29 de março de 2008

Fitna: Filme anti-Islão provoca temores

Haia, 29 Mar (Lusa) - O "site" liveleak.com removeu dos seus conteúdos o filme anti-islão "Fitna", do deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders, devido às ameaças feitas aos colaboradores do serviço de vídeos, foi hoje divulgado.

"É um dia triste para a liberdade de expressão, mas a segurança do nosso pessoal está acima de tudo (...). O preço a pagar é demasiado elevado", pode ler-se numa mensagem no "site" liveleak.com.

Os responsáveis pelo liveleak.com, com sede no Reino Unido, dizem ter recebido ameaças "muito sérias" contra os seus colaboradores e não tiveram outra escolha senão retirar o filme dos servidores.

Geert Wilders considerou terrível que estas ameaças interfiram com a liberdade de expressão, mas compreende a decisão dos responsáveis do "site", disse o deputado em declarações à agência ANP.

O filme continua disponível noutros serviços de Internet, nomeadamente o YouTube, que só permite a visualização a maiores de 18 anos.

O "Fitna", uma palavra árabe que significa desordem, caos ou caminho de sofrimento, começou a circular na Internet na quinta-feira à noite.

Durante 15 minutos são exibidas imagens com a opinião do deputado holandês sobre o livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, e imagens violentas de vítimas de atentados terroristas.

Geert Wilders, fundador do Partido da Liberdade, defende que o Corão é um livro de índole fascista e incita à violência.

O primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, rejeitou a interpretação do islão do deputado de extrema-direita Geert Wilders e o governo holandês intensificou o diálogo com a comunidade muçulmana do país para prevenir reacções violentas.

Na Holanda, o filme foi considerado mais inofensivo do que se esperava e foi recebido com calma, mas as críticas de países muçulmanos contra Haia multiplicaram-se.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou sexta-feira a difusão do filme, argumentando que "nada justiça um discurso de ódio ou incitação de violência".

Os responsáveis da comunidade islâmica na Holanda pediram calma ao mundo muçulmano e a uma "resposta responsável".

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+ Fonte: RTP
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