

Estas passagens, dentre muitas outras, ilustram o senso bíblico básico do termo "carne". Elas não pressupõem que a carne deve ser algo inerente­mente mau, embora seja um poder finito com certo grau de independência do suporte direto de Deus.

Nicolas Berdyaev descreve a carne com grande precisão:

Esta natureza inferior, quando ocupa seu lugar apropriado na hierarquia do universo, não é em si má, pois pertence ao mundo divino. Somente quan­do usurpa o lugar de algo superior, ela se torna insincera consigo mesma e má. A natureza animal certamente tem seu lugar na esca
la de valores e um destino eterno; mas, quando ela se apossa do homem, quando este submete seu espírito ao controle do elemento inferior, então ela de fato torna-se uma coisa má. O mal é uma questão da direção buscada pelo espírito, e não da constituição da natureza em Si.

É preciso enfatizar nesta discussão as tendências específicas da carne em relação à ação, e as limitações dos seus poderes independentes – o que ela pode e o que não pode fazer. Essas tendências e limitações, é claro, variam de um tipo de "ser vivo" para outro. A carne humana é caracteriza­da por seu espantoso potencial de possibilidades sociais e intelectuais, bem como por sua capacidade para Deus. Pode ser a raiz do mal ou da justiça (Ez 11.19,20). Ela pode dar lugar a outro tipo de substância na estrutura geral do corpo, dotando o indivíduo de um corpo "celestial". A pessoa de carne corruptível pode assim se revestir de incorruptibilidade. Este é o ensino do Novo Testamento (I Co 15).

Em suas epístolas, o apóstolo Paulo estabelece as distinções que já vimos nos primeiros capítulos de Gênesis. Em sua bem elaborada discus­são sobre os estágios finais no pr
ocesso de redenção, ele afirma: "Nem toda carne é a mesma: os homens têm uma espécie de carne, os animais, têm outra, as aves outra, e os peixes outra" (I Co 15.39).

O apóstolo Paulo faz uma distinção que está profundamente enraizada na experiência da humanidade com Deus no Antigo e Novo Testamentos, mas também arraigada na perspectiva aristotélica ou científica da cultura greco-romana.

Trata-se da distinção entre tipos de corpos: "Há corpos celestes e há também corpos terrestres" (v. 40). Isto é lugar-comum na ciência aristotélica. No entanto, recebeu novas e vastas dimensões de significados para a comunidade cristã pela transfiguração e as aparições de Cristo depois da sua ressurreição, tornando, por sua vez, possível certas reinterpretações intrigantes de eventos notáveis do Antigo Testamento como sendo também manifestações de Cristo (I Co 10.1-4).

O "ser vivente" humano, "o primeiro Adão", possuía como sua subs­tância corpórea a mais elevada e mais potente forma de carne. Portanto, ele era a "quintessência do pó". Sendo a forma mais elevada de pó, ele era também aquele que prova, na visão de Paulo, ser capaz da transmigração de uma forma de corpo (o "terrestre") para outra (o "celeste") – aquele corpo "glorioso" de Jesus depois de sua ressurreição (Fp 3.21).

Assim, em última análise, é verdade que "carne e sangue não podem herdar o reino de Deus" (I Co 15.50). Contudo, a pessoa de carne e sangue pode. Mediante a iniciativa e a direção da palavra de Deus ( Jo. 6.63), a energia finita de uma pessoa pode ser associada com Deus de tal forma que progressivamente (e no final totalmente) ela pode "se revestir de incorruptibilidade" (I Co 15.54; cf. I Pe 1.4 e Fp. 3.11).

A pessoa de carne e sangue também pode, é claro, restringir seus pen­samen
tos e ações somente à carne e morrer. Ela pode firmar seus pensa­mentos e esperanças unicamente nos poderes naturais residentes no corpo humano separado de Deus, e então "colherá corrupção". Há uma escolha a ser feita e uma disciplina a ser seguida.

O próprio Paulo formula este fato assombroso em passagens bem co­nhecidas, como as que seguem:

Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus (Rm 8.5-8).

Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colhe­rá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colhere­mos, se não desanimarmos (Gl. 6.7-9).

A escolha no final é muito séria quanto às suas conseqüências. Te­mos de tomar muito cuidado no entendimento de quais são as alternativas e o que elas significam. Meu objetivo nestas páginas é ajudar o leitor a ver que nossas escolhas se referem ao processo especifico de vida de crescimento ou decadência espiritual e que ações divinas em nosso favor não nos isentarão da responsabilidade nesse processo.

Espero que nossas discussões deixem claro que erramos seriamente ao pensar na carne como essencialmente degenerada, má ou pecaminosa. A visão bíblica da graça e da natureza humana não a encaram desta forma.

Este erro deve ser evitado se quisermos levar a sério nossa tarefa de "
submeter nossos membros como servos da justiça, em santidade" (Rm 6.19; cf 6.12-22). De outra forma, desprezaremos nosso corpo e não consideraremos como o instrumento da vida espiritual para o qual foi designa­do por Deus.

Há, porém, vários outros fatos a respeito do corpo que temos de acres­centar ao nosso entendimento. O corpo não pode ser, como deve, a fonte para a vida cristã se acharmos que "carne" é sinônimo de "natureza huma­na decaída". Não é verdade que a "carne", simplesmente, "está para a na­tureza humana como a queda do primeiro homem a deixou: estropiada e desordenada, não mais respondendo naturalmente a um controle racional, sendo, portanto, uma fonte permanente de rebelião, algo que a vontade humana por si só não é capaz de dominar. Entregue a si mesma, esta na
tu­reza humana decaída é uma fonte de pecado".

Certamente é verdade que, nas pessoas não-redimidas, a carne (tanto a estrutura material do corpo como os poderes naturais que esta estrutura exibe) serve como detentora primária do pecado. Mesmo assim, não é ela, mas sim a sua condição deformada que é a "natureza humana decaída". Nesta condição, a carne se opõe ao espírito, faz o que é mau, deve ser crucificada e posta sob controle (Gl 5.16,19ss).

Infelizmente, pouquíssimos homens em toda a história da Igreja per­ceberam a falácia de tratar a carne como sinônimo de natureza humana decaída. George Fox, que fundou o movimento Quaker, era um desses, e suas observações com freqüência o levavam a um intenso conflito com seus contemporâneos. Ele disse sobre um desses conflitos:

Então esses mestres disseram que o corpo exterior era o corpo da morte – e d
o pecado. Eu procurei mostrar seu erro; pois Adão e Eva tinham um corpo exterior antes do corpo da morte e do pecado vir sobre eles; o homem e a mulher terão corpos quando o corpo do pecado e da morte for retirado; quando forem renovados na imagem de Deus, por meio de Jesus Cristo, àquilo que eram antes da queda.

Fox viu claramente que o "corpo do pecado da carne" (C1 2.11) e "o velho homem" (Ef 4.22) dos quais, conforme ordem que nos é dada, devemos nos despir, não poderiam ser o mero corpo natural de nossa exis­tência carnal, desde que não podemos nos despojar dele – exceto pelo suicídio.

Até onde sabemos, os primeiros seres humanos tinham corpos carnais antes de pecarem; daí, vemos que a carne não é a mesma coisa que natureza humana decaída. Assim, o equivalente bíblico da natureza humana decaí­da é o mundo, conforme descrito em I João 2.16: "Tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens ­não provém do Pai, mas do mundo." A natureza humana decaída é a ma­neira como os poderes bons depositados em nossa carne
humana na cria­ção são distorcidos e ordenados contra Deus. Isso se opera mediante pro­cessos sociais e históricos, além de individuais.

O verdadeiro efeito da Queda foi nos levar a confiar somente na carne, "desprezando o conhecimento de Deus" (Rm 1.28). Supomos agora (como nossa mãe Eva) que, desde que não há um Deus para ser levado em conta na condução de nossas vidas, temos de assumir o controle em nossas pró­prias mãos. É isso que significa ter uma mente carnal. É essa mente carnal – não o corpo – que está em inimizade contra Deus e é incapaz de se sujeitar às leis dele.

Por contraste, a promessa antiga era que o Espírito iria ser derramado sobre a carne (Jl.2.28; At 2.17). A carne também anseia por Deus (Sl. 63.1), vai a Deus (Sl. 65.2), clama por Deus (Sl. 84.2), bendiz seu santo nome (Sl. 145.21), "não vê a corrupção" (At 2.31). Evidentemente, nada assim é dito a respeito do "mundo".

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Você pode continuar a leitura, clicando aqui.

Quem já não ouviu alguém ensinar: "a carne não converte"?

Bem, se o enfoque de Dallas Willard não for singular nesta matéria, pelo menos o professor é um dos poucos, com certeza, que apresentam o corpo e carne desta maneira. Agora, posso saber que todo o meu ser pode ser servo e aliado de Deus. :)

E, apesar deste blog ainda não ter "moral" com as editoras, de modo a receber livros para distribuição aos leitores, informo que o livro Celebração da Disciplina está com um super desconto! ;) Shallom!

22 de setembro de 2007

O Delírio de Dawkins


Alister McGrath (Universidade de Oxford) analisa as conclusões do livro Deus, um delírio e desmantela o argumento de que a ciência deve levar ao ateísmo. McGrath demonstra como Richard Dawkins abandonou sua usual racionalidade para abraçar o amargo e dogmático manifesto do ateísmo fundamentalista.
— Francis Collins, Diretor do Projeto Genoma

Considerado o ícone do ateísmo contemporâneo, Richard Dawkins, autor de Deus, um delírio, tem suas idéias postas à prova pela análise minuciosa e perspicaz de Alister McGrath e sua esposa Joanna, em O delírio de Dawkins.

Alister, outrora ateu, doutorou-se em biofísica molecular antes de tornar-se teólogo. Admirador da obra de Dawkins, Alister revela sua perplexidade pela guinada irracional de seu colega de Oxford, não tanto pelo ateísmo em si, mas pela absoluta inconsistência de seus argumentos, aliados à intolerância desmedida.

Ao discutir os pressupostos de Dawkins, os autores trazem à tona questões fundamentais dos tempos pós-modernos ― fé, coexistência de religião e ciência, liberdade de crença, o sentido da vida e a busca de significado ― que, a julgar pela repercussão de Deus, um delírio, merecem contundente posicionamento cristão.

Os autores de O delírio de Dawkins atacam o flanco do fundamentalismo ateísta de Dawkins e conseguem afastá-lo do campo de batalha.
—Publishers Weekly


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Já está no ar a hot site do livro. Lá tem muitas informações, além do 1º capítulo. :)
É interessante a revelação do processo para a escolha da capa no blog editorial da Mundo Cristão. Confira!
Uma notícia boa enquanto esperamos o lançamento de "A Renovação do Coração", adiado para Outubro :(

1 de julho de 2014

Podemos esperar por um diálogo neocalvinista-neopuritano?

Revista Comment - December 1, 2008 - Ray Pennings

Forjando uma teologia pública relevante para os nossos tempos.


Parte de mim se sente boba propondo uma conversa entre "neocalvinistas" e "neopuritanos". Poucas pessoas se identificam usando um desses rótulos teológicos, e no contexto do evangelicalismo norte-americano mais amplo, as duas ênfases doutrinárias são reunidas em um únic sub-agrupamento calvinista. Para alguns em nosso tempo de falta de ênfase doutrinária, até mesmo o rótulo calvinista é visto como relevante principalmente para os seminaristas que precisam para passar nos exames, simultaneamente se perguntando: é certo gastar tanto dinheiro em um curso de estudo tão irrelevante para o meu o desejo de ministrar às pessoas na igreja?

No entanto, as questões relacionadas com essas ênfases doutrinárias não são apenas relevantes para o ministério, mas também para a vida cultural, e uma compreensão de cada uma e as maneiras que podem trabalhar em conjunto é importante. Embora possa haver características intramurais do debate neocalvinista-neopuritano que são de interesse para as pessoas de determinadas convicções teológicas, o cerne da questão trata de uma problema mais vasto que enfrentam todos aqueles que se esforçam para entender o que significa responder a seu chamado como cristãos em nossa cultura comum. Aqueles que procuram enraizar sua obediência em uma compreensão da Bíblia e do mundo que cava um pouco mais do que alguns brometos éticos ou convenientes textos-prova exigem uma teologia pública relevante para os nossos tempos.

No coração de uma proposta de conversa entre neocalvinistas e neopuritanos repousa questões de interseção. Como a fé pessoal coincide com a ação corporativa? Pode haver tensões entre o amor por Deus e meu amor ao próximo? Como praticamente se permanece "no mundo" sem ser "do mundo"?

Neopuritanismo e Neocalvinismo: Estabelecimento dos termos

Eu uso o termo "neopuritano" como um rótulo abrangente para capturar o recente ressurgimento de uma teologia e vida da igreja calvinista do tipo documentado no livro de Collin Hansen recente, Young, Restless and Reformed (Crossway: 2008). Hansen caracteriza esse fenômeno como uma redescoberta das doutrinas da soberania de Deus em particular, bem como uma redescoberta da literatura puritana em geral. Isto traz consigo "uma visão ampliada da autoridade de Deus mudando o modo como (os adeptos vêm) o evangelismo, a adoração e os relacionamentos."

O movimento neopuritano tem um impulso diferente do que aquele do neocalvinismo, que é um outro movimento testemunhando um ressurgimento em nosso tempo. Muitos neocalvinistas considerariam o movimento neopuritano como um pouco "igrejeiro" (churchy). Neocalvinistas enfatizam a vida para além da igreja. Seu Calvinismo tem uma abrangência "mudar o mundo". Ele concentra-se em todas as esferas da sociedade e coloca a restauração da criação claramente à vista. Ou, para citar o slogan líder cultural holandês do século 19 Abraham Kuyper (que tem sido usado como uma quase definição de credo resumido das neocalvinismo): "Não há um centímetro quadrado em todo o domínio da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: 'Meu!"

Distinguir os dois movimentos ao caracterizar o neopuritanismo por seu foco sobre a soberania de Deus na salvação, e neocalvinismo pela soberania de Deus sobre a criação, contém um elemento de verdade, mas não faz justiça a nenhum dos dois movimentos. Esta divisão implica que neocalvinistas não se preocupam com a piedade pessoal, enquanto neopuritanos são indiferentes quanto à implicação do evangelho para a sociedade e suas estruturas. Farta evidência pode ser compilada para refutar convincentemente ambas as acusações. Ainda assim, enquanto ambos os movimentos afirmam verdades e apelam ás mesmas fontes em relação à aplicação de toda a gama de dados bíblicos no contexto contemporâneo, o neopuritanismo é inclinado mais para a piedade individual e avivamento da igreja, e o neocalvinismo é inclinado mais para o ativismo corporativo e a renovação cultural.

A típica conversa entre os dois campos é corre mais ou menos assim. Os neocalvinistas criticam os neopuritanos por um impulso em direção a retirada da cultura comum para o "gueto" de uma subcultura cristã ou o enclave da igreja, como um resultado do que neocalvinistas chamam de "pietismo". Os neopuritanos admitem possíveis deficiências em expressar plenamente a sua vocação bíblica de expressar a soberania de Deus no todo da vida, mas advertem que a experiência histórica mostra que essas atividades muitas vezes trazem conseqüências negativas indesejadas. Os exemplos históricos que os neopuritanos citam concentram-se na desvalorização da igreja institucional e de seus ministérios; um triunfalismo sem caridade às vezes sombreando a utopia; e a combinação de uma teologia voltada para a transformação cultural com uma ênfase menos do que a adequada sobre a santidade pessoal e o relacionamento pessoal com o Senhor.

Então, nós temos duas correntes que fluem de uma única fonte, mas em direções muito diferentes. Alguns minimizam essa diferença como uma questão de ênfase. Outros implicitamente elevam a sua corrente como uma forma mais "pura" de obediência. Meu ponto aqui é que ambos os movimentos têm algo a aprender ao considerar suas próprias correntes em relação à outra, pois dentro desta conversa estão as sementes de alguns aspectos essenciais do ensino bíblico que muitas vezes são esquecidos. Nosso tempo pede uma teologia pública bem-arredondada, a existência da qual parece em falta no mundo mais amplo da América do Norte protestante. Essa conversa expõe algumas questões importantes a serem consideradas.

Quatro Insights Neocalvinistas

O neocalvinism se organiza, para usar o argumento central de Albert Wolters em A Criação Restaurada, "em torno da visão central de que "a graça restaura a natureza" -isto é, a redenção em Jesus Cristo significa a restauração de uma boa criação original ".

Há quatro insights particulares que surgiram dentro do neocalvinismo que eu encontrei particularmente úteis e práticos na triagem das questões que me confrontaram em mais de duas décadas de ativismo na vida pública. Trata-se de ordem da criação, antítese, graça comum, e esfera de soberania.

O termo comumente usado "mandato cultural" (referindo-se a ordem de Deus para a humanidade, mencionado em Gênesis 1:28 e 2:15, para governar e cuidar do restante da criação) não pode ser adequadamente compreendido sem referência à ordem criacional. Entre os sinais vitais relevantes para o testemunho público cristão, hoje, está o sentido de "potencial" que existe na criação. Quando Deus criou o mundo, sua criação era boa ou completa. Isso significa que toda a tecnologia, cultura e progresso que foi descoberto e desenvolvido pelo homem desde o Éden é para ser entendido como algo englobado na boa criação de Deus. Quando uma nova descoberta científica é feita pelo homem devemos entender isso como parte da criação de Deus, que ele permitiu que o homem, como portador de sua imagem, descobrir e desenvolver.

A noção de ordem está ligada ao conceito de que a criação é preenchida com potencial. Embora existam distinções importantes a serem feitas entre "ordem da criação" e o conceito católico romano de "lei natural", os dois partilham muitos aspectos que se sobrepõem, e esses conceitos funcionam de forma semelhante no desenvolvimento da estrutura para a compreensão cristã do mundo e da sociedade.

O conceito de antítese é a ideia de que o pecado atravessa o coração humano, e, portanto, não se limita a condenar determinadas atividades culturais. Isso não ignora o fato de que algumas atividades podem ser espiritualmente prejudiciais, mas ele reconhece que o conceito de pecado não deve tornar-se um conceito de legalismo, onde determinadas atividades são condenados de forma grosseira, enquanto a abstenção dessas atividades de alguma forma constituem retidão. O pecado tem duas dimensões, e ambos devem ser considerados: a dimensão humana do pecado, bem como os efeitos do pecado sobre o mundo não-humano. O "gemido da criação" em Romanos 8 destaca o alcance do pecado e suas conseqüências: mesmo o solo e sua vegetação são impactados pela desobediência do homem caído. Toda atividade em que os seres humanos se envolver é afetada pela queda; o pecado é pessoal, mas também se manifesta nas diversas organizações da sociedade, incluindo aquelas que se nomeiam cristãs. Assim como uma apreciação do mandato cultural amplia a nossa visão da criação e de como Deus é glorificado por meio dela, a antítese amplia nossa compreensão da queda como algo mais do que apenas afetando a culpa pessoal diante de Deus; é uma corrupção de todos os aspectos da sua boa criação.

A graça comum é uma terceira característica do neocalvinismo que fornece informações valiosas para a vocação cristã na cultura contemporânea. Embora este conceito também tem sido alvo de alguma controvérsia, ele fornece insights importantes para a atividade social cristã. Há duas consequências da compreensão neocalvinista da graça comum que são importantes. A primeira é que a bondade da criação, particularmente quando é administrada de uma forma que está de acordo geral com os mandamentos de Deus, proporciona benefícios para os crentes e não crentes. Assim como a chuva cai sobre os justos e os injustos (Mateus 5:45), desse modo os benefícios da criação de Deus fluem para todos os homens. Em segundo lugar, não são apenas as ações dos fiéis que contribuem para estes benefícios. Porque todos os homens são feitos à imagem de Deus, os incrédulos podem ter idéias verdadeiras e realizar obras benéficas. Ainda que não sejam de um benefício salvífico (os incrédulos não podem experimentar a verdadeira shalom fora de um relacionamento com Deus, veja o Catecismo de Heidelberg, Perguntas 62 e 91), eles não deixam de ser proveitosos e podem ser usado por Deus para beneficiar o mundo inteiro, inclusive os crentes . Às vezes, Deus, na sua providência, organiza as coisas de modo que os incrédulos têm um papel importante a desempenhar, como foi o caso com Ciro e os israelitas. Esses insights, combinados com as implicações "do tipo lei natural" da ordem da criação, criam uma estrutura para uma compreensão bíblica da atividade cultural que percorre um longo caminho para a triagem através de questões tais como a extensão em que os cristãos podem trabalhar em projetos conjuntos com os infiéis , o lugar da tecnologia e pesquisa, e nossa abordagem da história e do progresso. Também nos ajuda a começar a enfrentar os desafios do pluralismo social.

A quarta característica do neocalvinismo que tem relevância significativa é o conceito de esfera de soberania. Essa é essencialmente a percepção de que há uma diferenciação dentro da criação em "diferentes esferas que possuem sua própria natureza única", e que essas naturezas são normativas. Nicholas Wolterstorff o diz muito bem: "Da mesma forma que podemos considerar o que constitui o leão bem formado, assim, de forma semelhante, podemos considerar o que constitui o estado bem-formado, a escola bem formada, a família bem formada e assim por diante. Em suma, há normas permanentes para o Estado, para a escola, e para todas as outras estruturas sociais categoricamente distintas." (Until Justice and Peace Embrace, 1983, página 58)

Em contraste com as perspectivas sociais e políticas do individualismo moderno e do estatismo, ambas enraizadas numa concepção iluminista/Revolução Francesa de direitos individuais e de contrato social, uma visão bíblica da sociedade vai além do indivíduo e do Estado. Discurso político norte-americano contemporânea pode ser considerada como o giro de uma única moeda de duas faces. De um lado, temos os direitos individuais e os mercados livres, enquanto do outro lado, nós temos o poder do Estado como um engenheiro social. Seja qual for o lado que a moeda repousa, o discurso político procede de uma autonomamente humana visão de autoridade. Estruturas sociais intermediárias, como as famílias, igrejas, empresas e escolas têm apenas status secundário ou derivado. A maior parte do ativismo cristão, tanto á esquerda como à direita, se aproxima da vida pública ao aceitar essa estrutura.

A esfera de soberania, por outro lado, oferece uma estrutura alternativa para a compreensão da sociedade. Ela fornece uma base teórica que melhor reconhece a realidade da arquitetura social que os norte-americanos tomam por certo e melhor capacita os cristãos para o engajamento em questões importantes do dia.

Dois Insights Neopuritanos

É evidente a partir do exposto que o neocalvinismo fornece insights importantes que são relevantes para os nossos tempos e ajudam muito no desenvolvimento de uma teologia pública que é profundamente bíblica. Ao lamentar O Escândalo da Mentalidade Evangélica em 1994, Mark Noll salienta a contribuição dos neocalvinistas como um "tônica -- ousada ao confessar a fé cristã histórica, especialista no exercício da argumentação filosófica sofisticada, e de longo alcance na proposição de novas teorias" É também um movimento diverso que está sofrendo reavaliação auto-crítica. Então, se o neocalvinismo tem todas essas ideias e respostas, por que é ainda relativamente desconhecido na conversa norte-americana mais ampla?

Não há uma resposta fácil ou simples. Muitas das explicações históricas estão embaraçadas por polêmicas interdenominacionais reformadas, e seria muito limitado nos concentrar nas raízes históricas idiosincraticamente holandeses deste debate. Em vez disso, deixe-me destacar duas características do neopuritanismo norte-americana que poderiam parcialmente explicar o que se encontra deficiente em grande parte dos escritos neocalvinistas, usando-o como um trampolim para propor uma agenda para uma possível conversa entre os dois movimentos.

O primeiro tema neopuritano é uma visão muito alta da igreja como instituição. Reconhecendo que algumas das "explosões de energia" para o ressurgimento do neopuritanismo vieram de movimentos paraeclesiásticos (por exemplo, conferências como o evento Passion anual, ou ministérios de recursos como Desiring God de John Piper ou Ligonier Ministries de R. C. Sproul), no entanto, a pulsação do neopuritanismo é uma visão elevada do culto e da igreja local. A linha de abertura do Catecismo de Westminster -- "O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", serve como o slogan unificador, e há uma ênfase na experiência pessoal e na adoração corporativa que anima a vida espiritual. Culto semanal em que a exposição e o ensino bíblico são centrais caracteriza este movimento diverso, assim como a forma de adoração que é muito variável. Um culto liderado por C. J. Mahaney na Covenant Life Church vai parecer quase Pentecostal em comparação com a pregação mais tradicional da Palavra e serviço de música, com coro e orquestra, na Grace Community Church liderada por John MacArthur, que contrasta novamente com o culto com cantos dos salmos conduzidos pelo ministro que se poderia encontrar na Heritage Reformed Service, no qual Joel Beeke pode estar no púlpito. No entanto, apesar de suas diferenças, essas igrejas consideram que a Igreja institucional, o serviço de adoração, e os ofícios da igreja têm funções específicas na ordem dada por Deus. A teologia não é apenas mais uma ciência; é a "rainha das ciências", e a Igreja, e não apenas em seu sentido orgânico, mas também em seu sentido institucional, é a "noiva de Cristo." Deus se deleita em encontrar-se com sua noiva e receber a sua adoração.

Esta ênfase neopuritana no culto regular da Igreja não se encontra na mesma medida entre neocalvinistas. Um século atrás, F.M. TenHoor, um crítico contemporâneo de Abraham Kuyper, acusou que essa visão "orgânica" de Kuyper da igreja -- que Ten Hoor sustentou que tinha raízes filosóficas Romantismo Alemão -- tinha profundas implicações para a pregação e a vida da Igreja em geral, e, inevitavelmente leva a um mal-estar espiritual. Kuyper argumentou que a essência da igreja era "a igreja invisível" e que a estrutura "visível" da igreja era de importância secundária. Ela flui a partir da posição de Kuyper de que o verdadeiro trabalho da igreja ocorre durante a semana, quando o povo de Deus está ocupado em gratidão obediente servindo a Deus em suas respectivas vocações, cumprindo seus mandatos culturais. O culto de domingo, para tomar emprestada a descrição de Nicholas Wolterstorff, torna-se "uma parada para reabastecimento." Os dois entendimentos bastante diferentes por parte de neopuritanos e neocalvinistas acerca de onde a igreja "visível" e a disciplina da teologia se encaixam dentro de um quadro mais amplo precisam de mais diálogo e exploração.

O segundo tema neopuritano envolve a forma como se lida com a teologia do fim dos tempos (escatologia). Como observado anteriormente, o tema central do neocalvinismo é "a graça restaurando a natureza." Em contraste com a maioria do evangelicalismo do século 20, onde a imagem predominante de glória eterna envolve almas desencarnadas que se juntam aos anjos em um coro perpétuo, neocalvinistas enfatizam um contrapeso necessário. Para citar Wolterstorff novamente: "O relato de Gênesis permite concluir que shalom é, em grande medida, a contrapartida escatológica da criação." A ênfase é sobre o físico -- os textos bíblicos que falam de banquetes com vinho fluindo e cidades majestosas sendo apreciados. O "drama da Escritura" (para tomar emprestado o título do livro de Craig Bartolomeu e Michael Goheen) envolve uma história que se move do "Jardim" para "A Cidade", e nossa leitura da Bíblia precisa ser feita com uma lente visão de mundo que nos permite aplicar um tema "criação-queda-redenção" para toda a vida.

Estes são antídotos muito necessários e valiosos para tanto da teologia do século 20, que não faz justiça aos dados bíblicos sobre os tempos finais, nem fornece orientações para a vida na sociedade de hoje. No entanto, temo que na resposta a um desequilíbrio, haja o perigo de virar para longe demais e potencialmente cair em uma vala oposta. Parte da razão pela qual o neocalvinismo não ressoa plenamente com os de um impulso neopuritano é a sua inadequação para lidar com os dados bíblicos sobre o julgamento. No neopuritanismo, os temas bíblicos do julgamento, das disciplinas espirituais, e da guerra espiritual parecem ter uma maior ênfase. Na tendência dominante, é improvável encontrar divergência significativa entre os pressupostos escatológicos defendidos pelos neopuritanos e neocalvinistas (reconhecendo o fato de que as posições divergentes, principalmente em relação ao que se entende por milênio mencionado em Apocalipse 20:1-6, serão encontradas em ambos os campos). Ainda assim, quando se investiga o papel que desempenha a escatologia no cotidiano da igreja e de seus membros, existem diferenças significativas para ser encontradas.

Uma agenda para a Conversa

Comecei com a sugestão de que precisávamos de uma teologia pública para o nosso tempo, sugerindo implicitamente que atualmente não temos uma adequada. Na minha própria jornada, ambas as fontes neopuritana e neocalvinista têm desempenhado um papel central na formação de meu pensamento, com a consequência desconfortável de que, dependendo de quem faz a pergunta, eu geralmente me identifico como ambos, ou como nenhum dos dois A tensão, no entanto, pode ser uma coisa boa, pois nos obriga a considerar questões antigas de novas maneiras. Ela nos obriga a voltar às fontes, não contentes com respostas prontas que são proferidas.

Ambas as tradições estão vendo um ressurgimento, e esta energia recém-descoberta pode levar a conversas produtivas. Eu proporia que o enquadramento de uma nova teologia pública para o nosso tempo pode emergir de uma convergência desses dois movimentos. Essa teologia precisaria estar enraizada na doutrina ortodoxa, ter uma visão de mundo robusta o suficiente para responder às perguntas que nossos vizinhos estão fazendo, ser aplicada com uma ética de integridade, e ser vivida a partir de um espírito de peregrinação, visto que não são chamados a construir uma cidade permanente, mas buscamos aquela que há de vir (Hebreus 13:14). O neopuritanismo e neocalvinismo, e as fontes de onde eles surgem, podem dar uma contribuição valiosa para o preenchimento desse quadro.

Os seis temas que identifiquei, ainda que dificilmente forneçam a resposta completa, pelo menos, fornece o que eu espero ser uma agenda saudável para a discussão. O resultado de um diálogo entre neopuritanos e neocalvinistas, espero, vai incentivar um testemunho renovado em que o povo de Deus vive de uma maneira que proclama o senhorio de Cristo sobre toda a vida, para direcionar as pessoas a, com coração, alma, mente e força viver para a honra e para a glória de Deus.


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