11 de março de 2008

Eu era fraco

Poucos minutos atrás, o telefone havia tocado. “Negro estamos cheios de você e de sua bagunça que vocês está fazendo. Se você não sair da cidade em três dias, vamos estourar seus miolos e acabar com sua casa.” (...) Veja como King relatou esse momento em um sermão que pregou:

E sentei-me à mesa, pensando naquela menina (sua recém-nascida filha) e no fato de que ela poderia ser tirada de mim a qualquer momento. Comecei a pensar na esposa dedicada, devotada e leal que estava ali, dormindo... E concluí que não poderia suportar mais aquilo. Eu era fraco... Percebi então que a religião precisava tornar-se algo real para mim e que eu precisava conhecer Deus por mim mesmo. Curvei-me em oração diante daquela xícara de café. Nunca vou me esquecer... Fiz uma oração e orei em voz alta aquela noite. Eu disse: “Senhor, estou aqui tentando fazer o que é certo. Penso que estou certo. Penso que a causa que representamos é certa. Mas, Senhor, preciso confessar que me sinto fraco agora. Estou vacilando. Estou perdendo a coragem”. (...)

E pareceu-me que, naquele momento, pude ouvir uma voz dentro de mim, dizendo: Martin Luther, levante-se em nome da retidão. Levante-se pela justiça. Levante-se pela verdade. Saiba que estarei com você até o fim do mundo”. Ouvir a voz de Jesus dizendo claramente que eu deveria continuar lutando. Ele prometeu que jamais me deixaria, numa me abandonaria. Eu nunca estaria só. Nunca estaria sozinho. Ele prometeu nunca deixar-me, nunca deixar-me sozinho.

Três noites depois, conforme prometido, uma bomba explodiu na varanda de sua casa, enchendo-a de fumaça, quebrando os vidros, mas não ferindo ninguém. King recebeu isso com tranqüilidade: “Minha experiência religiosa de algumas noites atrás me deu a força para enfrentar esta situação”.

Extraído de Alma Sobrevivente, por Philip Yancey, p. 23.

v.carlos