25 de janeiro de 2008

Reversível


Recentemente deixei um comentário no site sexxxchurch sugerindo uma abordagem visando a restauração das pessoas arrependidas.


Para ilustrar o que tenho em mente, segue o seguinte trecho de uma obra de Richard J. Foster:

"Os escritores bíblicos compreendiam que, no ato sexual, um tipo especial de cohecimento era transmitido, um tipo especial de intimidade passava a existir. A esta realidade eles chamavam de "uma só carne". É por isso, então, que a Bíblia reserva a relação sexual para o pacto conjugal. Onde esse conceito coloca aqueles que tiveram relações sexuais fora do casamento, mas que agora reconhecem que o que fizeram era real e verdadeiramente errado? A realidade unificadora do ato sexual é absolutamente irreversível? Não, não é irreversível, mas requer o toque restaurador de Deus. Envolver-se em um ato que une vidas sem ter um propósito de união dessas vidas fere a parte mais íntima do espírito. Feridas como essa geralmente inflamam e supuram de forma a envenenar toda a vida espiritual. Por menos que prejudiquem, deixam uma feia cicatriz.

Mas a boa e maravilhosa notícia é a de que é possível obter a cura. A graça de Deus pode inundar o espírito ferido, curando e restaurando. Às vezes, contudo, os indivíduos não podem fazer isso sozinhos. Nesse caso, é melhor procurar um médico da alma sábio e compassivo -- alguém experiente em orientação espiritual e em oração de restauração -- que possa orar por eles e libertá-los.


De qualquer forma que isso seja feito, há necessidade de se orar pela cura. Não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu, por mais inconseqüente que tenha sido o relacionamento. Se não for confrontado e curado, ressurgirá mais cedo ou mais tarde. Um amigo meu aconselhou certa vez uma senhora de 78 anos de idade. Ela havia sido missionária por cinqüenta anos, mas parecia que agora sua vida estava em ruínas. A mulher sentia temores dia e noite. Tinha medo de multidões; tinha medo de escadas; tinha medo de tudo. E estava deprimida; uma profunda tristeza revestia-lhe toda a vida. Tão grande era sua infelicidade que ela estava se preparando para um tratamento à base de choques elétricos.


Meu amigo, que é muito sábio no cuidado com as almas, perguntou se ela havia sido feliz quando criança. "Oh, sim!", repondeu ela. A pergunta seguinte foi muito simples: "Quando a senhora começou a sentir essa tristeza e essa depressão?" A resposta foi rápida: "Quando eu tinha dezesseis anos". E, então meu amigo perguntou: "Por quê?" O que aconteceu quando a senhora tinha esta idade e que lhe causou tanta tristeza?" Pela primeira vez na vida, aquela mulher admitiu que, quando tinha dezesseis anos, teve um caso com um rapaz. Felizmente não engravidou, e o rapaz logo foi embora, mas ela havia carregado aquela profunda ferida em seu espírito por mais de sessenta anos.

Meu amigo orou, pedindo a cura interior daquela querida senhora, e, dentro de poucas semanas, os temores e a depressão começaram a desaparecer maravilhosamente, de forma que, como disse ela, "consigo me lembrar de que vivia com medo e deprimida, mas não consigo mais me lembrar de como aquilo me fazia sofrer!"

Esse ministério de perdão e cura por meio do poder de Cristo está ao alcance de todo o povo de Deus. Podemos levar muita ajuda, muita restauração, se estivermos dispostos. É um ministério gracioso que precisa ser exercitado abundantemente na comunidade dos fiéis."
Richard J. Foster, Dinheiro, Sexo e Poder,pp. 123-124 Editora Mundo Cristão