28 de dezembro de 2007

Para o Ano Novo... um... Antídoto


Final de ano. Eu na colheta de bons e maus frutos. Tudo conforme a
lei da semeadura. A "vida" que estou ceifando deriva de seguir o que as fontes confiáveis prescrevem como o caminho do "certo" e do "bom". "E a "destruição" que estou colhendo resultou de obedecer a mim mesmo, aos meus sentimentos, por mais nobres que eu pensei serem à época. Simples assim.

João Calvino, teólogo e reformador, disse que "a mais segura fonte de destruição dos homens é obedecer a si mesmo". Que precisão!

O novo ano que se aproxima é desafiador para mim, em várias áreas da vida. Trabalho e estudo são dois eixos centrais. E neles exemplifica-se claramente a verdade de que o autocontrole é parte de uma boa semeadura.

Em contraste, todos os dias, pessoas que a gente ama estão decidindo, no íntimo, perder a batalha e se entregar aos seus sentimentos -- raiva, medo, atração sexual, gula, narcisismo, mágoa etc. -- porque acreditam ter o direito de vê-los satisfeitos.

Quero desenvolver autocontrole porque já experimentei a realidade de ficar obcecado por pensamentos destrutivos e então ser ser escravizado e cegado pelos sentimentos correspondentes. Minha "sensibilidade moderna" focava a espontaneidade de desfrutar o "barato" ou a "excitação" do sentimento, o que resultou em morte, o oposto da paz.

E Dallas Willard tem um papel fundamental nessa rota da esperança. Em seu livro, A Renovação do Coração, p. 151-153, o autor explica:
_________
Vivemos na forma de vida chamada "modernidade", em que um conjunto de normas respeitáveis e relações pessoais não governam a vida facilmente, porque a solidariedade humana (na família, no bairro, na escola, no local de trabalho, na igreja) foi pulverizada. Há poucas coisas de significado equivalente a esse fato para que os cristãos sérios compreendam a atualidade.

Na condição "moderna", o sentimento se torna um exercício quase total de domínio sobre o indivíduo. As pessoas nessa condição precisam constantemente decidir o que querem fazer. Sentir é tudo o que elas têm para seguir em frente. Aqui se encontra o segredo para compreender a vida ocidental comtemporânea e sua peculiar propensão em acumular imoralidades e vícios.
As pessoas são pressionadas a decidir e só podem tomar essas decisões com base nos sentimentos.
(...)
Muitas vezes, os indivíduos não conseguem distinguir entre sentimentos e vontade; nessa confusão, com freqüência, tomam os sentimentos por razões. Em geral lhes faltará algum grau significativo de autocontrole, o que transformará sua vida em mera passagem pelos dias e anos. No entanto, um comportamento vicioso lhes promete a possibilidade de suportar essa existência.

Autocontrole é a capacidade permanente de orientar-se para realizar o que se escolheu ou se decidiu fazer ou ser, ainda que "não se sinta vontade"; significa que você, com pulso firme, faz o que
não quer fazer (ou o que quer não fazer) quando for necessário, e não faz o que quer fazer (ou "sente vontade de" fazer) caso haja necessidade. Em pessoas sem caráter sólido, o sentimento é um inimigo mortal do autocontrole e sempre o subverterá.

Uma vontade disciplinada, voltada para Deus e para o bem, é o único antídoto contra o veneno da serpente do sentimento.
__________