16 de julho de 2007

O Exílio - parte I

"A experiência do exílio é traumática e terrível. O sentido de quem somos é, grandemente, determinado pelo lugar onde estamos e pelas pessoas com as quais nos relacionamos. Quando isso muda, de forma violenta e abrupta, surge a pergunta: "Quem nós somos? As formas a que estamos acostumados a descobrir nossa importância e sentimento de significância desaparecem. A primeira onda de emoção recua e nos sentimos insignificantes e sem valor. Não nos encaixamos em lugar nenhum. Ninguém espera que façamos algo. Ninguém precisa de nós. Somos bagagem extra, totalmente desnecessários e inúteis.

(...)
O exílio vivido pelos hebreus é um dramático exemplo do que todos nós experimentamos pelo simples fato de sermos seres humanos. Constantemente, nos encontramos em situações onde não estamos em casa. Somos "imigrantes em terra estrangeira".

O significado essencial do exílio é que nós estamos onde não queríamos estar. Estamos longe de nosso lar. Não nos é permitido residir em um lugar onde compreendemos e apreciamos nossa vizinhança. Somos forçados a permanecer distantes de tudo o que nos é familiar. É uma experiência de desarticulação; tudo está desunido, nada se encaixa. Os milhares de pequenos detalhes que foram edificados ao longo de muitos anos, que nos dão um sentimento de pertencer - gestos, hábitos, rituais, expressões verbais - nos são retirados. A vida é arrancada do solo familiar, constituído de gerações de linguagem, costumes, clima, histórias, e cruelmente lançado em um ponto totalmente desconhecido do planeta. O lugar de exílio pode até possuir um padrão de vida mais elevado, ou o clima pode ser mais agradável. Nada disso importa. Não é nosso lar." (Eugene Peterson, Corra com os cavalos, p. 177 ss)