29 de novembro de 2008

Um Recurso ao Meu Passado

Existe uma funesta espécie de fatalismo que se apóia num mundo que acredita (como deve acreditar o mundo pagão) que não há recurso ao passado. Segundo essa maneira de pensar, o passado está fortemente ligado ao futuro. (...)

E compreendi quanta dor e quão profunda angústia psicológica o medo de haver tomado o caminho errado pode causar a muita pessoas -- especialmente, quem sabe, [àqueles] que têm forte senso de dever.

Às vezes a dor tem menor relação com a escolha vocacional do que com um pecado cometido, o que se vê então como a irrevogável negação de um lugar especial no plano de Deus para nossa vida.

O evangelho trata desse dilema, desa ansiedade muito humana, de um modo importante. Bem entendido, ele afasta o sentimento cristão da noção pagã sobre a tirania do passado. Porque agora, visto à luz da ressurreição, o passado não determina inteiramente o futuro, muito pelo contrário. O futuro colore e modela o presente, e até invade o passado. (...)

A relação do cristão com o futuro sofreu mudança e agora é outra, não porque conhecemos o futuro -- o que seria uma tentativa de, a partir do presente, exercer controle sobre o futuro -- mas, sim, porque sabemos que Deus estará lá. Não sabemos o que haverá no futuro, mas sabemos quem estará no futuro. E essa diferença é profunda.

Os que sabem que Jesus ressuscitou dentre os mortos descobriram o futuro de uma nova maneira porque se lembram do poder de Deus sobre o passado morto. Eles poderão ficar surpresos; mas não serão apanhados de surpresa. Nem o passado nem o presente os farão temer o futuro (...)