21 de fevereiro de 2008

Não Dou a Mínima

Certa vez, C. T. Studd desconcertou alguns de seus colegas missionários no Congo ao chamar sua campanha de "NDM" (DCD campaign), que significa "Não Dou a Mínima" (Don't Care a Damn) para coisa alguma, exceto para Cristo. Ele pegou o símbolo da caveira com osso cruzados (skull and crossbones) e pôs um "NDM" (DCD) embaixo, pregou a nova insígnia em jaquetas e bonés, e a afixou em edifícios e equipamentos.

"Sua intenção era que ele e seu grupo missionário não se importasse com nada, senão Cristo (nem mesmo com suas famílias e amigos). Não deviam permitir que nada prejudicasse ou entrasse em conflito com isso. Todos os desejos menores deveriam ser mortos (portanto, o distintivo macabro!)" (Margaret MAGDALEN, A Spiritual Check-up: Avoiding Mediocrity in the Christian Life, East Sussex: Highland Books, 1990, p. 101.)

Algumas pessoas, naturalmente, ficaram mais preocupadas com a linguagem considerada inconveniente do que com o coração não entregue a Cristo completamente.

Dallas Willard, A Renovação do Coração, São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 182-183


O símbolo da caveira com ossos cruzados se parece (uma variação?) com o símbolo "Faca na Caveira", popularizado recentemente pelo filme "Tropa de Elite" e apelidado de "Caveira do BOPE"

O símbolo da caveira foi usada pelos maçons, pela frota dos Templários e por piratas europeus e americanos. Hoje pode significar perigo ou substância tóxica.

A Faca na caveira é tida, nos círculos dos diversos comandos, como símbolo da superação humana, da vitória da vida sobre a morte, na execução das missões, pelo combatente das forças policiais especiais.


Curioso é o fato de que existe uma diferença, percebida por poucos, entre o Símbolo da "Faca na Caveira" que aparece estampado nas viaturas e uniformes dos homens do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) do filme "Tropa de Elite" e o Símbolo usado pelo BOPE na realidade. Confira visitando o "Blog do Bope".


A caveira não é propriamente uma cruz, não obstante trata-se de um elemento simbólico associado à cruz, devido ao cruzamento dos ossos sobre os quais sobrepõe-se a caveira.

"A cruz é a imagem e o símbolo mais poderosos da história humana. Ela representa a perdição do homem assim como o sacrifício de Deus e a renúncia a Deus que traz redenção. Em seu benefício, os seguidores de Jesus devem manter a imagem da cruz presente de maneira vívida na mente. (Dallas Willard)

Quanto ao símbolo da caveira, que significa "vitória sobre a morte e às adversidades", o subcomandante do Bope, Major René, afirmou recentemente -- acerca do projeto de lei do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP) que propõe que a caveira, símbolo do Bope, e o uniforme preto do batalhão se tornem patrimônios culturais do Rio de Janeiro -- que "não há plano de mudanças".

O cineasta José Padilha, diretor do filme "Tropa de Elite", vencedor do Urso de Ouro em Berlim, recebeu com risos a notícia do projeto de lei. Ele disse que repudia a proposta e que gostaria que os deputados do Rio se preocupassem com problemas mais relevantes. "Eu acho que o símbolo do Bope representa bem o que ele é. Afirmar o símbolo como patrimônio cultural é aceitar a derrota da segurança pública", declarou.

O mesmo diretor classificou crítica a "Tropa" de "ignorante" e "estúpida". (Sobre o filme encaminho você para o texto que o Ricardo Oliveira (Diversità) escreveu e para o texto de Luiz Zanin)

Quanto à rispidez -- quer a do capitão Nascimento, policial protagonista do longa, quer aquela do diretor, da crítica de arte em geral -- , e à violência e à tudo que é macabro em nosso mundo decaído, devo estar bem informado, mas no sentido empregado por C. T. Studd, não dou a mínima.

Pois a condição que busco atingir exige obstinada concentração em fazer a vontade de Deus em tudo, sem distrações.