14 de dezembro de 2007

Pensem nestas coisas


Dallas Willard*

Nossa cultura alardeia a total liberdade em relação ao que a pessoa vê, diz e ouve. Muitas pessoas ficam paralisadas ou são mesmo destruídas ao adotar tal "liberdade" como estilo de vida, ao permitir imagens na mente que, conseqüentemente, os subjuga. Se permitirmos que tudo acesse a mente, estamos pedindo para sermos mantidos num estado de tumulto ou escravidão mental. Pois nada chega à mente sem causar algum efeito, seja para o bem seja para o mal.


Você poderia dizer: "Eu quero ser livre para pensar qualquer coisa, imaginar qualquer coisa, ter todos os sentimentos, ver tudo. Você acha que a liberdade de pensamento sempre existiu? Isso acontece hoje!"


Bem, então você deve arcar com as conseqüências. Não é possível escolher as condições e rejeitar as conseqüências. Nem mesmo um "decreto" pode mudar isso. Se você decidir dar um passo para além do telhado, não pode então escolher não cair. A mente (e pessoa e todas as suas dimensões) possui leis tão rigorosas quanto a gravidade. "A mente possui precipícios", disse o poeta Gerard Manley Hopkins, "precipícios de queda. Menospreze-os quem nunca esteve lá".


Se os olhos de Deus são tão puros que não suportam ver o mal (Hc 1.13), é melhor e mais sábio nos afastarmos disso o máximo possível - mesmo que lhe dêem o nome de "entretenimento".


Devemos abominar o mal e nos apegar ao que é bom, e o fundamento para isso está onde escolhemos colocar a mente. O poder para escolher pensamentos é nossa liberdade mais básica, a primeira e fundamental liberdade, e devemos usá-lo bem.

Há muitas coisas que não precisamos ver, e é melhor não ver - embora, se você desejar, tenha o "direito" de vê-las. Ter o direito de "fazer X" não significa que "fazer X" seja bom para alguém; essa pessoa simplesmente não refletiu sobre a questão. Em contrapartida, conforme o sábio conselho de Paulo: "tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.(Fp 4.8).


As imagens em particular motivam muito além de nossa mente consciente e não estão sob o controle racional. Precisamos cuidar para que constantemente nos nutramos de imagens boas e piedosas, sem que haja a necessidade de sermos capazes de ver e dizer o que está errado com os outros. "O que está errado" com eles pode muito bem ser algo em nós que não conseguimos tomar consciência, mas que opera nas profundezas de nossa alma e nosso corpo como um instrumento de forças superiores a nós mesmos.


*A Renovação do Coração, p. 132-133.


Num tempo em que as grandes produtoras descobrem a pornografia 2.0, estas palavras estimulam a mente a reagir contra o lixo sedutor. Inspira-me o fotolog do projeto sexxxchurch.

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