2 de setembro de 2007

Ex-reféns sul-coreanos no Afeganistão agradecem


Os 19 sul-coreanos seqüestrados por talibãs afegãos afirmaram neste domingo, ao regressarem a Seul, que se sentiam como se tivessem "voltado à vida", depois de um cativeiro de seis semanas.


Os reféns mantiveram encontros emocionados com familiares num hospital situado na periferia da capital, onde começaram a ser submetidos a exames médicos.


"Nos desculpamos a todos pelos problemas que causamos e agradecemos os que nos ajudaram a regressar à casa", declarou à imprensa o porta-voz dos missionários, no aeroporto de Incheon.
"Temos uma grande dívida para com o país e as pessoas", disse Yu Kyeong-Sik.


"Basicamente estivemos mortos e recebemos de volta nossas vidas. Esperamos viver de maneira a deixá-los orgulhosos", acrescentou.


Em 19 de julho, os talibãs seqüestraram 23 evangelistas sul-coreanos, no Afeganistão. Dias depois, assassinaram dois deles para pressionar o governo afegão a fazer a troca dos reféns asiáticos por prisioneiros.


Em meados de agosto, os talibãs também libertaram duas reféns doentes, como "um gesto de boa vontade".


Um pastor da igreja Presbiteriana Saem-Mul en Bundang, que organizou a missão no Afeganistão, declarou hoje que alguns deles chegaram a ser "agredidos severamente" por não abraçar o Islã.


"Seu calvário foi mais intenso do que o antecipado, uma vez que foram severamente golpeados, ao se negarem a se converter", contou o pastor Park Eun-jo, em seguida a um ritual religioso de ação de graças, no próprio hospital.


Os dois homens que sobreviveram, Je Chang-hee e Song Byung-woo, foram ameaçados de morte por se negarem à conversão, segundo Park, e as mulheres correram o "risco de terem sido violadas".


Apesar de vários jornais apontarem para o pagamento de um resgate, o chefe do Serviço de Inteligência Nacional da Coréia do Sul desmentiu qualquer acordo deste tipo.
"Não houve tal acordo", afirmou Kim Man-Bok.


O porta-voz presidencial, Cheon Ho-Seon, também disse domingo que a Coréia do Sul não comprou a libertação dos cativos. "Jamais pagamos um resgate", frisou.


As autoridades afegãs haviam criticado na sexta-feira o pacto feito pelo governo da Coréia do Sul com os talibãs que deu um final feliz ao seqüestro.


Apesar da insistência de Seul em que o acordo para a libertação de seus compatriotas consistia na retirada dos 200 soldados sul-coreanos mobilizados no Afeganistão e na proibição de missões religiosas a esse país, aumentaram as vozes, dentro e fora do Afeganistão, que falavam de pagamento de resgate.


O jornal japonês Asahi Shimbun anunciou na sexta-feira que Seul pagou dois milhões de dólares pela libertação dos reféns. A Coréia do Sul e os talibãs negaram esta informação.


"O governo afegão permitiu as negociações apenas por motivos humanitários" declarou o porta-voz da presidência afegã Homayun Hamidza, insistindo em que Cabul não havia participado das conversações.


As críticas não saíram apenas de Cabul. O ministro canadense das Relações Exteriores, Maxime Bernier, comentou nesta sexta-feira que este tipo de acordo propicia "outros atos terroristas". O Canadá conta com um contingente de 2.500 soldados no Afeganistão.


A chanceler Angela Merkel também afirmou na sexta-feira em Tóquio que seu país continuará se negando a falar com os talibãs, apesar de manterem como refém um engenheiro alemão desde 18 de julho.


"Os reféns sul-coreanos foram libertados, mas a posição alemã continua sendo a mesma", destacou Merkel.
fonte: AFP