15 de abril de 2008

Papa elogia papel da fé na vida pública dos EUA

A BORDO DO AVIÃO PONTIFÍCIO O papa Bento 16 elogiou o papel da fé na vida pública norte-americana, em comparação com a Europa, mais laica.

Falando a jornalistas no avião que o leva à primeira viagem de seu pontificado aos EUA, o papa alemão disse que os países europeus não poderiam copiar o modelo norte-americano, porque têm suas próprias histórias e tradições, mas poderiam aprender algumas lições com o sistema dos EUA.

Bento 16 costuma criticar os países europeus por renegarem suas raízes cristãs e por transformarem a separação entre Igreja e Estado --que ele apoia-- em uma política de negar à religião um papel na vida pública.

"O que eu acho fascinante nos EUA é que o país começou com um conceito positivo de Estado laico. Essa gente nova foi formada por comunidades e povos que fugiram de Igrejas estatais e quiseram um Estado laico, secular, aberto a possibilidades para todas as confissões, para todas as formas de expressão religiosa", afirmou.

"Eles foram contra uma Igreja do Estado precisamente por amor à religião e à sua autenticidade, que só pode ser vivenciada livremente", disse.

Estima-se que nos EUA um terço dos católicos frequentem a missa regularmente, bem mais do que os 10 a 20 por cento que o fazem na Europa. Os políticos norte-americanos estão habituados a falar da sua fé, ao contrário da Europa, onde o assunto é considerado inadequado.

Apesar das diferentes tradições nos dois lados do Atlântico, como o escritor francês Alexis de Tocqueville notou já na década de 1830, ambas as sociedades estiveram sob forte pressão do secularismo moderno, acrescentou Bento 16.

"Mesmo agora nos Estados Unidos, há um ataque do novo secularismo que é completamente diferente [da época de Tocqueville], e portanto há novos problemas."

(Reportagem de Philip Pullella © Reuters 2008) -

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Agora o que me surpreendeu foi o tom ameno do comentário do papa ao visitar uma país de maioria protestante. Aquela gente que formou aquele país fugia realmente de perseguições por destoarem do sistema religioso dominante em seus países europeus.

Um movimento semelhante emerge atualmente no cenário da fé no mundo todo. Muita gente está remando numa direção diferente daquela das igrejas institucionais por amor à uma autência experiência de fé.

E, da mesma forma que a igreja católica não está oficialmente aberta a reconhecer que as várias ramificações do protestantismo fazem parte do Corpo de Cristo, muitas igrejas oriundas das ramificações protestantes do cristianismo relutam por reconhecer que tais movimentos hodiernos constituem vasos válidos em cujo interior pode haver o tesouro da presença de Deus em nossa era.