1 de abril de 2008

Jesus, o pensador lógico

Muitas vezes, tenho a impressão de que vemos e ouvimos os atos e as palavras de Jesus, mas não pensamos nele como alguém que sabia como fazer aquilo que fazia ou que possuía discernimento lógico das coisas que dizia. Nosso primeiro impulso não é pensar nele como uma pessoa extremamente competente. Ele multiplicou pães e peixes e andou sobre as águas, por exemplo, mas, talvez não soubesse como fazer isso, talvez tenha usado apenas encantamentos ou orações impensadas. Ou então, ele ensinou como ser uma pessoa boa, mas não possuía discernimento e entendimento moral. Apenas repetiu sem qualquer reflexão palavras transmitidas a ele e por meio dele. Será?

Podemos adotar essa abordagem acerca de Jesus ao pensar que o conhecimento é humano, quando na verdade ele é divino. A lógica representa trabalho, enquanto Jesus é graça. Será que não esquecemos de alguma coisa? De que ele também é humano? Ou de que a graça não é o oposto de esforço, mas de mérito? Mas fomos ensinados que o raciocínio do homem é mau. Como Jesus poderia, então, ter pensamentos humanos e conhecimento humano? Assim, talvez com intenção de exaltá-lo, afastamos Jesus de nós e o tornamos irrelevante para nossa vida - especialmente à medida que esta envolve nossa mente. É por isso que a idéia de Jesus como lógico causa tanto espanto. E, é claro, o mesmo princípio se aplica a Jesus como cientista, pesquisador, estudioso, artista ou escritor. Ele simplesmente não se "encaixa" nessas áreas. É mais fácil pensar em Jesus como um evangelista de televisão que como um escritor, professor, ou artista de nosso contexto contemporâneo. Mas isso não faz sentido! Se ele é divino, como pode ser incompetente em questões de lógica, inepto ou desinformado em qualquer área? Paulo estava simplesmente sendo coerente quando disse aos colossenses que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento" (2:3). Há alguma exceção?
Dallas Willard - A Grande Omissão
Fonte: Orthodoxia