5 de fevereiro de 2009

Solitude e Privacidade

O mais comum e difundido mal-entendido sobre a oração na América é o de que ela é particular. Falando estrita e biblicamente, não há oração particular. Privado em seu significado básico refere-se a roubo. É furtar. Quando privatizamos a oração, nos apropriamos indevidamente da moeda comum que pertence a todos. Quando nos engajamos em oração sem nenhum desejo de percepção da vida inclusiva e abrangente do reino que está “entre nós” no tempo e no espaço, empobrecemos a realidade social que Deus está finalizando.

O isolamento em oração não é privacidade. As diferenças entre privacidade e solitude são profundas. A privacidade é a nossa tentativa de isolar o eu de qualquer interferência; a solitude deixa a companhia de outros por um tempo a fim de escutá-los mais profundamente, estar cientes deles, servi-los. A privacidade é afastar-se dos outros a fim de que eu não tenha que me incomodar com eles; solitude é afastar-me da multidão a fim de que eu possa ser instruído pela voz calma e quase imperceptível de Deus, que está entronizado nos louvores das multidões. As orações privatizadas são egoístas e escassas; a oração em solitude une-se a uma comunidade multivocal, centenária: com anjos e arcanjos, na companhia de todo o céu, cantamos: “Santo, Santo, Santo, Deus Todo Poderoso.”

Enquanto ainda era noite, bem antes da aurora, ele se levantou e saiu para um lugar isolado e orou. Simão e os que estavam com ele saíram à sua procura, o encontraram e disseram: “Todos estão procurando por você”.
Jesus disse: “Vamos ao restante das vilas para que eu também pregue ali. É para isso que eu vim”.
Marcos 1.35-38

Eugene Peterson, Formação Espiritual, 05/02/2009

+ Da Solidão à Solitude - Henri Nouwen